Em caso de violência
contra a mulher, ligue para a polícia.
Escrito em janeiro de 2014
Escrito em janeiro de 2014
Poderia
ser fácil assim... mas não é. Esta receita poderia resolver todos os problemas
de consciência, uma forma de “lavar as mãos”, mas com a consciência leve,
agenda politicamente correta cumprida, tudo de acordo com os conselhos
difundidos na mídia.
Manhã
de janeiro, estou sozinha no apartamento do meu filho, em uma cidadezinha
próxima a Bruxelas. Prédio vazio. Quase todos os moradores dos cerca de 15
apartamentos, passam todo o dia e boa parte da noite fora. A maioria
estudantes. Alguns trabalham.
Sempre
há silêncio.
Fico
aqui nas minhas ocupações de mãe-de-férias-visitando-o-filho, cuidando da casa,
lendo, escrevendo, indo ao mercado, lavanderia, saindo para uma caminhada...
Estou
preparando o almoço e começo a ouvir barulhos estranhos.
Muito
barulho, bate-boca, quebra-quebra. Tanto barulho, que ora parecia vir do andar
de cima, ora parecia vir do mesmo andar. Agora estou me dando conta de que não
há andar de cima. Há só dois andares e estou no segundo. Mas naquele momento
era esta a minha sensação.
E
o barulho vai aumentando, intensificando, bate-porta, correria, bate-porta
novamente.
Gritos.
Mais
gritos.
Verifico
a chave na porta. Seria algum tipo de “arrastão” no prédio e vários
apartamentos estariam sendo invadidos?
Penso
em ligar para meu filho para perguntar se isto é “comum”. Fora de área.
Medo.
Mais
medo. Me encolho.
E
o barulho aumenta, barulho de objetos quebrados, socos em portas, chutes,
coisas assim.
E
gritos. Muitos gritos.
Percebo
que é no apartamento da frente, porta a porta.
O
que sei sobre os moradores? Um casal, ela muito jovem, traços asiáticos. Não
mais do que vinte anos.Ele, um pouco mais velho,talvez uns 30 anos, traços europeus.
Parece
alemão, ou mesmo belga. Penso em alemão porque quase todos os moradores do
prédio são estudantes que vem de outros países para esta cidade, que gira em
torno da atividade universitária.
Ela
, aparência frágil, franzina, pequena. Ele, forte, musculoso,grande.
O
que mais sei? Não têm o hábito de colocar o lixo reciclável na lixeira
apropriada, deixando-o muitas vezes em uma caixa no corredor, para meu estranhamento. Coisa de
jovem? De prédio “de estudantes”? Muita
embalagem de pizza. Comem muita pizza. Como qualquer jovem longe da casa da
mãe. Como qualquer jovem “auto-exilado” em busca de uma situação melhor na
vida, em tempos de desemprego e da busca frenética pelo “melhor diploma”,
obtido na “melhor universidade do mundo na área”, na esperança de finalmente,
um dia, encontrar seu “lugar ao sol”, seu lugar no mundo.Seu lugar no mundo do
trabalho. E no mundo dos adultos. São milhões de jovens atirados no mundo a
cada dia. Saindo direto das fraldas para outro continente.
E
assim me parece a menina: signo de fragilidade e desamparo.
Aquelas
caixas de pizza.
Pizza
pronta é o que há de mais barato no mercado local, e que pode enganar o
estômago. Pizza congelada de 1 Euro pra enfrentar o perrengue. Será que têm
bolsas? Será que o dinheiro que a família manda é suficiente pra se alimentar?
E
mais barulho. Gritaria.
Começo
a decodificar o acontecimento: briga de casal.
Briga
de casal?
Briga
de casal.
Você
cresceu ouvindo que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. Depois,
eles fazem as pazes e vc é que fica mal. Melhor não se intrometer. Se ela está
com ele é porque gosta. Simples assim.
Depois,
sua geração absorveu um conceito de cidadania que diz : Não se omita, ligue
para a polícia. Não lave as mãos frente à violência contra a mulher. Ligue
anonimamente 190 e seus problemas
acabaram.Sua consciência ficará levinha como algodão-doce e vc se sentirá no
mais perfeito estado do exercício de sua cidadania. Uma pessoa legal, do bem, e
engajada nas causas sociais mais nobres.
Olhe
que bacana: basta dar um telefonema anônimo e eu recebo a medalha simbólica de
honra ao mérito-cidadão.
Legal,
mas esqueceram de combinar isto com a diversidade de contextos que cercam as
situações de violência, sua complexidade, suas implicações e consequências, das
limitações do “anonimato” etc.
E
a menina começa a gritar, como quem está apanhando, sendo esganada, como quem
pede socorro.
Mas
se eu ligar para a polícia, o alemão agressor vai saber que fui eu. O prédio
está vazio. Eu estou com música ligada desde cedo, fazendo barulho de lavar
louças, cozinhar. Saberão que a ligação partiu de mim. Poderão pensar que estou
ligando para denunciar o barulho que está me incomodando? Ambos ficarão contra
mim. E se não, se entenderem que estou denunciando a agressão contra a menina?
Que consequências poderei sofrer? E depois que eu for embora , no final das
férias, o que esse alemão poderá fazer contra meu filho, morando sozinho no
apartamento de frente a ele?
Minha
cabeça gira, meu medo se mistura com a indignação e com um enorme sentimento
materno, humano, cristão, tudo junto.
E
se fosse minha filha?
Onde
está a mãe dessa menina?
Que
preocupações ela tem com a filha estudando longe de seu país?
O
que essa mãe sabe sobre o que vive a filha, além das informações rotineiras
sobre a universidade, as notas, os trabalhos?
E
se meu filho, com quem vivo preocupada, lá bem distante, a ponto de vir passar
TODOS os dias de minhas férias com ele para “uma observação longa e aprofundada
no campo”, fosse mulher? Vim aqui passar 40 dias em busca de alguma certeza de
como ele está, de como vive, como se sente. As ligações telefônicas são
insuficientes, os bate-papos pela web tb. Precisei vir pessoalmente, “dar um
confere”, “viver” um tempo a vida que ele vive, seu cotidiano, para sentir o
que ele sente. (claro que isto é uma tola ilusão materna, sei disso).
E
se meu filho fosse uma menina, exposta a mais riscos do que ele, na condição de
homem? Que preocupações eu teria, além das que já me atormentam?
Segundos
foram suficientes para que tudo isto atravessasse meus pensamentos, que eu me
transportasse não para o lugar da menina que estava apanhando, mas de sua
imaginária mãe.
Não
é prudente ligar para a policia. Estou em um pais estranho, não conheço as
leis, não sei como é tratado o crime de violência doméstica contra a mulher.
Mas
, como poderei ficar quieta? Indiferente? A menina está gritando. E se daqui a
pouco vier o silêncio? E se daqui a pouco a polícia vier retirar um corpo
inerte da frente da nossa porta? Como ficará minha consciência?
Como
eu poderei ter paz algum dia na vida?
“Como
receberás o sol no outro dia, a cada manhã, verá sua imagem, ate´que consoles o
Meu coração. Onde está o seu irmão?” “Olha,
Sou Eu. Se ele sofre, sou Eu. Falam de mim, pois seu rosto é o Meu.”
Esta
canção, gravada por Padre Fábio de Melo, não me saía da cabeça. “Braços fortes
te dei , pra levantá-lo, meu amor eu te dei pra aliviar a dor”.... E na canção,
o criador cobra:”Onde andará aquele que concebi, confiei aos cuidados seus e
hoje não está aqui?”.
Naquele
momento, senti que aquela menina estava “entregue aos cuidados meus”.Eu sou a
única “adulta” do prédio, considerando minha condição de mãe de morador em um
prédio cujos apartamentos são alugados quase na totalidade por jovens
estudantes. Estou presente no momento da agressão. Ouço a menina gritar.
Seria
hipocrisia me omitir. Eu havia acabado de assistir na webtv uma palestra do
padre Fábio de Melo e a havia compartilhado na minha rede social. A palestra
falava na coragem de ser cristão. Da coragem de tomar decisões. Pequenas
decisões, inclusive.
“Como
receberás o sol no outro dia, a luz te lembrará o semblante dele (dela). A cada
manhã, verás sua imagem, até que consoles o Meu coração. Onde está o seu
irmão?”
A
canção continua martelando minha consciência.
Dividida:
medo, desconhecimento da realidade legal do país, e uma consciência humana que
grita : esta menina podia ser minha filha! Eu vim aqui pra “checar in locu” como está meu filho. Posso
tirar 40 dias para ficar com ele. Por quarenta dias ele não está se alimentando
de pizza congelada e chá pronto, mas de “comida de mãe”. E a mãe dela? Onde
andará? Terá desejo de vir aqui? Terá condições?
Decido.
Escrevo um bilhete, vou bater na porta e entregá-lo. Escrevo em inglês, a
língua universal nesta cidade onde até os cursos na universidade são
ministrados nesta língua, que não é a local. “Oi!Você precisa de ajuda? Posso
fazer alguma coisa por você? Sou a mãe do morador do 204 e estou passando as
férias aqui com ele. Conte comigo, se precisar.Desculpe-me, estou apenas
tentando ajudar.”
Ao
abrir a porta para entregar o bilhete, vejo que o casal abre também ao mesmo
tempo. O alemão sai. Logo em seguida, a menina. Machucada. Desgrenhada. Ferida
no corpo e na alma, visivelmente. Entrego o bilhete a ela. Digo “desculpe, eu só
abri a porta para tentar te ajudar”. Ela lê o bilhete, olha pra mim, agradece,
agradece de novo. E sai correndo atrás do cara. Não sei se tentando manter o
relacionamento ou se tentando reaver algum pertence levado por ele, ela
simplesmente sai correndo e gritando o nome dele. As vozes vão desaparecendo e
o silêncio retorna ao prédio. O mesmo silêncio que tem sido meu companheiro,
cúmplice de minhas leituras e escritas, torna-se inquietante.
Sinto
angústia. Necessidade de falar.
Um
sentimento de “dever cumprido” e ,ao mesmo tempo, um enorme desconforto, dor,
tristeza, indignação, preocupação. Sofrimento.
Faço
uma postagem na rede social. Fazem parte de minha rede, intelectuais colegas de
profissão, familiares, amigos de bairro e de infância. É um perfil muito
movimentado. Sempre que posto alguma foto da viagem, muitos “likes”.
Bom,
vamos ver o que meus amigos pensam sobre tudo isto. O que têm a me dizer. As
duas primeiras postagens são machistas: eu estou me intrometendo na vida
alheia, eu estou fazendo fofoca
internacional , para eu procurar alguma coisa para fazer em vez de me meter na
vida alheia, etc... de dois homens. Em tom jocoso. Transformei-me em um minuto
de ser humano preocupado com a integridade de uma VIDA, em uma mera fofoqueira
preocupada com a vida alheia. Como se minha atitude fosse “coisa de mulher
fuxiqueira, se meter em briga de casal”.
Mulheres
em silêncio.
Logo
em seguida, outro homem, um intelectual bem conceituado e reconhecido
nacionalmente, diz que continua
aguardando notícias do “Diário Europeu”.
Me
sinto OFENDIDA por ele, não esperava esta atitude de um “colega de profissão”,
um educador por ofício. Minha postagem, então, era simplesmente um diário de
viagem, ou diário de notícias locais? O assunto era uma banalidade? E observem
que esta pessoa nem estava recebendo minhas postagens cotidianas da viagem,
visto que as configurei somente para os mais próximos. Mas esta postagem eu
coloquei em aberto, para todos, exatamente por não considerar uma “questão
pessoal”.
Não
havia me sentido ofendida com os comentários jocosos e/ou machistas anteriores,
por virem de pessoas íntimas, cuja intenção era me “provocar” mesmo, por
brincadeira, do mesmo modo com fizeram um dia antes quando posei com a camisa
de outro clube que não o meu. Só escrevi em resposta, pedindo que “Nossa
Senhora Desatadora de Machismos” rogasse por nós.
Mas
olhar esta reação de parte de alguém com quem tenho relações profissionais, me
ofendeu realmente. Mas me expus a isto, quando postei o assunto para todos,considerando
que a postagem tem um caráter sociológico, não é meramente um desabafo íntimo.
Trata-se de um tema que – deveria- constar na pauta de preocupações dos
educadores de modo mais sério do que me pareceu o tratamento dado pelo colega.
Talvez a palavra não seja “ofensa”, mas
“decepção”. (Preciso aprender a distinguir melhor as duas, disto depende grande
parte das habilidades sociais que desejo desenvolver. Preciso aprender a deixar
nas mãos do outro o que é do outro- no caso e em geral, as atitudes impróprias-
não me ofender e, portanto, não precisar me defender).
Como
tenho por resolução de ano-novo não mais reagir explicitamente a ofensas, não
mais fazer papel de porco-espinho [1]fiquei
calada.
Mulheres
começam a se manifestar: em 24 horas somente 4 ou 5 mulheres, além dos 3 homens com uma
interpretação machista ou jocosa, já mencionados, e outro homem, um ex-aluno de doutorado, com
uma reflexão muito apropriada, a meu ver. Ele havia postado dias antes uma
mensagem de indignação com o crescimento da violência contra a mulher.
Cadê
todo mundo?
A
reação inicial das pessoas foi como de repreensão ou “alerta”: vc devia ter
ligado para a polícia e ponto. Vc se arriscou . Não devia ter intervindo
diretamente. Cuidado.
Fui
contra-argumentando e algumas pessoas foram concordando sobre os riscos de
ligar para a polícia , dada a especificidade do contexto.
Uma
amiga destacou muito bem, em minha opinião, os sintomas de dependência emocional da
“mulher que apanha e ainda vai correndo atrás do agressor” . Fato! Precisamos
ir além do lugar-comum de achar que é fácil se livrar do agressor - basta
querer- e tentar compreender toda a complexa teia de construção da dependência
ou da co-dependência psicológica/afetiva/emocional.
Outra
amiga lembra os casos de dependência ligadas à imigração, visto etc. Vivenciei a dificuldade de obtenção do visto
por meu filho, mesmo com a carta de aprovação e aceitação no Mestrado.Uma
tortura que durou meses, quase o levou à perda do prazo de matrícula no curso. Efeitos
do desemprego na Europa. Portas fechadas para estrangeiros. Conforme o ditado
popular, “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Esta tem sido a política de
negação de vistos dos países da União Europeia.
Outras
mulheres, ainda, apoiaram minha decisão, reconhecendo o
peso que ficaria em minha consciência se me omitisse.
À
noite fui caminhar.
Noite
linda, céu estrelado, apesar de estarmos em pleno inverno europeu. Nem fazia
muito frio.
(Enquanto
escrevo, exatamente 24 horas após o acontecimento, ouço, neste momento, barulho
no apartamento da frente. Porta se abrindo e fechando bruscamente, após 24
horas de silêncio. Desconheço completamente o que aconteceu neste interstício.
Desde que a menina me agradeceu e saiu correndo atrás de seu agressor, silêncio
total)
Voltando
à reflexão que fazia durante a caminhada.
Cultura
de “soluções fáceis” e muita hipocrisia. Continuamos achando que o problema é
do outro e que precisamos manter uma distância segura. Não nos comprometemos de
fato com o outro. Entretanto, precisamos aparentar compromisso, engajamento.
Mas sempre “mantendo distância”. Aprendemos a (sobre)viver assim. A nos
anestesiar assim. Aprendemos a ser impassíveis diante do sofrimento do outro,
mas mantendo a pose de solidariedade. Se não for assim, o que acontece? Como
sofrer com todos os sofredores do mundo? Como seguir em frente, a cada rosto
doído que vemos nas ruas? Precisamos seguir em frente. Sempre, sem parar, sem
tropeçar. “Go on, Go on, Go on”, exigem os letreiros da nossa agenda, da nossa
cultura, muitas vezes dentro das religiões, dos movimentos sociais.
Engajemo-nos, mas mantendo a área de segurança intacta. Nossa rotina intacta.
Nossa produtividade intacta. Tudo o que o NOSSO, intacto. Damos somente aquilo
que sobra, que não fará falta nem apresentará riscos. Sexo seguro,
solidariedade segura, propriedades seguras, tudo assegurado (de preferência por
uma boa corretora de seguros que nos proteja de qualquer mal) . Damos somente o
nos que sobra de tempo, de segurança, de amor, aquilo que não faz falta nem faz
diferença. Primeiro nós, os NOSSOS, depois os outros. “Os outros são os outros
e só”, como diz a canção gravada por Paula Toller[2].
Ou “ O inferno são os outros”, como disse Sartre[3].
Os
depressivos, os deprimidos, os distímicos desta sociedade talvez tenham
tentado não ser assim.Não construíram a
camada protetora da invisibilidade do outro. São destituídos da capacidade de naturalizar
o sofrimento próprio e o alheio. E sofrem. Sofrem muito. Angústia. O sofrimento
gera alterações químicas que por sua vez , geram mais sofrimento. E seus
neurônios espalham a serotonina por onde não deveriam e ela não circula por
onde deve, daí vem a indústria farmacêutica e os salva com um antidepressivo
inibidor da recaptação de serotonina (IRS). Que bom quando encontram alívio em
um IRS, pois muitos, desconhecendo a origem e natureza do próprio mal, ou por
preconceito contra medicação, não
suportando a dor de viver assim, num mundo de sofrimento e sua impotência
diante disto, põem um fim à própria vida.
Excesso
de empatia= deprimido.
Ausência
de empatia= psicopata.
Que
saída? Que saídas?
Espiritualidade,
arte, medicação, uma tela em branco pra escrever, catarses outras,
psicoterapia? Um pouco de cada? Um muito
de cada?
Continuo
caminhando e refletindo. Me conheço. Sei que se não tivesse escrito o bilhete,
se não tivesse me colocado à disposição da menina, e, na hipótese de ela vir a
ser assassinada, eu jamais me recuperaria. Passaria o resto da minha vida com a
canção martelando minha cabeça: “Onde está o seu irmão?”.
Percebo
que também optei pelo caminho mais seguro. Para mim. O único possível, que me
protegesse do risco de cair em depressão mais uma vez. O de me colocar à
disposição.
Não
tenho nada a ver com essa menina, não sei quem ela é, como vive, o que faz, de
onde vem, como é sua vida. Nem sua mãe, um personagem imaginário para mim. Seria fácil lamentar o fato, sentir
indignação pelo agressor, (ouço de novo, neste momento, a porta bater
bruscamente- será que eles só conseguem abrir e fechar a porta assim?), talvez
me escandalizar por testemunhar ato tão “selvagem”, me “chocar”, caso ocorresse
uma tragédia e o prédio se transformasse em cenário de seriado policial
americano e simplesmente “seguir em
frente”.
Não
consigo.
Não
sou assim.
Caminhei
um pouco mais. Cheguei de volta ao apartamento e caí pesada na cama. Dormi com
o corpo pesado, tenso, assustado... Mas com a consciência leve. Não tive
pesadelos esta noite, como costumo ter.
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