quarta-feira, 23 de março de 2016

E assim caminha o capEtalismo...

Pois é.. A polícia belga , em Bruxelas, prendeu e feriu o mentor do atentado de Paris . Mentor? ..hahahaha....até parece que a gente não sabe que os verdadeiros mentores, que "adotam" jovens imigrantes ilegais e lhes insuflam a ideologia do Estado Islâmico , financiam e fomentam de diversos modos o ISIS para gerar o ódio contra imigrantes, são aqueles senhores que daqui a pouco vão fazer o pronunciamento em rede mundial de "contas prestadas" à sociedade.
Bom, mas em um pequeno detalhe, a hiena imbecil da Maria Beltrão no Estúdio I da Globo News, toda eufórica, relata, assim de passagem, que houve um morto. Aí nem se importa. Sequer menciona quem seria este morto. E segue rindo.
Como sempre, de modo irresponsável, deixando apavorados todos os que têm familiares em Bruxelas. Só disse: houve tiroteio na rua , prenderam e feriram o mentor e outra pessoa morreu. Simples assim. Hiena desgraçada, esta Maria Beltrão e todo o jornalismo da Globo, GloboSat e parceiros.
Fui pesquisar na internet (desta vez não fiquei preocupada com meu filho porque ele estava conversando comigo agora). Tratava-se "apenas de um jovem imigrante ilegal"(só para esclarecer, graças a Deus, meu filho nunca ficou lá sem autorização, tinha visto de estudante, agora tem visto pleno).
Tá,o "imigrante ilegal" era uma vida que valia menos do que o dos mortos no Bataclã , né???? Assim caminha o CapEtalismo.
E a mãe do menino morto? Como deve estar se sentindo? Ou você pensa que todo jovem que vai buscar uma vida melhor na Europa fica clandestino porque quer? Nem todo jovem que vai para a Bélgica em busca de uma vida melhor, vai para cursar Mestrado, e tem uma mãe que, apesar de suar sangue,(literalmente, cuspir sangue, que foi meu caso, diversas vezes, após ferir a faringe ao fim uma jornada imensa de trabalho em salas de aula), aguentar todo tipo de desaforo para ganhar uns trocados a mais nesta vida de professora, consegue ajudar nas despesas dele.
Será que essa mãe está sofrendo menos do que eu sofreria se fosse com meu filho, que , graças a Deus , sempre esteve legalizado? Mas eu precisei assinar um documento no Consulado da Bélgica que enviaria para ele 3 mil euros por mês, tomando ciência de que ele não poderia trabalhar, apenas estudar. Claro que não consegui enviar esta quantia todos os meses, mas se ele precisasse de uma emergência hospitalar, por exemplo, eu teria que dar um jeito, pois ficou isto ficou muito claro no tal anexo 32 que assinei. E quando ele se mudou para o outro mestrado, teve uma mãe que pegou um empréstimo para enviar os 13 mil Euros (mais taxas) exigidos para ele entrar legalmente como estudante na Holanda.
As mães dos meninos que se arriscam na ilegalidade sofrem menos do que eu sofreria?
Não, eu não jogo pedras, nem no "chamado mentor" nem no "mero rapaz que morava sem legalização naquele bairro de subúrbio de Bruxelas".
No dia em que acordo feliz porque meu filho ontem conseguiu o visto para ,finalmente , poder trabalhar, realizar seus projetos profissionais, já que terminou os mestrados, me coloco no lugar das mães desses dois meninos. Até porque, se colocar no lugar dos jovens que morreram no Bataclã e suas mães, a humanidade inteira já o fez.
Me dói muito a alma . Não consigo ser apenas a mãe do Felipe, feliz porque ele conquistou, após minuciosas investigações sobre sua vida de estudante na Bélgica e na Holanda, o seu visto de cinco anos para trabalhar.
Me coloco no lugar das mães que não podem assinar o anexo 32 do Consulado da Belgica (aquele em que eu me comprometia a enviar 3 mil euros para ele por mês) ou nao têm como pegar um empréstimo (se ferrando completamente financeiramente...rsrsr) para enviar os 13 mil Euros , mais taxas, para ele entrar na Holanda também como estudante.
Eu, mesmo na luta, mesmo ultrapassando todos os limites da minha capacidade de trabalhar demais, ainda consegui assegurar a legalidade da permanência do meu filho lá. Mas, e as mães dos outros?

Nenhum comentário:

Postar um comentário