A vida continua, mas não precisa ser
agora.
Escrito em janeiro de 2014
Escrito em janeiro de 2014
Vivemos
numa cultura lutofóbica.
Vivemos na sociedade frenética e histérica do obrigar-se a trincar os dentes, seguir em frente, porque, afinal, a vida continua!
Vivemos na sociedade frenética e histérica do obrigar-se a trincar os dentes, seguir em frente, porque, afinal, a vida continua!
Você
está sofrendo uma dor e uma perda irreparável? "Seu tempo acabou, time is over, pare de sofrer agora, já!
Este assunto “já deu”, já está na hora de você parar de pensar nisto. A vida
continua, você precisa seguir em frente."
Não
se pode mais falar em luto, viver o luto. As pessoas não suportam ver as outras
sofrendo: simplesmente rejeitam o sofrimento , a dor do outro, censuram,
estabelecem calendários para superação da dor.
Penso
que uma cultura que não suporta viver a própria dor e condena os que o fazem,
tem muito medo dos que o fazem. Daqueles que assumem que estão sofrendo.
Assumir que você está sofrendo é uma grande ameaça. Nem vou falar do óbvio: o
sofrer atrapalha o ritmo da produtividade. Vou caminhar por outras trilhas. Eu
me projeto no outro, que está sofrendo, e terei que enxergar embaixo do meu
próprio tapete todo o lixo escondido, escondido de mim mesmo.
Não
falo do luto de vestir-se de preto, mas também. A roupa que você escolhe
usar é expressão de seu estado de
espírito. Não se trata de mera convenção. Quando estava no auge do luto, simplesmente não tinha vontade de usar um salto alto, de vestir vermelho. Eu
queria a roupa mais invisível, o sapato mais despojado. Arrastar-me sobre um
par de sapatilhas já era sacrifício suficiente, imagine os saltos 15 que
costumo usar no cotidiano, que são “a minha marca” (e que, na verdade, em meu
estado “normal” não significam qualquer sacrifício).
Sempre
respondo: a vida continua, mas não precisa ser agora.
Tenho
horror a esse horror coletivo ao luto.
Sofri
abalos em amizades porque dói ouvir: pare de falar nisso, já deu!!
Se sua alma funciona em outro calendário, por que impor o seu calendário à minha?
Que autoridade alguém teria para me dizer: "já está na hora de parar de sofrer/pensar/ falar nisso"?
Não seria eu a principal interessada em sofrer menos?
Se sua alma funciona em outro calendário, por que impor o seu calendário à minha?
Que autoridade alguém teria para me dizer: "já está na hora de parar de sofrer/pensar/ falar nisso"?
Não seria eu a principal interessada em sofrer menos?
Admiro
a Senhora Lúcia Araújo, mãe do falecido cantor/compositor Cazuza. Ela sempre
diz nas entrevistas: “Ainda estou de luto pela morte do meu filho, mais de uma
década depois. Eu sofro e choro todos os dias, mas é a minha forma de viver
minha perda. Vou ao teatro todos os dias (durante temporada do musical Cazuza-
O tempo não Para) para chorar. E choro muito. Todos os dias. Parar de sofrer
seria esquecê-lo e eu não quero esquecê-lo.”
Isto não impediu que Lucinha “seguisse em frente” e criasse a sociedade Viva Cazuza.
Isto não impediu que Lucinha “seguisse em frente” e criasse a sociedade Viva Cazuza.
Mulher
corajosa. “Anormal”.
Afinal, o "normal” na cultura esquizofrênica em que
estamos mergulhados é você perder um filho e não ir à missa de um mês de
falecimento dele porque está viajando no feriado de carnaval para “superar”, porque
a vida continua? Normal é perder um tio, primo, irmão, bruscamente, e 30 dias depois, quando, por coincidência seria aniversario dele ( mas os trinta dias e o
aniversário caíram no carnaval, que pena!) você estar posando no sambódromo,
saindo nos blocos de carnaval, porque já estava programado e você já tinha comprado
os abadás antes de ele ter a infeliz ideia de morrer naquele acidente de carro?
Além disso, “ele não gostaria de ver ninguém triste”...
O normal é sua mãe morrer repentinamente aos
50 anos de idade e você festejar aniversário menos de 10 dias após o
sepultamento porque já estava programada a festa? Afinal, a vida continua, e
ela não gostaria de ver ninguém triste.E vamos batucar, vamos fazer outra
festa, um chá de panelas, um aniversário, um chá de bebê, tudo regado a muito
batuque.
É normal uma família perder bruscamente duas pessoas com 49 e 50 anos, respectivamente , no intervalo de um ano e meio e manter TODO o calendário de festas intacto e acrescentado das advindas? E muitas, muitas fotos nas redes sociais, para provar que está tudo bem, que estão superando, que são fortes, inatingíveis, e não seriam uma ou duas mortezinhas quaisquer que mudariam seus planos. Estão "sofrendo por dentro", mas têm ânimo para escolher figurino para as sucessivas festas previamente agendadas e outras. Afinal, as crianças fazem aniversário, os noivos casam, os casais fazem bodas de prata, é preciso comemorar! Isto é um imperativo! Acima de qualquer dor. Festa, festa, outra festa. Como é que vão permitir que duas mortes de duas pessoas jovens na família atrapalhem tudo isso? Precisam mostrar que são fortes, que não se abalam, que não desmoronam.
Deveriam saber que se desmoronarem, do chão não passam. Podem desmoronar, bem-vindos ao mundo do luto legitimado, da coragem de enfrentar a fraqueza. Da força de assumir-se fraco, frágil, atingido, terra arrasada. Isto um dia passa, melhora, minora, diminui. Já o luto mal-vivido, como disse Freud , transforma-se em melancolia.[1]
É normal uma família perder bruscamente duas pessoas com 49 e 50 anos, respectivamente , no intervalo de um ano e meio e manter TODO o calendário de festas intacto e acrescentado das advindas? E muitas, muitas fotos nas redes sociais, para provar que está tudo bem, que estão superando, que são fortes, inatingíveis, e não seriam uma ou duas mortezinhas quaisquer que mudariam seus planos. Estão "sofrendo por dentro", mas têm ânimo para escolher figurino para as sucessivas festas previamente agendadas e outras. Afinal, as crianças fazem aniversário, os noivos casam, os casais fazem bodas de prata, é preciso comemorar! Isto é um imperativo! Acima de qualquer dor. Festa, festa, outra festa. Como é que vão permitir que duas mortes de duas pessoas jovens na família atrapalhem tudo isso? Precisam mostrar que são fortes, que não se abalam, que não desmoronam.
Deveriam saber que se desmoronarem, do chão não passam. Podem desmoronar, bem-vindos ao mundo do luto legitimado, da coragem de enfrentar a fraqueza. Da força de assumir-se fraco, frágil, atingido, terra arrasada. Isto um dia passa, melhora, minora, diminui. Já o luto mal-vivido, como disse Freud , transforma-se em melancolia.[1]
Não
se iludam, a conta um dia vai chegar. Jogar o luto para baixo do tapete e esconder-se atrás de sorrisos, carnavais, vestidos coloridos e brilhantes nas festas é uma
“normalidade” arriscada. É o que se exige de nós, na cultura do "não-para,
não-para,não-para", como tocam os refrões do funk.
Somos uma máquina, nem a morte brusca de quem mais amamos vai nos fazer parar...hahahaha....
( Insisto: a conta um dia vai chegar.Ainda que seja uma conta quase invisível de uma existência artificial e banalizada/banalizante/banal).
Somos uma máquina, nem a morte brusca de quem mais amamos vai nos fazer parar...hahahaha....
( Insisto: a conta um dia vai chegar.Ainda que seja uma conta quase invisível de uma existência artificial e banalizada/banalizante/banal).
Esta
é a sociedade da normose, da obsessão pela “normalidade”, da negação
oficializada, e da rejeição cruel ao luto, à dor e ao sofrimento.
Claro que isto tem um preço. Tem gente que não “sofre” quando tem que sofrer, mas desenvolve câncer depois.
Ou vive mesmo uma vida de abobado pra sempre, um alienado dos verdadeiros sentimentos de seu coração.
Porque, nos casos citados e em todos, acredito que as perdas geraram sofrimento aos atingidos. Mas o sofrimento não pode aparecer na sala de visitas. Precisa ser escondido no porão.
Sofrimento é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração, parafraseando Milton Nascimento[2].
Claro que isto tem um preço. Tem gente que não “sofre” quando tem que sofrer, mas desenvolve câncer depois.
Ou vive mesmo uma vida de abobado pra sempre, um alienado dos verdadeiros sentimentos de seu coração.
Porque, nos casos citados e em todos, acredito que as perdas geraram sofrimento aos atingidos. Mas o sofrimento não pode aparecer na sala de visitas. Precisa ser escondido no porão.
Sofrimento é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito, dentro do coração, parafraseando Milton Nascimento[2].
Mas
que loucura é essa de separar coração de corpo, sentimento de comportamento,
essa negação do luto como mera convenção social, mas também do luto como expressão
da dor, como reação à perda, como reconhecimento de uma falta?
Por que as pessoas têm tanto medo disso?
Por que rejeitam tanto, quando encontram um maluco que ainda insiste em falar, em lembrar, em se comportar como quem sofre, como quem perdeu, como quem sente uma falta, um vazio?
Elas têm medo de que?
Por que as pessoas têm tanto medo disso?
Por que rejeitam tanto, quando encontram um maluco que ainda insiste em falar, em lembrar, em se comportar como quem sofre, como quem perdeu, como quem sente uma falta, um vazio?
Elas têm medo de que?
Danem-se
os modismos sociais! Dane-se a superação! Dane-se a síndrome de “He-man” (Eu
tenho a força!)[3]
A
vida continua, mas não precisa ser agora.
Mergulhe
no luto quando precisar, quanto tempo precisar, do modo como precisar. Dê um
tempo. Pare tudo o que você puder parar e chore, sofra ,sinta, não se
anestesie. Você não vai morrer.
Dor dói mesmo.
O pleonasmo aqui é intencional, para chamar a atenção para a loucura de uma ilusão neurótica de dor que não dói. Dói. Dói muito.Dói mesmo. É horrível.
Tão mais horrível quanto for importante o que ficou pendente entre você e quem se foi.
Tão mais horrível quanto for inesperada e precoce a morte.
Tão mais horrível quanto for a dimensão daquilo que não foi vivido, do sonho interrompido ou não realizado. Mas você vai suportar. Parece que não, mas vai. Coragem!
Dor dói mesmo.
O pleonasmo aqui é intencional, para chamar a atenção para a loucura de uma ilusão neurótica de dor que não dói. Dói. Dói muito.Dói mesmo. É horrível.
Tão mais horrível quanto for importante o que ficou pendente entre você e quem se foi.
Tão mais horrível quanto for inesperada e precoce a morte.
Tão mais horrível quanto for a dimensão daquilo que não foi vivido, do sonho interrompido ou não realizado. Mas você vai suportar. Parece que não, mas vai. Coragem!
Não
tem jeito. Não há escolha. Você precisa entender que em determinados momentos
da vida, simplesmente não há escolha, não temos escolha.
A tragédia acontece, muitas vezes cercada de grandes e pequenas ironias do destino, mas acontece e você precisa viver isto.
Não fuja da dor.
Apoie-se no que te ajudar. Você é uma pessoa de fé? Apoie-se cada vez mais em sua fé.
Leia, leia sobre o tema, não fuja dele. Isole-se se precisar, desligue telefone, saia das redes sociais, não receba visitas se não tiver vontade, não aceite convites pra sair se sua alma estiver pedindo recolhimento. Não adianta ir, porque onde quer que vá, sua alma irá junto. Não há como ir ali , deixar a alma sofrendo em casa e voltar já.
Passe Natal e Reveillon trancado em um quarto escuro com as janelas fechadas, se sua alma pedir isto.
Não tenha medo de ser uma pessoa esquisita. Não será para sempre. Não serão todos os natais de sua vida assim.
Um dia a própria vida vai se encarregando de recolocar algumas coisas em seus lugares, em novos lugares, em outros lugares.
E você vai se surpreender com sua força autêntica, não aquela dos que trincam os dentes e seguem em frente no primeiro bloco de carnaval que passa logo após o sepultamento, ou na primeira caravana para a casa de praia.
A tragédia acontece, muitas vezes cercada de grandes e pequenas ironias do destino, mas acontece e você precisa viver isto.
Não fuja da dor.
Apoie-se no que te ajudar. Você é uma pessoa de fé? Apoie-se cada vez mais em sua fé.
Leia, leia sobre o tema, não fuja dele. Isole-se se precisar, desligue telefone, saia das redes sociais, não receba visitas se não tiver vontade, não aceite convites pra sair se sua alma estiver pedindo recolhimento. Não adianta ir, porque onde quer que vá, sua alma irá junto. Não há como ir ali , deixar a alma sofrendo em casa e voltar já.
Passe Natal e Reveillon trancado em um quarto escuro com as janelas fechadas, se sua alma pedir isto.
Não tenha medo de ser uma pessoa esquisita. Não será para sempre. Não serão todos os natais de sua vida assim.
Um dia a própria vida vai se encarregando de recolocar algumas coisas em seus lugares, em novos lugares, em outros lugares.
E você vai se surpreender com sua força autêntica, não aquela dos que trincam os dentes e seguem em frente no primeiro bloco de carnaval que passa logo após o sepultamento, ou na primeira caravana para a casa de praia.
Você sentirá que é forte: não precisou fugir da
dor para sobreviver. Você sobreviveu a ela, com ela, por dentro dela.
Você não é o He-Man, você não é a She-Ra nem qualquer outro super-heroi.
Não tem obrigação de agir como se fosse. Você é gente. E gente sofre. Sofre mesmo, mas aguenta.
No meu caso, a religião ajudou / ajuda muito. No começo, tive a esperada reação “contra Deus”. Por que você não ouviu minhas orações? Eu pedi tanto, durante 4 dias. Mas a “revolta” passou e vi em Deus, mais uma vez meu aliado.
Usei para mim mesma, uma frase que sempre uso para outras pessoas: Jesus disse: “Quem quiser me seguir, pegue sua cruz e me siga”. Ele não disse “pegue seu travesseirinho perfumado e me siga”.Ele foi claro: pegue sua cruz!
Ele não falou: disfarce sua cruz num abadá e vá pular carnaval ou vá passear pra esquecer sua cruz.
Na hora de carregar a cruz, é hora de carregar a cruz e ponto final.
Com todos os rituais que ajudam a purgar, com todas as missas de sétimo dia, mês e ano, se vc for católico, todos os cultos em memória, todos os tributos, se for o caso.
Deus não prometeu que não teremos tribulações,que nos livraria delas, mas que ele estaria conosco nelas. Não disse que não passaremos pelas águas nem pelo fogo, mas que nem as águas nos submergirão, nem as chamas nos consumirão.
Você não é o He-Man, você não é a She-Ra nem qualquer outro super-heroi.
Não tem obrigação de agir como se fosse. Você é gente. E gente sofre. Sofre mesmo, mas aguenta.
No meu caso, a religião ajudou / ajuda muito. No começo, tive a esperada reação “contra Deus”. Por que você não ouviu minhas orações? Eu pedi tanto, durante 4 dias. Mas a “revolta” passou e vi em Deus, mais uma vez meu aliado.
Usei para mim mesma, uma frase que sempre uso para outras pessoas: Jesus disse: “Quem quiser me seguir, pegue sua cruz e me siga”. Ele não disse “pegue seu travesseirinho perfumado e me siga”.Ele foi claro: pegue sua cruz!
Ele não falou: disfarce sua cruz num abadá e vá pular carnaval ou vá passear pra esquecer sua cruz.
Na hora de carregar a cruz, é hora de carregar a cruz e ponto final.
Com todos os rituais que ajudam a purgar, com todas as missas de sétimo dia, mês e ano, se vc for católico, todos os cultos em memória, todos os tributos, se for o caso.
Deus não prometeu que não teremos tribulações,que nos livraria delas, mas que ele estaria conosco nelas. Não disse que não passaremos pelas águas nem pelo fogo, mas que nem as águas nos submergirão, nem as chamas nos consumirão.
Foi
difícil a fase de “ficar de mal com Deus”. Mais uma vez, uma gravação do padre
Fabio de Melo me ajuda: “Ah , eu não vi o seu milagre acontecer , eu não vi a sua cura
se cumprir, nada que eu pedi a Deus aconteceu.... Por que você partiu, por que
você se foi e por que o milagre não se deu como eu pedi”?[4]
Eu
repetia esta canção milhões de vezes.
Ainda estou em uma fase em que estar na igreja, estar em oração, ajuda muito a aliviar.
Daqui a duas semanas (do dia em que escrevo este texto) completará 2 anos. Somente agora tive alguma disposição para fazer planos para o ano novo. Listar os planos, eleger o novo ano como o “ano da virada”. Mas foram dois anos de luto interno intenso. Durante um ano e dois meses não fui a lugar nenhum , a festa alguma, a nenhum evento social. E não morri por causa disso.
Ainda não voltei ao "normal", mas já me recuperei um pouco.
Um dia me surpreendo indo ao aniversário de um aninho do meu sobrinho-neto, mesmo de cabelo molhado, sem maquiagem e com meu vestido da preguiça (um vestido confortável, mas que faz uma figura razoável, que visto nos momentos em que preciso ter uma aparência razoável, mas com uma roupa despojada, fácil de usar). Lá se iam 15 meses, a primeira festinha. Dancei um pouquinho com os sobrinhos, uma música.
Aos 16 meses, me surpreendo indo a um show musical e dançando.
Tudo vai acontecendo espontaneamente.
O meu tempo foi/ é este.
E o seu? Só sua alma poderá dizer. Será que verdadeiramente existe uma alma que sinta vontade de dançar e festejar uma semana após a morte da mãe, um mês após a morte de um irmão ou de um tio? Está com medo de quê? Está fugindo de quê?
Ainda estou em uma fase em que estar na igreja, estar em oração, ajuda muito a aliviar.
Daqui a duas semanas (do dia em que escrevo este texto) completará 2 anos. Somente agora tive alguma disposição para fazer planos para o ano novo. Listar os planos, eleger o novo ano como o “ano da virada”. Mas foram dois anos de luto interno intenso. Durante um ano e dois meses não fui a lugar nenhum , a festa alguma, a nenhum evento social. E não morri por causa disso.
Ainda não voltei ao "normal", mas já me recuperei um pouco.
Um dia me surpreendo indo ao aniversário de um aninho do meu sobrinho-neto, mesmo de cabelo molhado, sem maquiagem e com meu vestido da preguiça (um vestido confortável, mas que faz uma figura razoável, que visto nos momentos em que preciso ter uma aparência razoável, mas com uma roupa despojada, fácil de usar). Lá se iam 15 meses, a primeira festinha. Dancei um pouquinho com os sobrinhos, uma música.
Aos 16 meses, me surpreendo indo a um show musical e dançando.
Tudo vai acontecendo espontaneamente.
O meu tempo foi/ é este.
E o seu? Só sua alma poderá dizer. Será que verdadeiramente existe uma alma que sinta vontade de dançar e festejar uma semana após a morte da mãe, um mês após a morte de um irmão ou de um tio? Está com medo de quê? Está fugindo de quê?
O
mundo não vai acabar. Quando você emergir, os shows, os carnavais, as festas,
todo o calendário da alegria estará ali.
Mas você viveu o seu momento. Você viveu o seu luto sem medo. E vai voltar a viver sua alegria, sem lixo escondido embaixo do tapete.
Uma alegria que talvez nunca mais seja inteira, nunca mais seja a mesma, depende da sua perda, depende de tanta coisa...
Mas o seu momento de alegria/alegrias vai chegar.
Confie, mergulhe na dor, ela não será eternamente mutiladora, mas é preciso parar, dizer não à normose, à histeria coletiva da festa a qualquer custo, da superação, dizer um sonoro "não" à síndrome do He-Man.
É muito libertador poder dizer: neste momento, eu não tenho “a força”, eu não tenho força nenhuma, não tenho e pronto, eu me rendo. E dane-se o mundo! Mas um dia, algum dia, que não sei quando, vou reencontrá-la.
E a reencontrará.
Seja por meio da aproximação de Deus, seja pelo meio que sua alma disser.
Mas deixe sua alma em paz. Defenda sua alma dos invasores. Não permita que lhe imponham seu calendário da dor. Ele é só seu.
Liberte sua alma para estar no comando do seu calendário emocional.
Mas você viveu o seu momento. Você viveu o seu luto sem medo. E vai voltar a viver sua alegria, sem lixo escondido embaixo do tapete.
Uma alegria que talvez nunca mais seja inteira, nunca mais seja a mesma, depende da sua perda, depende de tanta coisa...
Mas o seu momento de alegria/alegrias vai chegar.
Confie, mergulhe na dor, ela não será eternamente mutiladora, mas é preciso parar, dizer não à normose, à histeria coletiva da festa a qualquer custo, da superação, dizer um sonoro "não" à síndrome do He-Man.
É muito libertador poder dizer: neste momento, eu não tenho “a força”, eu não tenho força nenhuma, não tenho e pronto, eu me rendo. E dane-se o mundo! Mas um dia, algum dia, que não sei quando, vou reencontrá-la.
E a reencontrará.
Seja por meio da aproximação de Deus, seja pelo meio que sua alma disser.
Mas deixe sua alma em paz. Defenda sua alma dos invasores. Não permita que lhe imponham seu calendário da dor. Ele é só seu.
Liberte sua alma para estar no comando do seu calendário emocional.
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