Impossível não me horrorizar e me entristecer com Brasília. E com tudo o que acontece nas ruas e no Congresso Nacional e por juízes que "aparelham" suas funções, aproveitando seu cargo para exercer sua militância contra o governo - que eu não apoio - para autorizar atos absurdos e inconstitucionais. Deslavadamente.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com Bruxelas
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a Síria
Impossível não me horrorizar e me entristecer com os imigrantes pobres acuados na Europa
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a ação policial violenta em um bairro pobre, de imigrantes em sua maioria muçulmanos pacíficos, em Bruxelas, há 5 dias, para prender o "mentor" dos atentados em Paris, matando, junto, um "suspeito", precipitando a resposta: os atentados de hoje em Bruxelas.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a massa imbecil (incluindo alguns com título de PHD) que, aqui como la, só vê as aparências e se recusa a ver além.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a banalização da vida e da morte neste mundo cap(E)talista, onde tudo e todos são mercadorias ou "meios para obter outros fins"
Impossível não me horrorizar e me entristecer com o espetáculo da consternação em torno de 8 mortos no avião (o ex-presidente da Vale, Roger Agneli) ou outros pequenos aviões conduzindo o Filho do Alckmin,ou um candidato à Presidência da República -Eduardo Campos, mas ninguém liga para os milhares de mortos em acidentes com ônibus e trens.
Impossível não me horrorizar e me entristecer porque no Brasil, a cada 9 minutos morre uma pessoa por assassinato e o Rio de Janeiro, sempre mais "evoluído" tem a marca de um assassinato a cada 5 minutos.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com as incursões policiais violentas nas favelas do Rio de Janeiro na hora de entrada e saída de crianças da escola. Foram 13 anos vendo isto no entorno na Fiocruz, que é, literalmente cercada por favelas nos 4 lados.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com um mundo do trabalho que mata, mutila, adoece. Inclusive os que não estão no trabalho, mas à procura dele.
Impossível não me horrorizar e me entristecer porque a maioria das pessoas não se pergunta o porquê dos refugiados da Síria precisarem "ser refugiados", nem quem que causa tudo isto
Impossível não me horrorizar e me entristecer porque a Cúpula da União Europeia , situada na Praça da Estação do Metrô que foi explodida hoje, faz pronunciamentos ferozes e furiosos contra os imigrantes, como se todos fossem terroristas. As autoridades têm a irresponsabilidade de não proteger a população imigrante ou nativa, expondo-a ao "terror".
Impossível não me horrorizar e me entristecer quando nossa indignação é seletiva. Hoje morreram cerca de 30 pessoas "de bem" no metrô e no aeroporto de Bruxelas e todo mundo se indignou, inclusive eu. E eu tenho autoridade para falar o que vou dizer agora, porque meu filho mora a poucos KM da fronteira com a Bélgica, tem biotipo "árabe" e corre o perigo, como pessoa de bem, de ser atingido num ataque desses. Ele vai regularmente a Bruxelas porque fica muito mais perto do que Amsterdam, até a conta bancária dele é na Bélgica, e ele ainda tem vínculos com a universidade belga onde fez o primeiro mestrado. Mas não posso fechar aos olhos para esta indignação seletiva mundial. Hoje morreram 30 pessoas e o mundo se horroriza. Mas quantos afegãos, argelinos,paquistaneses, marroquinos, palestinos, sirios, iraquianos, vem sendo mortos há cada dia por décadas e o mundo não se horroriza?A morte dos "outros" não nos importa. Nos importa somente onde acontece onde estão os "nossos iguais", onde muitos de nós já pisamos, onde nossos filhos pisam, onde "pessoas como nós" pisam.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a distorção perversa que os fundamentos e preceitos do Islamismo sofrem porque um grupo, geralmente produzido pelos mesmos senhores do mundo que precisam de pretexto para combater o terror, como ficou comprovado em relação a Bin Laden, ou seja, os senhores do mundo criam o terror para depois combatê-lo, abatendo junto aqueles que "podem" ser abatidos nos países dos outros ou trabalhando duramente, sem nenhum direito de cidadania, como imigrante na União Europeia. Quando é necessário "regular" a oferta e demanda de trabalho m por exemplo, ou quando estão em jogo interesses petrolíferos, financeiros em geral e é necessário subjugar estes povos.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com tudo isto e muito mais.
Impossível não me horrorizar e me entristecer com a imparcialidade da Globo News e seus priminhos. Hello? Televisão é concessão pública. Se realmente o governo do PT fosse o que dizem, a saber, totalitários (entre outras acusações) , já teria caçado a autorização para a Globo e toda a corja da mídia cínica.
Mas é possível transformamos nossa indignação seletiva por indignação genuína e repelir a divisão entre "vidas humanas privilegiadas" que, se morrem num atentado são choradas, convivendo com "vidas condenadas à morte banalizada", pelo simples crime de serem pobres, pretos, muçulmanos, imigrantes, ou até mesmo meninos cooptados por uma ideologia que os leva à autodestruição e destruição de outras vidas (os homens-bomba e similares). Meninos sem horizonte, sem poder frequentar escola, filhos de trabalhadores clandestinos "consentidos" porque saem mais barato, meninos que vêem os "seus iguais" sendo abatidos pelos mísseis, pelos ataques e bombardeio aos países dos "seus iguais". São estes, os conquistados para o Estado Islâmico e similares. Eu falei que sou isenta e tenho autoridade para falar isto porque sou MÃE e meu filho mora lá e recebeu , há 5 dias, o visto para lá morar e trabalhar legalmente. Eu, como mãe, teria motivos para pensar com o fígado, não fazer nenhuma dessas ponderações. Mesmo porque meu filho está nos dois lados. É um "cidadão de bem", investigado milimetricamente por 4 meses antes de obter o visto (o processo análise do pedido de visto dele levou 4 meses, vasculharam cada passo desde que pisou na União Europeia, no dia 15 de março de 2013, para estudar), um profissional pós-graduado em Artes e Cultura, titulado com dois mestrados, mas , por outro lado, tem um biotipo análogo ao dos povos oprimidos que citei e "todo mundo" pensa que é desses países, conforme já ouvi diversas vezes lá, da moça da farmácia, ao moço do açougue, vários diziam: Ué, vcs são do Brasil??? Eu o conhecia de vista e pensava que fosse muçulmano.
Os filhos "dos outros" também são gente.
Por Aparecida Tiradentes Santos
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