Flocos de/da alma nos constituem há tanto tempo, que nem mais
sabemos dizer se estiveram sempre ali ou se foram chegando pouco a pouco, a
cada dor engolida, a cada medo enfrentado, a cada remorso acomodado, a cada
decepção redundante.
Onde se acha una vacina que previna decepção
redundante?
A cada acometimento, essa enfermidade parece mais vigorosa, ao contrário do que deveria ser, se aprendêssemos, por ensaio e erro, a preveni-la (ao menos as maiores).
A cada acometimento, essa enfermidade parece mais vigorosa, ao contrário do que deveria ser, se aprendêssemos, por ensaio e erro, a preveni-la (ao menos as maiores).
Mas qual: a cada novo acometimento é a dor
primeira.
A dor e a vergonha da própria ingenuidade, da ingenuidade de se deixar iludir mais uma vez com o falso bem.
Vergonha, como se "ser grande" significasse ser malicioso e prever o desvio, ainda quando o olho pode vislumbrar somente linhas retas.
"O mundo é dos desleais mesmo, você devia saber".
A dor e a vergonha da própria ingenuidade, da ingenuidade de se deixar iludir mais uma vez com o falso bem.
Vergonha, como se "ser grande" significasse ser malicioso e prever o desvio, ainda quando o olho pode vislumbrar somente linhas retas.
"O mundo é dos desleais mesmo, você devia saber".
Que
natureza sustenta esses flocos?
Que alternância química permite fibrosidade a
uns e delicada etereidade a outros?
E como se complementam
assim, o bruto e o etéreo, sendo duplo e uno, mas sempre uno?
Sonho
ser só fibra, uma alma tecida em fibra resistente. Dessas que não se lhes
permeiam chuvas, ventos, frio, nada se lhes atravessa.
Fortes!
Sempre prontas para
resolver tudo, para seguir em frente e para anunciar: reaja, seja forte, a vida
continua, a vida continua, a vida continua, o show não pode parar. Não perca a
próxima festa!
Onde compraram essa
fibra, que não veio no meu pacote?
Como a implantaram?
Ou, pior, será que já
nasceram assim?
Teria eu alguma falha
genética?
Ou
você é um ser de aço, mesmo frente às dores mais injustas, um ciborgue
emocional, ou é uma "maria-mole", condenada a não se aprumar no tempo
médio esperado para esta operação.
O que é aprumar-se, se os
flocos estão encharcados e mal se acomodam enroladinhos, disformes,
desorganizados?
Qual
o prazo aceito para sofrer uma perda?
Que
incidente é esse - numa multidão de contentes - que desorganiza a
euforia, a ponto de o sofrer de uma pessoa descaber no conjunto?
Desorganiza não apenas porque o
conjunto receie perder o ritmo de seu eterno carnaval por precisar
solidarizar-se se um folião. tirar a máscara por um tempo e mostrar um rosto
marcado por lágrimas insones.
É esse conviver com o
outro sem a máscara, ali, mostrando que lhe dóem os flocos de alma, o que
desestrutura a folia e dilui a tese do hedonismo absoluto.
Ah, me deixa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário