No fim, o que conta é o cheiro de alho
fritando.
Escrito em janeiro de 2014, na casa do meu filho, enquanto faço o almoço.
Escrito em janeiro de 2014, na casa do meu filho, enquanto faço o almoço.
Alho
fritando na panela... Existe algum cheiro mais “carinhoso”, mais arquetípico? Que
nos transporte ao mais íntimo em nós? Existe algum cheiro que evoque mais o
carinho, a proteção, o amparo, o conforto?
Lá
fora, um mundo.
Aqui
dentro, o mundo. O mundo que importa, acima de tudo.
Lá
fora, universos, cargos, títulos, glórias, deslealdades, traições, desafios,
grandes conquistas, grandes perdas, protocolos, máscaras, etiquetas,
hierarquias, desrespeito, agressão, competição, “cascas de banana”
estrategicamente colocadas em nosso caminho, vitórias, concursos, livros,
curruculum vitae, contas , orçamentos, política, aplausos, indiferença, inveja,
admiração, veneno, bajulação, reprovação, aprovação, injustiças, ingratidão,
decepção, informação, fugacidade, o mundo de fora.
“Vi
o mundo de eis que digo: Tudo é Vaidade e Vento que passa.”[1]
Cá
dentro, o eu verdadeiro, despojamento, incondicionalidade, gratuidade, generosidade,
amizade, amor, nome sem sobrenome, simplicidade, simploriedade, apelido, lavanderia, pia de louça, cheiro de alho
fritando na panela...
Vi
o mundo e eis que digo: no fim das contas, o que conta é o cheiro de alho
fritando na panela...
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