terça-feira, 14 de outubro de 2014

Pessoas de Boas Maneiras e Más Atitudes

Pessoas de Boas Maneiras e Más Atitudes  
(Texto postado anteriormente pela autora em seu perfil pessoal no Facebook)

Papa Francisquinho ou Franchico, como diria Valentina, neta de Sonia, quanto ao Evangelho de hoje. "Jesus condena pessoas de 'boas maneiras e más-atitudes".
Falou tudo, Francisquinho! Que legal que você também pensa assim e faz esta leitura do Evangelho do Dia! Aquela passagem que fala das críticas que Jesus sofreu ao sentar-se à mesa sem lavar as mãos... (ih, ele "ofendeu" os bons costumes, como gostava de fazer, ou melhor necessitava fazer, era seu papel desmascarar, literalmente)
Se quiser me acompanhar por um longo texto, me dá a mão aqui e vamos. Você, que está entre os 10% que leram até aqui, que não rolaram a página porque comecei com a palavra "Papa" e por ser um texto tão deselegantemente longo, não se sinta "obrigado" a ler daqui pra baixo , curtir e comentar não, porque são só vãs divagações, só interessam a mim....
Mas ficam aí, caso alguém queira, porque somos seres sociais e de que adianta guardar as ideias ou encarcerá-las nas postagens que já vêm prontas, nas grades do 144 caracteres, nos manuais de boas maneiras da internet, que os jovens, incluindo meu filho, vivem me lembrando? "Lave as mãos e seja higiênica, não use palavras demais, pois está ferindo as boas maneiras da internet ,que consiste em economizar palavras!...
Mas as palavras são tão bonitas... Se eu posso usar 15 mil para expressar um ideia, qual a vantagem de usar apenas duas? ...
Ah, é tão bom soltar minhas ideias e palavras por aí, em vez de esperar meses para publicá-las e lançá-las corretamente a quem tiver dinheiro pra comprar o livro.... "Meses" é boa vontade de minha parte pq por experiência pessoal "recorrente", (três "livros próprios" e capítulos em mais 15"), verifico que, na verdade. os livros nunca saem antes de um ano ou dois desde o dia em que vc libera os originais já aprovados após um bom tempo sendo avaliado pela comissão editorial.. Quando a gente lança, já está cansada daquelas ideias e já tem outras...
Ih, esta frase de Franchico daria tantas "viagens pelas trilhas das metáforas..." Pessoais, políticas, eleitorais, sociais, espirituais, profissionais?
Você também está sendo "crucificado" porque "sentou-se à mesa sem lavar as mãos"?
Bom , Jesus também foi..então está em boa companhia. Cristãos ou não, acho que muita gente o considera um cara legal e interessante, uma companhia instigante com suas ideias "fora de hora", ferindo "bons costumes sociais".
Eu até convidaria os não-cristãos a lerem o Novo Testamento como literatura ou filosofia.
Pronto, consegui: virão pedras de todos os lados agora. Cristãos me acusando de profanação e heresia; intelectuais não-cristãos me acusando de vários termos ,desde imposição do cristianismo católico, a religião hegemônica da Idade Média e subordinação das crenças de matriz africana, até de maluquice mesmo. Serei acusada de idiotice porque não cabe isto na vida de uma intelectual com diploma de doutorado na "grande área' - com chama o CNPq- de Ciências Humanas e Sociais. Todos os tipos de pedras, desde "macular a boa-literatura" e de ser obscurantista medieval que ainda não conheceu o Renascimento, o Positivismo e o Pós-Positivismo , o Pós-Estruturalismo , Pós-Modernismo...
Ai, que atrasada, gente. Será que dará tempo de atualizar assim, de repente todos estes séculos de sábias palavras? .... kkk..
Ai, será que ainda não li que Marx falou que a religião é o ópio do povo???
(Ai, que burra, dá zero pra ela, professor Girafales).
Só que não me contentei com as primeiras páginas do Manifesto. Beijinho no ombro, mas já passei alguns dias lendo "O Capital" e as observações baseadas nos relatórios de Saúde pública de Londres sobre criancinhas com dedinhos sangrando nos bastidores da industrialização.E outras obras do mesmo autor, e ainda preciso estudar muito mais.
Nossa, será que não li Foucault e o papel das instituições? Como assim, não rasguei a Bíblia neste dia?
Nossa, ela sequer viu o filme "Dias de Nietzsche em Turim" , não leu assim ...digamos... um Manual de Introdução à de Filosofia da Marilena Chauí , sequer, para obedecer às constatações niiilistas daquele autorizado filósofo? Tadinha....
E os filósofos cristãos que já "atualizaram" a Bíblia, ela não leu? (tadinha ,ela ainda chama de Bíblia...tisciscisc... ela náo sabe que se utiliza ,assim na letra maiúscula está considerando-a "O" Livro e ofendendo aos que leram o Torá , AlCorão e muitos outros "livros Sagrados"? Burrinha mesmo, hein?)
Ai, que burra, "só" conhece o Evangelho? Fanática!! Não falei que ela estava pirando, tadinha... ? É mesmo, "tava" com sintomas... Estudou demais, ficou assim....kkkkk
hihihihi....
Estou me sentindo quase tão atrevida e divertida - para mim mesma - quanto Lusmar M. Barboza. Como ele, estou parecendo brincar com o que é sério, mas brincadeira é coisa séria.
Bom, gente, boa tarde, com OVERDOSE DE AMOR NO CORAÇÃO E DIETA-ZERO DE HIPOCRISIA NA ALMA!
( E amor por vezes vem em gotas de ironia bem-humorada, né, Lusmar? )
Amo muita gente, entre meus amigos e conhecidos, que se professa cristã, ateia, agnóstica, umbandista, kardecista, "estudada", sem estudos, artista, filósofa de profissão ou de alma mesmo...etc etc etc
E Desamo igualmente algumas pessoas dentre todas estas. Quando digo "desamo" é porque ainda não consigo mesmo "amar os MEUS inimigos": os falsos e os hipócritas.
Por enquanto, consigo apenas não cultivar o rancor nem o desejo de vingança , nem o ódio, mas eles ainda caem no buraco da indiferença para mim. Um dia, talvez, eu possa dizer que aprendi o Evangelho e possa amar os inimigos.
Beijo no 
O FB é meu e posto quantos caracteres eu quiser. E vc le tb quantos quiser. 
Interrompi a escritura de um texto um tanto amargo para escrever este. Esta mania de escrever com a TV ligada. Aí ouço Franchiquinho sair com "uma das suas" e mudo de assunto.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Pensando em saúde e alimentação. (e em tanta gente jovem adoecendo)

Pensando em saúde e alimentação. (e em tanta gente jovem adoecendo)

Ando pensando no número de jovens morrendo de ataques cardíacos e de jovens mais experientes, como da minha geração, por volta do 50 anos, tendo câncer e outras doenças estranhas, utoimunes e defenerativas.
Sou da geração pré-popularização dos derivados do petróleo (calma,não estou falando que sou mais velha do que o petróleo, falo da popularização dos derivados , que ocorreu depois da superação da crise do início dos anos 70, que chegou, inclusive como solução para a crise dos anos setenta), dos transgênicos , da engenharia genética aplicada ao agrobusiness, e da mundialização, da circulação de mercadorias pelo mundo todo. Na minha infância, só existiam alimentos orgânicos, praticamente. Como cresci no suburbio, muitas coisas que comíamos eram do nosso quintal. Frutas, verduras, legumes, frangos, porcos.
Tudo o que vinha de ou continha no pprocesso de produção, inclusive maquinaria, derivados de petróleo, como embalagens de plástico, eram muito caros. Nossa industrialização tardia fazia com que tudo o que fosse artificial, sintético, fosse muito caro. hoje é exatamente o oposto.
A gente mal podia comprar um biscoito maizena, que é menos "maligno", hoje temos as bombas dos biscoitos recheados, baratos, se comparados ao nosso tempo.
Nossa merenda escolar era refresco caseiro e pão com ovo, pão com manteiga, e, quando sobrava algum dinheiro, pão com queijo.
A garotada toma redbull e vai destruindo seu metebolismo, até
Hoje é porcaria de cantina. A reeitura proibe frituras em cantinas escolares, mas vende salgadinhos folheados, com MUITO mais gordura, embora assados. E a garotada vai assim, de refrifgerante em refrigerante, de salgadinho em salgadinho, de redbull e red bul, atéque seu coração exploda do nada . Sem falar nas bombas de academia.
Impossível para algumas pessoas viver longe dos ketchups, das maioneses, dos hambúrgueres, das frituras , dos molhos e teperos prontos etc. Crianças com triglicerideos e colesterol alto são comuns, Antigamente, refrigerante era para dias de festa. Tomávamos o Ki-Suco, que não é lá essa maravilha, mas , como era adoçado em casa, não havia essa quantidade imensa de açucar dos refrigerantes,e era tão diluído para "render", que era quase água pura. Podia ter corantes artificiais, mas nada que posssa competir com as propriedades venenosas da coca-cola. Tomávamos muito refresco de cajá, goiaba, laranja, tangerina do quintal. era refresco de fruta, nada de Del Valles da vida.
Estou perplexa com o número de amigos acometidos por estas doenças como câncer e outras coisas estranhas, como a Mola Hidatiforme,que nunca havia falado falar até uma amiga ter há dois meses. E todas são doenças degenerativas, de alguma forma. Sem falar na osteoporose por nossa alimentação que rouba cálcio, etc.
Tenho pensado cada vez mais nisto. Tenho diabetes tipo II e resolvi seguir a filosofia de um livro yogue que li qdo descobri a doença há uns vinte anos, mas só estou levando mesmo a sério agora, vendo de perto tantos amigos acometidos por doenças jamais imaginadas em nossa idade.
A filosofia do sábio yogue era a seguinte: uma doença crônica ou degenerativa pode ser uma sentença de morte lenta e sofrida ou de vida longa e saudável. Se vc evitar tudo o que faz mal à sua doença, vc só ingerirá o que faz bem para sua saúde e longevidade.
Tá certo que não poderemos mais criar galinhas no quintal, cultivar frutas , legumes e verduras (algumas hortaliças sim). Mesmo sabendo que a carne, frango, peixe, vegetais estão todos contaminados por pesticidas, mercúrio, hormônio, antibióticos que nos tornam cada vez mais resistentes a medicamentos e nos trazem doenças estranhas, podemos fazer algumas coisas.
Dentro de nossos limites , podemos evitar: sal, açucar, adoçante com sódio (sim, por incrível que pareça o adoçante contem sal), embutidos e todos os alimentos conservados. Até um inocente peito de peru light é cheio de glutamato monossódico. Queijo amarelo, veneno puro. O Sazon, propagandeado como símbolo de amor é símbolo de morte. Glutamato monossódico puro. Veneno.
Da mesma forma, a "inocente" comida japonesa. Arroz branco cozido com açucar nos sushis, frituras e cream cheese nos Philadelfias. Peça sempre shoyu light, que contém menos sódio. E não deixe o gengibre no cantinho da bandeja ou da barquinha, nem o nabo em tirinhas, aquelas folhinhas todas que acompanham, não são para enfeitar.
Como tenho alergia a sódio, para mim dá para perceber a diferença. Se eu usar o shoyu comum, acordo no dia seguinte com os olhos e mãos inchadas. Já se uso o shoyu light, não tenho tais sintomas.Podemo não ter nosso limoeriro no quintal, mas podemos tentar comprar em um sacolão que vende de algum produtor pequeno (mais caro, por incr´viel que pareça) e tomar limonada em vez de refrigerante ou suco de caixinha ou garrafa.
Não sou profissional de saúde no sentido estrito (no sentido amplo sim, pois trabalho noa fiocruz), mas leio muito sobre o assunto e estou procurando cada vez mais adotar uma alimentação saudpavel (nada que me impeçla de compartilhar um mocotó, um churrasco, uma pizza DE VEZ EM QUANDO), mas pedir pizza em casa, absorver o hábito no dia a dia, é suicídio,
Arroz integral, pão integral, macarrão integral são mais caros do que os refinados aqui no Brasil pela falta de demanda, mas experimente medir sua glicose vinte minutos após ingerir um pão zinho branco e a mesma quantidade calórica de pão integral. Vc nunca mais terá coragem de comer pão branco, arroz branco, massa de farinha branca...Nunca mais é exagero. E gosto é uma questão de hábito.
Não custa preprarar lanches para levar ao trabalho.
Nossa vida é corrida, mas de que adianta toda esta correria para encontrar a morte ou uma doença mais rapidamente?
Minha geração não está preparada geneticamente para comer tanto veneno e estamos pagando o preço.
É muita gente jovem adoencendo. Sem falar nos fatores de estressse, mas isto é outro capítulo.

domingo, 27 de julho de 2014

Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:

Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:


Outro dia, li uma citação, cuja autoria não guardei, desculpem. Dizia assim: "Quem tem convicção de sua religião não se incomoda com a dos outros". 
Para mim, amizade é sagrada. E ponto. Sem vírgulas, sem orações subordinadas, sem condicionalidades. Sou seu amigo. ponto. Não é seguido de vírgulas, de "se", "desde que" "só se vc for igual a mim". Amizade não é espelho.
Todos sabem que sou católica, procuro praticar os ensinamentos de Cristo e tenho plena consciência de muitos limites que tenho nesta caminhada. E nem tenho a pretensão de ser uma seguidora-perfeita, operária-padrão de Jesus. Eu sei que Ele conhece o meu coração e compreende meus erros e minhas tentativas de segui-Lo, em um de seus maiores mandamentos: Amar ao próximo como a si mesmo. 
Sei também que nem sempre minhas opiniões são as mesmas que toda a Igreja manifesta, mas estudo com afinco a Doutrina, no Catecismo da Igreja Católica, além da própria Bíblia, lógico. E penso, reflito, estou sempre disposta a rever minhas opiniões.
Ocorre que uma convicção eu tenho , como cidadã , como cristã e como professora. O Estado é laico e deve legislar para toda a socidedade (utópico em uma sociedade de classes, onde não existe a "vontade geral", mas interesses antagônicos), Mas insisto em que o Estado deve pautar-se pela ética da laicidade, não devem existir bancadas religiosas,  as casas legislativas não votam doutrinas religiosas, nem catequeses, nem morais específicas para determinadas religiões.Votam politicas públicas para TODOS os cidadãos (na maioria das vezes, para a classe dominante)
Não tenho como critério de voto, ser da mesma religião que eu. De que adianta eu votar em um católico, que vai votar que os 10% do PIB devem ir para a iniciativa privada? Ou nas parcerias e OSs , como me aconteceu (e vou dar nomes: votei no Robson Leite, católico, que me decepcionou quando votou a favor da privatização da saúde por meio das OSs e falei isto pessoalmente a ele. ) Assim como Alessandro Molon, a quem muito admiro, mas que continua no PT, partido que abandonou há muito as causas populares. Ambos são parlamentares sérios, mas não me representam politicamente pelo mero fato de serem católicos, Molon, inclusive, de 'minha" Paróquia, onde frequentei por anos em Copacabana. Mas, como apoiar alguém que governa com a Dilma? E o legado da Copa etc? Fui militante da época de fundação do PT, mas este mudou muito. Atualmente voto no PSOL, cujos candidatos nada têm a ver com minha religião (alguns têm), mas me representam em muitas questões políticas (nem todas). Considero ser o "menos pior". 
Cada religião tem seus valores, sua moral, que deve ser seguida por aqueles que a ela aderem voluntariamente, e deixar o Estado legislar para todos. Ate´o Papa "Chiquinho" já deu sinais de que pensa assim.
Não é porque, em minha religião, a Bíblia é o livro Sagrado, que eu acho que deva sê-lo , à força, para todos. Nem que eu tenho uma PROCURAÇÃO DE DEUS para me considerar "salva" e aos outros, não. Penso assim, como sabem os meus alunos. 
Fico triste porque tenho perdido "amigos" por isto. Pessoas que se afastam porque minha opinião "escandaliza". 
Antes de ser uma cidadã, eu sou, no âmbito do exercício de minha vida profissional, uma educadora, e, por esta razão, uma representante do Estado de Direitos. Toda escola/faculdade/ mesmo que privada, é concessão do Estado , E, por lei, é laica, a menos que seja credenciada como confessional.
Sempre digo, minha profissão é laica, mas eu e meu facebook somos pessoais e cristãos.
Só que há pessoas, muitas vezes recém-"convertidas"(assim se acham porque conversão é um processo de toda a vida), muitas delas com um passado nada invejável do ponto de vista daquilo que condenam hoje, que simplesmente se dão ao desfrute de agir como o DIABO. Sim, estou falando diabo, pela origem etimológica: aquele que divide. Dia (divisão).
Uma pena.
Pessoas que criam guetos, clubinhos em torno da Bíblia e de sua interpretação para julgar, para determinar aquilo que em, SUA opinião, é o joio e o trigo. 
Eu e minha amiga Aída Bárbara vivemos uma situação bem parecida quanto a isto, por vezes dentro da Igreja.
Muitos católicos, ate´mesmo o Padre Fábio de Melo, que é uma pessoa culta e tem a mente aberta e um coração cristão.
Sem falar em relação a membros de outras religiões cristãs,  que se consideram donas da verdade.
Acaso Jesus lhes assinou uma procuração?
Acham que a Bíblia, ou melhor, a sua interpretação, é uma procuração para "separar o joio do trigo", segundo seus critérios?
Acho que Jesus correria desta gente. Aliás, ele correu mesmo.
De que as pessoas intolerantes têm medo?
De que alguma reflexão, alguma flexibilidade ponha a nu o que jogaram para baixo do tapete em nome de uma "conversão" prepotente, soberba?Em nome da vanglória? 
Querem ser mais "cristãos" do que o próprio Cristo. 
Digo isto porque percebi afastamento de pessoas que, cansadas de me advertir inbox por minhas posições "não-cristãs" (????!!!!!!!), simplesmente passaram a me ignorar. 
Gente, se defender os direitos humanos daqueles que sofrem violência e preconceitos, sejam muçulmanos na Faixa de Gaza, homossexuais,umbandistas e candomblecistas que sofrem preconceito na escola significa ser anticristão, eu não sei o que é ser cristão. Porque Cristo, para quem leu a Bíblia, não usava este critério para separar o joiio do trigo, mas a pureza de coração.
Eu não sou muçulmana, nem umbandista, nem kardecista, nem candoblecista,nem homossexual, nunca pratiquei um aborto - penso que não faria, mas nunca me vi na situação de uma gravidez indesejada, Poderia ter cometido e hoje ter me arrependido. Mas tenho amor humano por todas as pessoas, ou melhor, amor humano, não, ,as aquilo que penso que é o amor cristão. 
Conheço muitos homossexuais e ateus que têm muito mais Deus no coração do que pessoas que acham que Bíblia é desodorante (não tiram debaixo do braço), mas que julgam , apontam o dedo, decidem que é salvo e quem não é.
Bom, é isso. 
Tenho minha religião, sou feliz com ela, e não me incomodo com as escolhas ou orientações alheias, desde que não causem o MAL. 
Não quero fazer do cristianismo, por ser maioria, um instrumento de dominação e fonte de sofrimento aos outros. No mínimo, isto só acaba por afastar ainda mais as pessoas de Cristo. 
Tenho maravilhosos amigos protestantes (aliás, um imenso número) que não pensam assim, mas ,em compensação, outros, não suportam . Me "toleram" ate´certo ponto, depois me ignoram. 
Uma pena.
E se fosse por "direito adquirido", foi a Igreja Católica que foi criada por Cristo. Um exemplo : o kardecismo tb vê Jesus como Mestre - posso até não concordar com sua doutrina, se for o caso, mas não posso falar por eles, e se eles falam que Jesus é seu Mestre, quem sou eu pra me achar dona de Jesus?
 Se o problema é porque, por exemplo, o Kardecismo foi criado por um homem e não por Deus, o que era Lutero? Algum Deus? Então há outros Deuses? 
Se eu pensasse assim, poderia me vangloriar de que a minha religião foi a única criada por Cristo pessoalmente, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, na Cruz, onde nos entregou a João e Maria como respectivamente irmãos e filhos, e quando , antes de subir aos Céus para enviar o Espírito Santo, designou Pedro como o líder de Sua Igreja. 
Como os intolerantes responderiam a isto?
Vamos conhecer a fundo nossa própria religião, realizar exames de consciência sinceros e honestos, vamos pregar o amor cristão acima de diferenças. Acho que o ecumenismo não consiste em misturar estações, dogmas, doutrinas e rituais, cada religiião tem os seus, mas em AMAR a todos.
Deus ama a todos como todo bom Pai; como os cinco dedos das mãos. Cada um com um tamanho, um formato, uma função, mas vindos do mesmo punho, que é o AMOR, 
Que vivamos mais o AMOR e menos a disputa sobre quem tem procuração de Jesus. 
Não tenho medo das outras religiões. Nem haveria motivo para isto. Tenho medo de quem as usa (inclusive a minha) para matar física ou psicologicamente.
Tem gente que vê o diabo em tudo. Será que vivem com um espelho na mão? Só nos incomoda, aquilo que está reprimido, recalcado dentro de nós, conforme Freud. E só causa desequilibração, segundo Piaget, aquilo que mexe com nossas estruturas de pensamento. 

Claro que tenho minhas convicções morais,não sou uma pessoa "em cima do muro",  só não tenho a pretensão de achar que sou melhor ou mais certa do que alguém por isto. 

E continuo com a pulga atrás da orelha. Se a moral da Igreja é contra o aborto (corretíssimo,tb sou, como cristã, mas  acho que isto é uma questão de Saúde Pública e deva, do ponto de vista do Estado,  ser votada nesta condição- nenhuma mulher fará aborto porque a lei permite.). Como diz o Apóstolo Paulo: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.

Mas voltando à pergunta que não quer calar: o critério para condenar o aborto não é a vida cerebral,mas os batimentos cardíacos (vide fatos de fetos anencéfalos, cujo aborto a Igreja condena, ok, concordo). Mas este critério  não é o mesmo para a distanásia (desligar as máquinas enquanto o coração ainda bate). 
Realmente, não entendo.
 Queria muito entender.
 Dois pesos e duas medidas?
 Só porque um ser vegetativo gera custos ao sistema de Saúde? Tenho um "grilo" com doação de órgãos por isto. Desligar as máquinas com o sujeito ainda vivo, para salvar outra vida, é válido até que ponto? Se a morte cerebral o condena a morrer, o feto anencéfalo tb. 
Só queria entender, mesmo!
E quanto à doação de órgãos, a genética já dispõe de métodos para criar órgãos a partir de células tronco,que não precisam de embriões sacrificados,  mas é muito mais barato desligar as máquinas de um moribundo. 
Então, a gente não acredita em milagres?A getne não acredita mais que Deus é o Senhor da vida e da morte? Que só Ele pode decidir a hora de nossa partida?
Então se o feto não tem cérebro, a Igreja condena o aborto, mas o moribundo, que ainda o tem, mas parou de  funcionar merece morrer antes da hora decidida por Deus? Mesmo mantido por máquinas, haverá uma hora que Deus decidirá. 

Pronto Falei.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Machismo, "mulher moderna", minha caretice, as "mulheres caçadoras" etc

Machismo, "mulher moderna", minha caretice e o assédio (guerra aberta) da pianista e da cardiologista sobre o Gianechinni. Vergonha alheia.

Eu sou a única pessoa que acha ridículo ver duas mulheres brigando abertamente pelo Gianechinni na novela?A pianista e a cardiologista?Ou, na vida em geral, uma mulher quase "estuprando" o cara que ela cismou que quer conquistar? O mundo está assim mesmo? Sei que, na novela, ele é "o" Gianechinni, mas a mulher precisa se oferecer tão abertamente assim para provar igualdade na sociedade? Ai, como sou antiga! Onde fica a sutileza, meu Deus? Posso ter resíduos machistas , mas penso que a iniciativa aberta ainda deve ser do homem. Ainda acho que a dama deve deixar cair discretamente o lenço de renda, assim, como por acaso, para o cavalheiro pegar, olhá-la nos olhos, sentir-se apaixonado por uma moça ligeiramente autopreservada, e não receber os xeque-mates que as duas estão dando no rapaz. Tá bom, gente, eu passei a adolescência lendo "A Moreninha", "Senhora", "A mão e a luva", "Amor de Perdição". "Helena" (não as do Manoel Carlos).Na pior das hipóteses, os romances quase causadores de diabetes, de tão melosos, da Barbara Cartland. Devorávamos os livros e trocávamos com as colegas da escola. Série Sabrina e fotonovelas, então, passavam de mão em mão. Saudade dos tempos em que as adolescentes não cresciam vendo os protótipos da mulher moderna vulgar no BBB, bêbadas, se oferecendo. Ou sóbrias, se oferecendo, como numa xepa de feira.
Não é porque podemos pagar nosso próprio aluguel e supermercado (e comprar uma bolsinha de vez em quando em 5 vezes no cartão) que precisamos ser oferecidas.
Li um livrinho "bobo" há alguns anos: "Ele simplesmente não está a fim de você" (o filme foge ao roteiro, não tem nada a ver). O livro demonstra com fartos exemplos que, quando o homem tem interesse, ele vai demonstrar, não se preocupe em sair se declarando antes que outra tome o "seu lugar", como se ele fosse o último copo de água mineral sem gás no deserto. O livro usa argumentos como: ainda que o avião dele faça um pouso forçado sobre o mar, ele sairá nadando para lhe encontrar, Que nem duas pernas quebradas o farão faltar ou adiar um encontro, se ele tiver interesse. Mas, como ele prefere fugir de uma manada de elefantes cor de rosa pegando fogo (é o livro que diz) a dizer não a uma mulher, vai te dizer sim por uma noite e depois se transformará em Wally (onde está o wallly?versão avançada).
E não, o telefone dele não está com defeito: ele simplesmente não está a fim de você.
Sou antiga mesmo, do tempo da paciência, do jogo de aproximação onde um vai lendo os sinais do outro (e tomando um vidro de semancol se percebe que a outra pessoa não está mantendo o ritmo, saindo discretamente do campo).
Bom, espero que pelo menos minhas sobrinhas leiam que existem outros modos de ser entre a mulher oprimida, dominada, submissa, dependente, que precisa tolerar humilhações, e essa espécie de raça caçadora´-furiosa, sem nenhum glamour, nem sutileza, nem feminilidade.
Choquei conversando com meu irmão no dia do último jogo. A coisa tá tão feia, que muitas mulheres contratam um serralheiro ou eletricista e ficam desfilando de calcinha e sutiã dentro de casa, dizendo: Ah, desculpe , dentro de casa eu costumo andar à vontade. Não , ele não tem o direito de estuprá-la por causa da roupa que ela está vestindo!!!!!! Mas, por outras razões, ela poderia se vestir mais adequadamente para receber pessoas em casa, a fim de não estampar na testa: "estou na seca, a perigo". Porque esse tipo de abordagem não rende nada mais do que "tirar o atraso" e depois, adeus, acredito. E a autoestima da mulher é jogada lá no subsolo 3, ela chora - porque no fundo, mesmo que diga que não, está, sim, quase sempre, procurando a "alma gêma", mas finge que não, que quer só uma saidinha, que é descolada pra ver se conquista o cara se jogando na cama mais apressada do que atacante no 28o minuto da prorrogação. Tolinha. Tadinha: Ela não sabe por que ele foi tão legal na primeira noite e sumiu depois. (Olha os efeitos colaterais da insônia na vida de uma pessoa; Estava agora , no meio da madrugada, vendo o capítulo de ontem no site do GShow e já começo a "viajar".)
Pedras das "feministas". Quer saber? Minha história de vida me autoriza a dizer o que penso, Graças a Deus, nunca vivi à custa de ninguém, nunca precisei explorar homem, nunca me senti tão desvalorizada a ponto de sustentar homem em troca de companhia, entao não preciso provar que "sou feminista" só porque acho que o feminismo não consiste em criar homens de batom. Mulheres que , tal qual o homem machista, pensam que sua independência socio-economico-cultural lhes dá o direito de ser quase uns tratores. Viva o Glamour e a Diveza. O homem que prefere as periguetes não te merece, menina.

terça-feira, 1 de julho de 2014

A prisão de Charlinho e a tristeza/frustração de uma professora.


No final dos anos oitenta, precisamente em 1989,  eu tinha um aluno muito carinhoso, alegre, meio gordinho, com os cabelos meio castanho-louros cacheados.
Charles , ou Charlinho, como era conhecido na família e pelos colegas.
Voltava sempre suado do recreio. Esbaforido.
Estudioso.
Lembro-me de que fazia parte da melhor turma da 4ª série. E que a família era muito presente na escola. Ele morava na rua imediatamente paralela à minha e a escola ficava (ainda fica) no mesmo bairro.
Certa tarde de sábado, toca a campainha do meu portão e era o pai do Charlinho, que, se não me falha a memória, morreu há cerca de um ano.
O pai me perguntou: professora, a senhora já corrigiu a prova do Charlinho?
Pensei:  “Eu mereço”, agora os pais vêm buscar as notas em casa sábado à tarde.
Aí o pai justificou, desculpando-se:
“Desculpe, professora, mas amanhã é o aniversário do Charlinho (ou dia das crianças, não me lembro bem) e eu tinha prometido a ele que só daria o presente e o levaria para passear se ele tirasse boas notas.
Inspirei, respirei , não pirei e tranquilizei o pai, sem precisar consultar as provas, pois Charlinho era excelente aluno.
Charlinho, que estava junto com o pai, se abre num sorriso de meio metro e fala: eu não disse?
Passei  25 anos sem notícias de Charlinho.Saí da escola , me exonerei do Município, mudei-me para a Zona Sul (70 km daqui), onde morei por 15 anos,e só voltei há um ano.
Mas sempre me lembrava daquele menino com cara de anjinho barroco, como sempre me lembro de meus alunos do "primário".
Há duas semanas, cheguei a falar aos meus alunos: vocês me perturbam tanto para saber nota, que parecem o pai do Charlinho. A diferença é que naquela época não havia internet, então os pais apressados batiam no meu portão. Então contei, como contara outras vezes, o episódio do pai do Charlinho.
Como morei 15 anos longe do bairro e voltei há um ano, nunca mais tive notícias de muitos dos meus ex-alunos.
Logo ao voltar ao bairro, vi a repercussão de um tiroteio que aconteceu dentro de uma boate aqui em Campo Grande há um ano. Mas não sei quem faz o quê , nem quem são as pessoas que fazem parte destas organizações. Nem quero saber.
Hoje, para minha profunda tristeza, logo cedinho, ligo a televisão e vejo Charlinho, ainda gordinho, mas já sem o sorriso e os cachinhos de anjinho barroco, cabeça raspada, preso como acusado de um homicídio. Identificado como segurança de líderes de uma facção do poder alternativo da região,  acusado de matar um agente penitenciário que estava na boate fazendo a segurança privada de outro líder de facção.
Não quero aqui entrar em discussões nem julgamento de valores ou análises sociológicas  sobre os poderes oficiais e paralelos nesta região. Nem entrar no mérito da conduta de Charlinho, da prisão, nada disto.
Aliás, meu choque foi exatamente porque, mesmo morando de volta ao bairro não conheço, não sei quem são as pessoas que trabalham neste poder alternativo ao poder do Estado. Para mim, são abstrações e me doeu ver que eles têm nome, uma história, tiveram uma infância, e, entre eles, estava um dos meus "pintinhos". 
Não é do exercício de poderes locais que quero falar. Quando falo que são abstrações, tenho minhas razões, que não vêm ao caso. Não procuro mesmo saber quem é quem no bairro, não sou investigadora e prefiro ficar na ignorância. (E não é por covardia ou omissão - como disse, tenho meus motivos)
Quem fala aqui é uma professora, que, se procurar em suas pastas, é bem capaz de encontrar um bilhetinho ou um  desenho de Charlinho com uma  dedicatória, um coraçãozinho, como sua turma, a 401, gostava de fazer.
Segundo a matéria jornalística, Charlinho ingressou na facção como entregador de quentinhas e depois passou ao cargo de segurança , o que lhe valeu este desfecho: assassinar, não um agente penitenciário no exercício de suas funções, mas um agente penitenciário que, na folga, estava  fazendo a segurança pessoal  de outro líder de poder paralelo, assim como Charlinho fazia a segurança do que levou o primeiro tiro. (Sem julgamento de valor, isto não é agravante nem atenuante e nem é minha intenção).
Não gostaria de estar no lugar da mãe do segurança que, segundo o inquérito teria sido assassinado por Charlinho.
Quem fala aqui é a mesma professora que alguns de vocês já leram em meu livro “Listrinho”. Uma galinha e seus pintinhos, uma pata e seus patinhos.  Uma mãe que acha que seus filhos/alunos  serão sempre bebês.
Que não entende que aquelas crianças que brincavam no recreio tiveram destinos tão diversos.
Gosto de ver, por exemplo, que Rogério é o proprietário da maior padaria do bairro, A Padaria Manah, um empreendedor que deu certo.
Gosto de ver, por exemplo, outro ex-aluno de microfone em punho como jornalista na televisão, o Caio. Aluno de quem me lembro correndo de bicicleta pela rua.
Gosto de ver a Flávia fazendo sucesso com sua empresa “Flávia Festas”.
Gosto de saber que a outra Flávia tornou-se professora.
Relatei em Listrinho meu encontro décadas depois com Jorginho, me dizendo que fui a única professora que lhe deu uma chance após 5 anos de repetência, e que depois ele não tinha parado mais: Cursava duas universidades. Uma federal e outra privada.
Gosto de saber notícias de meus ex-bebês, como nas histórias relatadas em “Listrinho”.
Gosto de ver o  jogador Thiago Silva, que mesmo não tendo sido meu aluno, mas estudou em outra escola pública próxima, com o bracelete de capitão da Seleção Brasileira, emocionado, cantando o Hino Nacional antes dos jogos da Copa. E torço para vê-lo levantando a Taça, apesar de todos os motivos para sermos contra os gastos governamentais com a Copa.
Como disse, quem escreve aqui é um coração de educadora, que chega a se perguntar: será que se um dia eu tivesse falado ou feito alguma coisa diferente, durante aquele ano inteiro em que tive Charlinho sentado à minha frente todos os dias, isto ficaria no coração de Charlinho e ele não entraria neste caminho?
Coisa de professora.
Não quero discutir politicamente ou sociologicamente o histórico desta forma de poder na Zona Oeste.
Queria apenas saber o que aconteceu entre aquele dia em que o pai ansioso bateu à minha porta para perguntar se o Charlinho tinha tirado nota alta , merecendo, portanto, o presente de aniversário e o dia de hoje, quando acordo, ligo a TV e vejo Charlinho  algemado, de cabeça baixa, na televisão.
Não estou acusando nem defendendo Charlinho adulto. Estou apenas tentando entender o que aconteceu entre aquele Charlinho de 1989, o meu anjinho barroco gorduchinho e  meio dentucinho, afetuoso,  e  o Charlinho de 2014, procurado pela polícia há um ano, que começou entregando quentinhas e terminou como segurança privada de um líder do poder local.
Olho nos jornais e nos sitios eletrônicos o rosto do Charlinho procurado, do Charlinho preso. O "meu" Charlinho tinha 10 anos, este tem 35. Mas em seu rosto, mudado com o tempo, eu ainda vejo alguns traços daquele menino e me chocam as legendas: "Preso o miliciano mais perigoso da Zona Oeste, o Charlinho de Cosmos".
 Estou triste, muito triste. Com todo o respeito pela dor das pessoas que, porventura ,possam ter sido afetadas por possíveis ações do  "Charlinho de Cosmos". Eu não falo do "Charlinho de Cosmos", procurado pela polícia durante um ano. Falo do Charlinho de 10 anos de idade, brincando no pátio da escola em 1989.
Ass:  Coração ferido de uma professora. Apenas uma professora.

sábado, 28 de junho de 2014

Repensando Paris.

Repensando Paris: Daniela VallaAlzira EspinolaFlavia BotelhoGilda Laplace Mônica Paranhos e todos os amigos que ficaram chocados com meu "ódio à primeira vista" por Paris. (na verdade, os responsáveis são os parisienses que encontrei em minha brevíssima passagem de quatro dias, especialmente os funcionários do Banco do Brasil- neste caso, brasileiros, contaminados com o jeito rude de ser).
Meses passados, me supreendo reconsiderando, o que desmente a tese da "primeira impressao". Sim, eu acredito em "Amor à Segunda Vista"(amo um filminho com este nome, acho que com Sandra Bulock ou Julia Roberts, que penso serem a mesma pessoa).
Meses passados, coração refeito, cabeça fria, vendo alguns programas de televisão sobre Paris e arredores nos últimos dias , morri de saudade e vontade de voltar (desta vez com cartões de dois bancos diferentes pra garantir).
Me retratando e em minha defesa, passo aos atenuantes do crime de "parisfobia":
Reservei meses antes um hotel sugerido por Flavitcha em Montmartre, o bairro dos Exist4encialistas dos anos 50, o bairro do meu imaginário, me sentindo a própria Simone de Beauvoir.
Gostei do hotel.
Primeiro erro: cheguei dia 30 de dezembro. Os cafés não estavam civilizados, calmos, cheios de mesas livres e algumas esparsamente ocupadas por alguns circunspectos intelectuais Existencialistas(até servia um pós-moderno, ok) nas mesmas mesas , com uma xícara de café , lendo e tomando notas manuscritas, onde se sentaram Camus, Sartre,ou mesmo os vivos, como Dejours etc. Estavam tomados por hordas de turistas histéricos porque o Reveillon, para eles, deve ser sinal de fim do mundo. Pior do que Copacabana. Meu mundo construído desde que descobri o Existencialismo caiu ali, na hora.
Pior: viajei confiando apenas no Banco do Brasil e o cartão foi bloqueado para saques, débito e crédito, sem justificativa, a não ser o sistema considerar operações suspeitas eu pagar o próprio cartão em meu nome e tirar um extrato, dentro da agência.Os funcionários, mesmo diante de meu passaporte, cartão , identidade brasileira e tudo o que vcs podem imaginar, me mandaram rudemente resolver na minha agência, como seu eu pudesse me teletransportar de Paris ao Rio de Janeiro sem um centavo na carteira(alguns).
Sim, mesmo tendo viajado um dia após terminar a maratona de correção de provas, eu havia tomado TODAS as providências , incuindo a autorização para usar o cartão no exterior. E não limitei o pedido de autorização de uso  à Bélgica, que seria meu "quartel-general", mas a toda a Europa, para o caso de eu me deslocar. Não deu certo. 

E, de um modo bem surrealista, o próprio banco me manda um SMS com a seguinte frase: "Operação suspeita em seu cartão, procure seu gerente". Mostrei à fucnionária para provar, mais uma vez, que eu era eu mesma, pois o SMS havia sido enviado para o celular cadastrado.
Mais motivos para o choque e a parisfobia:  Como disse, cheguei à cidade em 30 de dezembro. Furada total: filas e aglomeração em tudo.. Impossível entrar em um Museu ou Galeria, mesmo com passe rápido. Todos compraram o passe rápido.
Logo na chegada, meu filho, o cruel, comete uma incrível maldade.
Chegamos ao hotel por volta das 15 horas e combinamos: a gente desce, almoça rapidinho neste japonês aqui ao lado porque todos os restaurantes estão fechados, como é comum na Europa,onde só servem almoço entre 11 e no máximo 14 horas.
Então, o combinado era: fazer o check in no hotel, descer pra comer no japonês ao lado , subir para descansar e sair para passear à noite.
Em vez de falar a verdade (ele tinha encontro marcado para a noite) porque eu não tenho medo de me aventurar sozinha, a criatura desalmada que se diz meu filho, foi me enrolando, como procede quando quer fazer o que ELE quer, pra me desmontar pelo cansaço e me desovar no hotel para ir namorar à noite. "Não, aqui não, vamos virar a esquina e procurar algo melhor".
De "virando a esquina" em "virando a esquina", ele me levou ao alto da Basílica de SacreCoeur PELA ESCADARIA E NÃO DE TÁXI.
Eu ,ao contrário do fim da viagem, estava mega sedentária porque viajei um dia após entrar em férias e ainda cansada dos voos e me recuperando do jantar assassino da noite de Natal que, como disse outro dia, foi uma massa assassina do único restaurante aberto na noite de Natal.  O desnaturado trocado na maternidade não havia comprado nem um miojo para receber a mãe, que chegou dia 24 de dezembro à noite. A primeira frase ouvida no aeroporto não foi: Mãezinha, que saudades, te amo!!! Não, que nada!. "Ih, mãe, foi mal, não comprei nada e todos os mercados e restaurantes estão fechados e na minha casa não tem nada de comer".
Então, três dias depois, ainda estava passando mal com a massa assassina dos muçulmanos que eram os únicos que abriram o restaurante na noite de Natal em Leuven e com o kebab de carneiro no dia 25.
Eu só passava mal, desde o dia que havia chegado, por causa da massa assassina e porque ainda não havia descoberto que a água do apartamento dele me fazia mal, eu só podia tomar água mineral.
Ao final da viagem, eu estava atlética porque fazia minha corrida todos os dias, mas me obrigar a subir ao alto de Montmartre naquele estado devia dar cadeia para filho desnaturado.
Bom, e vamos subindo escada, subindo escada. Eu falando: Felipe, preciso comer, minha glicose está no subsolo III.Ele: "ah, não, mãe, lá em cima tem um monte de lugares legais pra comer de frente à vista da cidade."Criatura, eu não quero vista nenhuma porque a minha já está turva de hipoglicemia, daqui a pouco eu desmaio (mas filho sempre acha que mãe exagera e faz drama)
E ia me subindo um ódio mudo no coração, a cada degrau. Eu não podia nem queimar glicose falando, então me calei, emburrada.
De repente, tomei uma decisão: literalmente empaquei entre um e outro lance de escada e falei , ao ver um restaurante aberto no meio do caminho: se vc quiser subir, vc sobe, mas eu preciso comer ou MORRO agora de hipoglicemia! Fui! 

Entramos, eu com os olhos totalmente turvos, os neurônios em pré-colapso e só havia naquele horário duas opções: Um mega filé com fritas ou Bife Tartare com salada. Lembrei apenas, naquele estado de semicoma, de que bife tartare era prato de "gourmet" do programas da GNT e Cia, e o tal mega filé era "envolto em capa de gordura". Preferi arriscar o Tartare.
Eu tinha me esquecido COMPLETAMENTE de que Tartare é carne crua batida na faca até virar um tipo de carne moída feita à mão, Gente, mais uma vez, eu simplesmente quase MORRI. Carne crua. E carne europeia, com um cheiro horrível.
Recomposta, pelo menos quanto ao índice glicêmico, continuei a subir. Filas, filas, filas e aglomeração para entrar na Basílica. Milímetros na murada do mirante disputados quase a tapa para ver uma nesga da cidade lá embaixo. O mundo inteiro havia decidido passar o Reveilllon em Paris. E todos resolveram ir a Sacre Coeur no mesmo horário, eufóricos.
Tudo isto com frio, chuva e vento. E cansaço.
Descemos e, obviamente, eu capotei na cama do hotel porque esta aventura levou umas 5 horas. Sim, a malvadeza não tinha acabado: na volta, Felipe quis me mostrar o "Bairro dos meus sonhos" da vida inteira, Montmartre, todo de uma vez, ponta a ponta. E se vc estiver exausto, com o bife tartare ofendendo seu fígado, p. da vida após a confissão do desalmado de que havia marcado encontro com uma menina da Universidade para mais tarde, por isso preferiu me levar pra passear cedo,mas não mee falou para não me magoar,  jamais discuta com um leonino porque é SEMPRE derrota.

Se a criatura tivesse me avisado, eu não teria problema nenhum em sair sozinha e deixá-lo ir para a night. Pegaria um táxi para subir até Sacre Coeur. Sei ler mapas. Gosto de andar sozinha, mas ele "nao queria me magoar". Aff.
Fui seguindo, resignada, aquela criatura que há 30 anos botei no mundo,troquei fraldas,levei golfada,  na vã esprança de uma boa surpresa, mas TODAS as lojas estavam fechadas, eu não conseguia entrar em uma livraria, uma papelaria.
Até o meu perfume, que é o Parisienne, de YSL, estava BEM mais caro lá, na sua cidade de origem, em Euros, do que no Barra Shopping.Era o que eu via pelas vitrines. Fechadas.
Outra ilusão desfeita: não, eu não ia voltar ao Brasil munida de um belo estoque de Parisienne.
Ok, capotei e fiquei vendo televisão, que só passa programas franceses ou dublados em francês, tamanha a anglofobia. Era bem divertido ver "Friends" dublado em francês. Esta foi minha primeira noite em Paris. E o desalmado que carreguei no ventre por nove meses, partiu serelepe para a balada.
Dia 31. Tudo o que eu comia na Europa, desde que desembarquei na conexão em Frankfurt, quase me matava. (Calma, depois de uma semana eu descobri os segredos e passei os melhores 40 dias de alimentação saudável e gostosa da minha vida - feita por mim).
Mas carne europeia, definitivamente não foi feita para mim. Devem me faltar as enzimas. Até o cheiro de passar em frente a um açouque revira meu estômago. Se for morar lá um dia, darei adeus à carne vermelha, de frango e similares . Serei vegetariana, com exceções para peixes e frutos do mar.
Saímos para almoçar .Felipe, pra variar, acordou tarde e perdeu o café da manhã do hotel, que tomei sozinha, cruzando com ele no elevador, que chegava da night. Obviamente perdemos os horários para escolher onde almoçar. Mais uma vez, a comida, única disponível, uma massa, quase me levou ao UPA de lá, se lá houvesse UPA.
Bom, não preciso dizer que meu reveilllon não foi o espocar de Luzes na Torre Eiffel que havia programado. Minhas amigas Flávia e Bia, que estavam na cidade e haviam combinado de passarmos todas juntas, que o digam.
Programação do dia 31 : cama, sal de frutas, coca cola, cama e uma voltinha no quarteirão. E Felipe dormindo porque teria festa. Me levaria à torre para ver os fogos, me desovaria no metrô e dali mesmo partiria para uma festa.

Dia primeiro, mais ou menos a mesma coisa.
Dia dois de janeiro, a programação seria: Acordar cedo (ok), fazer os passeios típicos, ir na livraria que Monica Paranhos havia me indicado para Sociologia do Trabalho (eu não falo nada de francês, mas com a ajuda de uma gramática e dicionário consigo ler,(necessito) porque as melhores pesquisas sobre Mundo do Trabalho são as nossas e as francesas. Embarcaríamos para Bruxelas à noite. Saímos para o passeio, mas antes eu ia dar uma passadinha na agência do BB para pagar as contas e sacar. 

Enquanto Felipe dormia, eu já tinha olhado o mapa do metrô e feito as anotações de todo o "meu" roteiro, minuciosamente. 
Gente, aquelas fotos em Champs Elyséés , Arco do Triunfo,Notre Dame , Louvre etc escondem os momentos de angústia. Quem vê foto de Facebook não vê coração.
Eu e Felipe pendurados no celular O DIA INTEIRO,entre um ponto turístico aboletado de visitantes e outro,  tentando falar com meu gerente do BB no Rio. Filas imensas em todos os museus .
Desisti.
Sentei no Jardim do Museu L'Orangerie (como se chama mesmo o Jardim, Daniela Valla? ) e chorei.
O único momento realmente emcocionante foi sentar-me à beira do Sena, com os pés quase tocando a água.Ali, esqueci tudo e "cheguei" a Paris.
Bom, decidimos ficar mais uma noite em Paris, até porque a diária já tinha virado. já tínhamos perdido o horário do embarque e pagaríamos a conta do hotel no dia seguinte com o cartão da conta estudantil do Felipe (com todo o saldo que comporta uma conta de estudante). A sorte é que já tinhamos pagado as outras diárias na entrada. E pra comer tínhamos uns Euros, juntando as moedas (brincando).
Gente , ao voltar a Leuven, me apeguei, claro, foi um momento de libertação, aconchego e enamoramento. Além disso, o cartão funcionava.
Me apaixonei pela cidade , descobri todos os vegetais, os cogumelos frescos, os camarões enooooormes mais baratos do que carne moída, a água mineral que não me fazia mal, a pista de corrida do condomínio, o supermercado em frente à portaria, com caixas de meio quilo de shitakes frescos a 39 centavos. Endivias!!!!Caríssimas e murchinhas aqui no Brasil, lá eram "capim". Sim, descobri que as endivias (poucos centavos uma bandeja com 5 lindas) sao uma mutação da chicórea, produzidas em bunkers sem luz na segunda guerra pelo jardineiro do Jardim Botánico de Bruxelas. Baratíssimas. Assim como a "couve de Bruxelas".

 Descobri a linda feira de bugigangas de sábado à tarde, a segurança do lar, uma igrejinha simpática com pessoas simpaticas na saida do condominio e a Catedral de Leuven, majestosa.Alternava as missas semanais entre uma e outra. Amei Leuven,
O que mais eu podia sentir?
Um ódio profundo de Paris e um amor infindo pela Bélgica.
Agora preciso voltar a Paris em um período normal, sem hordas de turistas, com cartões de dois bancos e usufruir tudo o que a cidade representa.
Estou perdoada, meninas e meninos?
Levei seis meses, mas me retratei.
Claro que os ratos nas escadas do metrô e toda a sujeira da cidade fora da área de Champs Elyséés, o mau-humor com os não-francófonos (e olhem que meu filho domina ingles muito bem, a contrário de mim, que apenas me comunico) foram apenas a cereja do bolo dessa "desgraceira" toda. Bora em Paris fora de temporada?

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Amizade . Namorizade. Humanidade.

Será que existe amizade assim? E se há, estamos sabendo vivê-las na plenitude, antes que seja tarde demais? No nosso cotidiano, que é onde precisamos? Ou nos fechamos em nossos nichos?
 Sabemos que temos amigos com quem podemos contar.
 Sabemos que a verdadeira amizade não se desfaz com o tempo e a distância. Claro, isto é verdade. Quando me encontro com amigos de décadas e sentimos que nossas afinidades são as mesmas, que, por mais que tenham sido diferentes os caminhos que tomamos na vida, "ainda somos os mesmos", fico feliz por isto. 
Mas penso que estamos abrindo mão da PRESENÇA. Fico triste. 
Como é bom quando estes verdadeiros amigos estão por perto o tempo todo, convimemos, vivemos com. Quando nossos melhores amigos fazem parte não apenas de datas festivas ou maus momentos (quando os temos, os dos maus momentos, estes são preciosos), mas do nosso prosaico dia-a-dia, que é quando a vida acontece. 
Tenho saudades , por exemplo, do convívio cotidiano de minha amiga Maristela , porque estávamos juntas todos os dias . Ela morava sozinha e passava na minha casa na volta do trabalho para colocarmos a conversa em dia. E todo dia tinha conversa. Quebrei o pe e ela ia levar o pão e o jornal para mim todos os dias, antes de ir para o trabalho. 
Tenho nostalgia das amizades de adolescência que se alimentavam da presença, da rotina. Como amo a rotina, tão mal-afamada. Amo a boa rotina, aquela que enriquece e encanta, em lugar de entediar.
Temos dedicado tempo ao cultivo de amigos que têm/ podem ter este papel em nossas vidas? Tenho encontrado e deixado passar muitas pessoas assim.
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
 Sempre pensei que só a duração do tempo consolidaria uma amizade assim, mas a vida me ensinou, especialmente nos últimos três anos, situações opostas. Amizades de décadas que se diluiram por anemia . desmaiando aos poucos, ou por mal súbito, decorrente de intoxicação silenciosa de longo tempo. E também o contrário: surpreendentes afinidades de almas à primeira vista. Algumas destas boas surpresas, temos conseguido alimentar, e daria como UM exemplo minha querida Veronica Cunha. (Não fiquem com ciúmes). Outras, como Verônica de Fátima, não temos conseguido. Não fiquem com ciúmes, em ambos os grupos as VErônicas são apenas um exemplo porque não poderia listar todos assim.
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"

Vivi algumas experiências de "Tarde demais" nos últimos anos. Chega.

Pensem na letra da Canção a que me referi no início:

Humano Amor de Deus

Pe. Fábio de Melo

Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Quando a solidão doeu em mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Quando os meus sonhos vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Que Deus me ama
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)


Tormentas e Mutações


Tormentas e mutações. Estou vivendo isto. Passo a passo. Dia a dia. Às vezes, minuto a minuto. Surpresas com a corrente de energia positiva que se forma quando nos abrimos a ela. Com o lugar-comum e paradoxal que diz que , fazendo o bem, desinteressadamente, você o recebe de volta em forma de bênçãos supreendentes. 
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
 Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
 Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
 Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
 Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
 Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
 Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
 Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
 E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.