domingo, 27 de julho de 2014

Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:

Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:


Outro dia, li uma citação, cuja autoria não guardei, desculpem. Dizia assim: "Quem tem convicção de sua religião não se incomoda com a dos outros". 
Para mim, amizade é sagrada. E ponto. Sem vírgulas, sem orações subordinadas, sem condicionalidades. Sou seu amigo. ponto. Não é seguido de vírgulas, de "se", "desde que" "só se vc for igual a mim". Amizade não é espelho.
Todos sabem que sou católica, procuro praticar os ensinamentos de Cristo e tenho plena consciência de muitos limites que tenho nesta caminhada. E nem tenho a pretensão de ser uma seguidora-perfeita, operária-padrão de Jesus. Eu sei que Ele conhece o meu coração e compreende meus erros e minhas tentativas de segui-Lo, em um de seus maiores mandamentos: Amar ao próximo como a si mesmo. 
Sei também que nem sempre minhas opiniões são as mesmas que toda a Igreja manifesta, mas estudo com afinco a Doutrina, no Catecismo da Igreja Católica, além da própria Bíblia, lógico. E penso, reflito, estou sempre disposta a rever minhas opiniões.
Ocorre que uma convicção eu tenho , como cidadã , como cristã e como professora. O Estado é laico e deve legislar para toda a socidedade (utópico em uma sociedade de classes, onde não existe a "vontade geral", mas interesses antagônicos), Mas insisto em que o Estado deve pautar-se pela ética da laicidade, não devem existir bancadas religiosas,  as casas legislativas não votam doutrinas religiosas, nem catequeses, nem morais específicas para determinadas religiões.Votam politicas públicas para TODOS os cidadãos (na maioria das vezes, para a classe dominante)
Não tenho como critério de voto, ser da mesma religião que eu. De que adianta eu votar em um católico, que vai votar que os 10% do PIB devem ir para a iniciativa privada? Ou nas parcerias e OSs , como me aconteceu (e vou dar nomes: votei no Robson Leite, católico, que me decepcionou quando votou a favor da privatização da saúde por meio das OSs e falei isto pessoalmente a ele. ) Assim como Alessandro Molon, a quem muito admiro, mas que continua no PT, partido que abandonou há muito as causas populares. Ambos são parlamentares sérios, mas não me representam politicamente pelo mero fato de serem católicos, Molon, inclusive, de 'minha" Paróquia, onde frequentei por anos em Copacabana. Mas, como apoiar alguém que governa com a Dilma? E o legado da Copa etc? Fui militante da época de fundação do PT, mas este mudou muito. Atualmente voto no PSOL, cujos candidatos nada têm a ver com minha religião (alguns têm), mas me representam em muitas questões políticas (nem todas). Considero ser o "menos pior". 
Cada religião tem seus valores, sua moral, que deve ser seguida por aqueles que a ela aderem voluntariamente, e deixar o Estado legislar para todos. Ate´o Papa "Chiquinho" já deu sinais de que pensa assim.
Não é porque, em minha religião, a Bíblia é o livro Sagrado, que eu acho que deva sê-lo , à força, para todos. Nem que eu tenho uma PROCURAÇÃO DE DEUS para me considerar "salva" e aos outros, não. Penso assim, como sabem os meus alunos. 
Fico triste porque tenho perdido "amigos" por isto. Pessoas que se afastam porque minha opinião "escandaliza". 
Antes de ser uma cidadã, eu sou, no âmbito do exercício de minha vida profissional, uma educadora, e, por esta razão, uma representante do Estado de Direitos. Toda escola/faculdade/ mesmo que privada, é concessão do Estado , E, por lei, é laica, a menos que seja credenciada como confessional.
Sempre digo, minha profissão é laica, mas eu e meu facebook somos pessoais e cristãos.
Só que há pessoas, muitas vezes recém-"convertidas"(assim se acham porque conversão é um processo de toda a vida), muitas delas com um passado nada invejável do ponto de vista daquilo que condenam hoje, que simplesmente se dão ao desfrute de agir como o DIABO. Sim, estou falando diabo, pela origem etimológica: aquele que divide. Dia (divisão).
Uma pena.
Pessoas que criam guetos, clubinhos em torno da Bíblia e de sua interpretação para julgar, para determinar aquilo que em, SUA opinião, é o joio e o trigo. 
Eu e minha amiga Aída Bárbara vivemos uma situação bem parecida quanto a isto, por vezes dentro da Igreja.
Muitos católicos, ate´mesmo o Padre Fábio de Melo, que é uma pessoa culta e tem a mente aberta e um coração cristão.
Sem falar em relação a membros de outras religiões cristãs,  que se consideram donas da verdade.
Acaso Jesus lhes assinou uma procuração?
Acham que a Bíblia, ou melhor, a sua interpretação, é uma procuração para "separar o joio do trigo", segundo seus critérios?
Acho que Jesus correria desta gente. Aliás, ele correu mesmo.
De que as pessoas intolerantes têm medo?
De que alguma reflexão, alguma flexibilidade ponha a nu o que jogaram para baixo do tapete em nome de uma "conversão" prepotente, soberba?Em nome da vanglória? 
Querem ser mais "cristãos" do que o próprio Cristo. 
Digo isto porque percebi afastamento de pessoas que, cansadas de me advertir inbox por minhas posições "não-cristãs" (????!!!!!!!), simplesmente passaram a me ignorar. 
Gente, se defender os direitos humanos daqueles que sofrem violência e preconceitos, sejam muçulmanos na Faixa de Gaza, homossexuais,umbandistas e candomblecistas que sofrem preconceito na escola significa ser anticristão, eu não sei o que é ser cristão. Porque Cristo, para quem leu a Bíblia, não usava este critério para separar o joiio do trigo, mas a pureza de coração.
Eu não sou muçulmana, nem umbandista, nem kardecista, nem candoblecista,nem homossexual, nunca pratiquei um aborto - penso que não faria, mas nunca me vi na situação de uma gravidez indesejada, Poderia ter cometido e hoje ter me arrependido. Mas tenho amor humano por todas as pessoas, ou melhor, amor humano, não, ,as aquilo que penso que é o amor cristão. 
Conheço muitos homossexuais e ateus que têm muito mais Deus no coração do que pessoas que acham que Bíblia é desodorante (não tiram debaixo do braço), mas que julgam , apontam o dedo, decidem que é salvo e quem não é.
Bom, é isso. 
Tenho minha religião, sou feliz com ela, e não me incomodo com as escolhas ou orientações alheias, desde que não causem o MAL. 
Não quero fazer do cristianismo, por ser maioria, um instrumento de dominação e fonte de sofrimento aos outros. No mínimo, isto só acaba por afastar ainda mais as pessoas de Cristo. 
Tenho maravilhosos amigos protestantes (aliás, um imenso número) que não pensam assim, mas ,em compensação, outros, não suportam . Me "toleram" ate´certo ponto, depois me ignoram. 
Uma pena.
E se fosse por "direito adquirido", foi a Igreja Católica que foi criada por Cristo. Um exemplo : o kardecismo tb vê Jesus como Mestre - posso até não concordar com sua doutrina, se for o caso, mas não posso falar por eles, e se eles falam que Jesus é seu Mestre, quem sou eu pra me achar dona de Jesus?
 Se o problema é porque, por exemplo, o Kardecismo foi criado por um homem e não por Deus, o que era Lutero? Algum Deus? Então há outros Deuses? 
Se eu pensasse assim, poderia me vangloriar de que a minha religião foi a única criada por Cristo pessoalmente, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, na Cruz, onde nos entregou a João e Maria como respectivamente irmãos e filhos, e quando , antes de subir aos Céus para enviar o Espírito Santo, designou Pedro como o líder de Sua Igreja. 
Como os intolerantes responderiam a isto?
Vamos conhecer a fundo nossa própria religião, realizar exames de consciência sinceros e honestos, vamos pregar o amor cristão acima de diferenças. Acho que o ecumenismo não consiste em misturar estações, dogmas, doutrinas e rituais, cada religiião tem os seus, mas em AMAR a todos.
Deus ama a todos como todo bom Pai; como os cinco dedos das mãos. Cada um com um tamanho, um formato, uma função, mas vindos do mesmo punho, que é o AMOR, 
Que vivamos mais o AMOR e menos a disputa sobre quem tem procuração de Jesus. 
Não tenho medo das outras religiões. Nem haveria motivo para isto. Tenho medo de quem as usa (inclusive a minha) para matar física ou psicologicamente.
Tem gente que vê o diabo em tudo. Será que vivem com um espelho na mão? Só nos incomoda, aquilo que está reprimido, recalcado dentro de nós, conforme Freud. E só causa desequilibração, segundo Piaget, aquilo que mexe com nossas estruturas de pensamento. 

Claro que tenho minhas convicções morais,não sou uma pessoa "em cima do muro",  só não tenho a pretensão de achar que sou melhor ou mais certa do que alguém por isto. 

E continuo com a pulga atrás da orelha. Se a moral da Igreja é contra o aborto (corretíssimo,tb sou, como cristã, mas  acho que isto é uma questão de Saúde Pública e deva, do ponto de vista do Estado,  ser votada nesta condição- nenhuma mulher fará aborto porque a lei permite.). Como diz o Apóstolo Paulo: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.

Mas voltando à pergunta que não quer calar: o critério para condenar o aborto não é a vida cerebral,mas os batimentos cardíacos (vide fatos de fetos anencéfalos, cujo aborto a Igreja condena, ok, concordo). Mas este critério  não é o mesmo para a distanásia (desligar as máquinas enquanto o coração ainda bate). 
Realmente, não entendo.
 Queria muito entender.
 Dois pesos e duas medidas?
 Só porque um ser vegetativo gera custos ao sistema de Saúde? Tenho um "grilo" com doação de órgãos por isto. Desligar as máquinas com o sujeito ainda vivo, para salvar outra vida, é válido até que ponto? Se a morte cerebral o condena a morrer, o feto anencéfalo tb. 
Só queria entender, mesmo!
E quanto à doação de órgãos, a genética já dispõe de métodos para criar órgãos a partir de células tronco,que não precisam de embriões sacrificados,  mas é muito mais barato desligar as máquinas de um moribundo. 
Então, a gente não acredita em milagres?A getne não acredita mais que Deus é o Senhor da vida e da morte? Que só Ele pode decidir a hora de nossa partida?
Então se o feto não tem cérebro, a Igreja condena o aborto, mas o moribundo, que ainda o tem, mas parou de  funcionar merece morrer antes da hora decidida por Deus? Mesmo mantido por máquinas, haverá uma hora que Deus decidirá. 

Pronto Falei.

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