Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:
Outro dia, li uma citação, cuja autoria não guardei, desculpem. Dizia assim: "Quem tem convicção de sua religião não se incomoda com a dos outros".
Para mim, amizade é sagrada. E ponto. Sem vírgulas, sem orações subordinadas, sem condicionalidades. Sou seu amigo. ponto. Não é seguido de vírgulas, de "se", "desde que" "só se vc for igual a mim". Amizade não é espelho.
Todos sabem que sou católica, procuro praticar os ensinamentos de Cristo e tenho plena consciência de muitos limites que tenho nesta caminhada. E nem tenho a pretensão de ser uma seguidora-perfeita, operária-padrão de Jesus. Eu sei que Ele conhece o meu coração e compreende meus erros e minhas tentativas de segui-Lo, em um de seus maiores mandamentos: Amar ao próximo como a si mesmo.
Sei também que nem sempre minhas opiniões são as mesmas que toda a Igreja manifesta, mas estudo com afinco a Doutrina, no Catecismo da Igreja Católica, além da própria Bíblia, lógico. E penso, reflito, estou sempre disposta a rever minhas opiniões.
Ocorre que uma convicção eu tenho , como cidadã , como cristã e como professora. O Estado é laico e deve legislar para toda a socidedade (utópico em uma sociedade de classes, onde não existe a "vontade geral", mas interesses antagônicos), Mas insisto em que o Estado deve pautar-se pela ética da laicidade, não devem existir bancadas religiosas, as casas legislativas não votam doutrinas religiosas, nem catequeses, nem morais específicas para determinadas religiões.Votam politicas públicas para TODOS os cidadãos (na maioria das vezes, para a classe dominante)
Não tenho como critério de voto, ser da mesma religião que eu. De que adianta eu votar em um católico, que vai votar que os 10% do PIB devem ir para a iniciativa privada? Ou nas parcerias e OSs , como me aconteceu (e vou dar nomes: votei no Robson Leite, católico, que me decepcionou quando votou a favor da privatização da saúde por meio das OSs e falei isto pessoalmente a ele. ) Assim como Alessandro Molon, a quem muito admiro, mas que continua no PT, partido que abandonou há muito as causas populares. Ambos são parlamentares sérios, mas não me representam politicamente pelo mero fato de serem católicos, Molon, inclusive, de 'minha" Paróquia, onde frequentei por anos em Copacabana. Mas, como apoiar alguém que governa com a Dilma? E o legado da Copa etc? Fui militante da época de fundação do PT, mas este mudou muito. Atualmente voto no PSOL, cujos candidatos nada têm a ver com minha religião (alguns têm), mas me representam em muitas questões políticas (nem todas). Considero ser o "menos pior".
Cada religião tem seus valores, sua moral, que deve ser seguida por aqueles que a ela aderem voluntariamente, e deixar o Estado legislar para todos. Ate´o Papa "Chiquinho" já deu sinais de que pensa assim.
Não é porque, em minha religião, a Bíblia é o livro Sagrado, que eu acho que deva sê-lo , à força, para todos. Nem que eu tenho uma PROCURAÇÃO DE DEUS para me considerar "salva" e aos outros, não. Penso assim, como sabem os meus alunos.
Fico triste porque tenho perdido "amigos" por isto. Pessoas que se afastam porque minha opinião "escandaliza".
Antes de ser uma cidadã, eu sou, no âmbito do exercício de minha vida profissional, uma educadora, e, por esta razão, uma representante do Estado de Direitos. Toda escola/faculdade/ mesmo que privada, é concessão do Estado , E, por lei, é laica, a menos que seja credenciada como confessional.
Sempre digo, minha profissão é laica, mas eu e meu facebook somos pessoais e cristãos.
Só que há pessoas, muitas vezes recém-"convertidas"(assim se acham porque conversão é um processo de toda a vida), muitas delas com um passado nada invejável do ponto de vista daquilo que condenam hoje, que simplesmente se dão ao desfrute de agir como o DIABO. Sim, estou falando diabo, pela origem etimológica: aquele que divide. Dia (divisão).
Uma pena.
Pessoas que criam guetos, clubinhos em torno da Bíblia e de sua interpretação para julgar, para determinar aquilo que em, SUA opinião, é o joio e o trigo.
Eu e minha amiga Aída Bárbara vivemos uma situação bem parecida quanto a isto, por vezes dentro da Igreja.
Muitos católicos, ate´mesmo o Padre Fábio de Melo, que é uma pessoa culta e tem a mente aberta e um coração cristão.
Sem falar em relação a membros de outras religiões cristãs, que se consideram donas da verdade.
Acaso Jesus lhes assinou uma procuração?
Acham que a Bíblia, ou melhor, a sua interpretação, é uma procuração para "separar o joio do trigo", segundo seus critérios?
Acho que Jesus correria desta gente. Aliás, ele correu mesmo.
De que as pessoas intolerantes têm medo?
De que alguma reflexão, alguma flexibilidade ponha a nu o que jogaram para baixo do tapete em nome de uma "conversão" prepotente, soberba?Em nome da vanglória?
Querem ser mais "cristãos" do que o próprio Cristo.
Digo isto porque percebi afastamento de pessoas que, cansadas de me advertir inbox por minhas posições "não-cristãs" (????!!!!!!!), simplesmente passaram a me ignorar.
Gente, se defender os direitos humanos daqueles que sofrem violência e preconceitos, sejam muçulmanos na Faixa de Gaza, homossexuais,umbandistas e candomblecistas que sofrem preconceito na escola significa ser anticristão, eu não sei o que é ser cristão. Porque Cristo, para quem leu a Bíblia, não usava este critério para separar o joiio do trigo, mas a pureza de coração.
Eu não sou muçulmana, nem umbandista, nem kardecista, nem candoblecista,nem homossexual, nunca pratiquei um aborto - penso que não faria, mas nunca me vi na situação de uma gravidez indesejada, Poderia ter cometido e hoje ter me arrependido. Mas tenho amor humano por todas as pessoas, ou melhor, amor humano, não, ,as aquilo que penso que é o amor cristão.
Conheço muitos homossexuais e ateus que têm muito mais Deus no coração do que pessoas que acham que Bíblia é desodorante (não tiram debaixo do braço), mas que julgam , apontam o dedo, decidem que é salvo e quem não é.
Bom, é isso.
Tenho minha religião, sou feliz com ela, e não me incomodo com as escolhas ou orientações alheias, desde que não causem o MAL.
Não quero fazer do cristianismo, por ser maioria, um instrumento de dominação e fonte de sofrimento aos outros. No mínimo, isto só acaba por afastar ainda mais as pessoas de Cristo.
Tenho maravilhosos amigos protestantes (aliás, um imenso número) que não pensam assim, mas ,em compensação, outros, não suportam . Me "toleram" ate´certo ponto, depois me ignoram.
Uma pena.
E se fosse por "direito adquirido", foi a Igreja Católica que foi criada por Cristo. Um exemplo : o kardecismo tb vê Jesus como Mestre - posso até não concordar com sua doutrina, se for o caso, mas não posso falar por eles, e se eles falam que Jesus é seu Mestre, quem sou eu pra me achar dona de Jesus?
Se o problema é porque, por exemplo, o Kardecismo foi criado por um homem e não por Deus, o que era Lutero? Algum Deus? Então há outros Deuses?
Se eu pensasse assim, poderia me vangloriar de que a minha religião foi a única criada por Cristo pessoalmente, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, na Cruz, onde nos entregou a João e Maria como respectivamente irmãos e filhos, e quando , antes de subir aos Céus para enviar o Espírito Santo, designou Pedro como o líder de Sua Igreja.
Como os intolerantes responderiam a isto?
Vamos conhecer a fundo nossa própria religião, realizar exames de consciência sinceros e honestos, vamos pregar o amor cristão acima de diferenças. Acho que o ecumenismo não consiste em misturar estações, dogmas, doutrinas e rituais, cada religiião tem os seus, mas em AMAR a todos.
Deus ama a todos como todo bom Pai; como os cinco dedos das mãos. Cada um com um tamanho, um formato, uma função, mas vindos do mesmo punho, que é o AMOR,
Que vivamos mais o AMOR e menos a disputa sobre quem tem procuração de Jesus.
Não tenho medo das outras religiões. Nem haveria motivo para isto. Tenho medo de quem as usa (inclusive a minha) para matar física ou psicologicamente.
Tem gente que vê o diabo em tudo. Será que vivem com um espelho na mão? Só nos incomoda, aquilo que está reprimido, recalcado dentro de nós, conforme Freud. E só causa desequilibração, segundo Piaget, aquilo que mexe com nossas estruturas de pensamento.
Claro que tenho minhas convicções morais,não sou uma pessoa "em cima do muro", só não tenho a pretensão de achar que sou melhor ou mais certa do que alguém por isto.
E continuo com a pulga atrás da orelha. Se a moral da Igreja é contra o aborto (corretíssimo,tb sou, como cristã, mas acho que isto é uma questão de Saúde Pública e deva, do ponto de vista do Estado, ser votada nesta condição- nenhuma mulher fará aborto porque a lei permite.). Como diz o Apóstolo Paulo: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Mas voltando à pergunta que não quer calar: o critério para condenar o aborto não é a vida cerebral,mas os batimentos cardíacos (vide fatos de fetos anencéfalos, cujo aborto a Igreja condena, ok, concordo). Mas este critério não é o mesmo para a distanásia (desligar as máquinas enquanto o coração ainda bate).
Realmente, não entendo.
Queria muito entender.
Dois pesos e duas medidas?
Só porque um ser vegetativo gera custos ao sistema de Saúde? Tenho um "grilo" com doação de órgãos por isto. Desligar as máquinas com o sujeito ainda vivo, para salvar outra vida, é válido até que ponto? Se a morte cerebral o condena a morrer, o feto anencéfalo tb.
Só queria entender, mesmo!
E quanto à doação de órgãos, a genética já dispõe de métodos para criar órgãos a partir de células tronco,que não precisam de embriões sacrificados, mas é muito mais barato desligar as máquinas de um moribundo.
Então, a gente não acredita em milagres?A getne não acredita mais que Deus é o Senhor da vida e da morte? Que só Ele pode decidir a hora de nossa partida?
Então se o feto não tem cérebro, a Igreja condena o aborto, mas o moribundo, que ainda o tem, mas parou de funcionar merece morrer antes da hora decidida por Deus? Mesmo mantido por máquinas, haverá uma hora que Deus decidirá.
Pronto Falei.
domingo, 27 de julho de 2014
Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Machismo, "mulher moderna", minha caretice, as "mulheres caçadoras" etc
Machismo, "mulher moderna", minha caretice e o assédio (guerra aberta) da pianista e da cardiologista sobre o Gianechinni. Vergonha alheia.
Eu sou a única pessoa que acha ridículo ver duas mulheres brigando abertamente pelo Gianechinni na novela?A pianista e a cardiologista?Ou, na vida em geral, uma mulher quase "estuprando" o cara que ela cismou que quer conquistar? O mundo está assim mesmo? Sei que, na novela, ele é "o" Gianechinni, mas a mulher precisa se oferecer tão abertamente assim para provar igualdade na sociedade? Ai, como sou antiga! Onde fica a sutileza, meu Deus? Posso ter resíduos machistas , mas penso que a iniciativa aberta ainda deve ser do homem. Ainda acho que a dama deve deixar cair discretamente o lenço de renda, assim, como por acaso, para o cavalheiro pegar, olhá-la nos olhos, sentir-se apaixonado por uma moça ligeiramente autopreservada, e não receber os xeque-mates que as duas estão dando no rapaz. Tá bom, gente, eu passei a adolescência lendo "A Moreninha", "Senhora", "A mão e a luva", "Amor de Perdição". "Helena" (não as do Manoel Carlos).Na pior das hipóteses, os romances quase causadores de diabetes, de tão melosos, da Barbara Cartland. Devorávamos os livros e trocávamos com as colegas da escola. Série Sabrina e fotonovelas, então, passavam de mão em mão. Saudade dos tempos em que as adolescentes não cresciam vendo os protótipos da mulher moderna vulgar no BBB, bêbadas, se oferecendo. Ou sóbrias, se oferecendo, como numa xepa de feira.
Não é porque podemos pagar nosso próprio aluguel e supermercado (e comprar uma bolsinha de vez em quando em 5 vezes no cartão) que precisamos ser oferecidas.
Li um livrinho "bobo" há alguns anos: "Ele simplesmente não está a fim de você" (o filme foge ao roteiro, não tem nada a ver). O livro demonstra com fartos exemplos que, quando o homem tem interesse, ele vai demonstrar, não se preocupe em sair se declarando antes que outra tome o "seu lugar", como se ele fosse o último copo de água mineral sem gás no deserto. O livro usa argumentos como: ainda que o avião dele faça um pouso forçado sobre o mar, ele sairá nadando para lhe encontrar, Que nem duas pernas quebradas o farão faltar ou adiar um encontro, se ele tiver interesse. Mas, como ele prefere fugir de uma manada de elefantes cor de rosa pegando fogo (é o livro que diz) a dizer não a uma mulher, vai te dizer sim por uma noite e depois se transformará em Wally (onde está o wallly?versão avançada).
E não, o telefone dele não está com defeito: ele simplesmente não está a fim de você.
Sou antiga mesmo, do tempo da paciência, do jogo de aproximação onde um vai lendo os sinais do outro (e tomando um vidro de semancol se percebe que a outra pessoa não está mantendo o ritmo, saindo discretamente do campo).
Bom, espero que pelo menos minhas sobrinhas leiam que existem outros modos de ser entre a mulher oprimida, dominada, submissa, dependente, que precisa tolerar humilhações, e essa espécie de raça caçadora´-furiosa, sem nenhum glamour, nem sutileza, nem feminilidade.
Choquei conversando com meu irmão no dia do último jogo. A coisa tá tão feia, que muitas mulheres contratam um serralheiro ou eletricista e ficam desfilando de calcinha e sutiã dentro de casa, dizendo: Ah, desculpe , dentro de casa eu costumo andar à vontade. Não , ele não tem o direito de estuprá-la por causa da roupa que ela está vestindo!!!!!! Mas, por outras razões, ela poderia se vestir mais adequadamente para receber pessoas em casa, a fim de não estampar na testa: "estou na seca, a perigo". Porque esse tipo de abordagem não rende nada mais do que "tirar o atraso" e depois, adeus, acredito. E a autoestima da mulher é jogada lá no subsolo 3, ela chora - porque no fundo, mesmo que diga que não, está, sim, quase sempre, procurando a "alma gêma", mas finge que não, que quer só uma saidinha, que é descolada pra ver se conquista o cara se jogando na cama mais apressada do que atacante no 28o minuto da prorrogação. Tolinha. Tadinha: Ela não sabe por que ele foi tão legal na primeira noite e sumiu depois. (Olha os efeitos colaterais da insônia na vida de uma pessoa; Estava agora , no meio da madrugada, vendo o capítulo de ontem no site do GShow e já começo a "viajar".)
Pedras das "feministas". Quer saber? Minha história de vida me autoriza a dizer o que penso, Graças a Deus, nunca vivi à custa de ninguém, nunca precisei explorar homem, nunca me senti tão desvalorizada a ponto de sustentar homem em troca de companhia, entao não preciso provar que "sou feminista" só porque acho que o feminismo não consiste em criar homens de batom. Mulheres que , tal qual o homem machista, pensam que sua independência socio-economico-cultural lhes dá o direito de ser quase uns tratores. Viva o Glamour e a Diveza. O homem que prefere as periguetes não te merece, menina.
Eu sou a única pessoa que acha ridículo ver duas mulheres brigando abertamente pelo Gianechinni na novela?A pianista e a cardiologista?Ou, na vida em geral, uma mulher quase "estuprando" o cara que ela cismou que quer conquistar? O mundo está assim mesmo? Sei que, na novela, ele é "o" Gianechinni, mas a mulher precisa se oferecer tão abertamente assim para provar igualdade na sociedade? Ai, como sou antiga! Onde fica a sutileza, meu Deus? Posso ter resíduos machistas , mas penso que a iniciativa aberta ainda deve ser do homem. Ainda acho que a dama deve deixar cair discretamente o lenço de renda, assim, como por acaso, para o cavalheiro pegar, olhá-la nos olhos, sentir-se apaixonado por uma moça ligeiramente autopreservada, e não receber os xeque-mates que as duas estão dando no rapaz. Tá bom, gente, eu passei a adolescência lendo "A Moreninha", "Senhora", "A mão e a luva", "Amor de Perdição". "Helena" (não as do Manoel Carlos).Na pior das hipóteses, os romances quase causadores de diabetes, de tão melosos, da Barbara Cartland. Devorávamos os livros e trocávamos com as colegas da escola. Série Sabrina e fotonovelas, então, passavam de mão em mão. Saudade dos tempos em que as adolescentes não cresciam vendo os protótipos da mulher moderna vulgar no BBB, bêbadas, se oferecendo. Ou sóbrias, se oferecendo, como numa xepa de feira.
Não é porque podemos pagar nosso próprio aluguel e supermercado (e comprar uma bolsinha de vez em quando em 5 vezes no cartão) que precisamos ser oferecidas.
Li um livrinho "bobo" há alguns anos: "Ele simplesmente não está a fim de você" (o filme foge ao roteiro, não tem nada a ver). O livro demonstra com fartos exemplos que, quando o homem tem interesse, ele vai demonstrar, não se preocupe em sair se declarando antes que outra tome o "seu lugar", como se ele fosse o último copo de água mineral sem gás no deserto. O livro usa argumentos como: ainda que o avião dele faça um pouso forçado sobre o mar, ele sairá nadando para lhe encontrar, Que nem duas pernas quebradas o farão faltar ou adiar um encontro, se ele tiver interesse. Mas, como ele prefere fugir de uma manada de elefantes cor de rosa pegando fogo (é o livro que diz) a dizer não a uma mulher, vai te dizer sim por uma noite e depois se transformará em Wally (onde está o wallly?versão avançada).
E não, o telefone dele não está com defeito: ele simplesmente não está a fim de você.
Sou antiga mesmo, do tempo da paciência, do jogo de aproximação onde um vai lendo os sinais do outro (e tomando um vidro de semancol se percebe que a outra pessoa não está mantendo o ritmo, saindo discretamente do campo).
Bom, espero que pelo menos minhas sobrinhas leiam que existem outros modos de ser entre a mulher oprimida, dominada, submissa, dependente, que precisa tolerar humilhações, e essa espécie de raça caçadora´-furiosa, sem nenhum glamour, nem sutileza, nem feminilidade.
Choquei conversando com meu irmão no dia do último jogo. A coisa tá tão feia, que muitas mulheres contratam um serralheiro ou eletricista e ficam desfilando de calcinha e sutiã dentro de casa, dizendo: Ah, desculpe , dentro de casa eu costumo andar à vontade. Não , ele não tem o direito de estuprá-la por causa da roupa que ela está vestindo!!!!!! Mas, por outras razões, ela poderia se vestir mais adequadamente para receber pessoas em casa, a fim de não estampar na testa: "estou na seca, a perigo". Porque esse tipo de abordagem não rende nada mais do que "tirar o atraso" e depois, adeus, acredito. E a autoestima da mulher é jogada lá no subsolo 3, ela chora - porque no fundo, mesmo que diga que não, está, sim, quase sempre, procurando a "alma gêma", mas finge que não, que quer só uma saidinha, que é descolada pra ver se conquista o cara se jogando na cama mais apressada do que atacante no 28o minuto da prorrogação. Tolinha. Tadinha: Ela não sabe por que ele foi tão legal na primeira noite e sumiu depois. (Olha os efeitos colaterais da insônia na vida de uma pessoa; Estava agora , no meio da madrugada, vendo o capítulo de ontem no site do GShow e já começo a "viajar".)
Pedras das "feministas". Quer saber? Minha história de vida me autoriza a dizer o que penso, Graças a Deus, nunca vivi à custa de ninguém, nunca precisei explorar homem, nunca me senti tão desvalorizada a ponto de sustentar homem em troca de companhia, entao não preciso provar que "sou feminista" só porque acho que o feminismo não consiste em criar homens de batom. Mulheres que , tal qual o homem machista, pensam que sua independência socio-economico-cultural lhes dá o direito de ser quase uns tratores. Viva o Glamour e a Diveza. O homem que prefere as periguetes não te merece, menina.
terça-feira, 1 de julho de 2014
A prisão de Charlinho e a tristeza/frustração de uma professora.
No final dos anos
oitenta, precisamente em 1989, eu tinha
um aluno muito carinhoso, alegre, meio gordinho, com os cabelos meio
castanho-louros cacheados.
Charles , ou Charlinho,
como era conhecido na família e pelos colegas.
Voltava sempre suado do
recreio. Esbaforido.
Estudioso.
Lembro-me de que fazia
parte da melhor turma da 4ª série. E que a família era muito presente na
escola. Ele morava na rua imediatamente paralela à minha e a escola ficava
(ainda fica) no mesmo bairro.
Certa tarde de sábado,
toca a campainha do meu portão e era o pai do Charlinho, que, se não me falha a
memória, morreu há cerca de um ano.
O pai me perguntou:
professora, a senhora já corrigiu a prova do Charlinho?
Pensei: “Eu mereço”, agora os pais vêm buscar as notas
em casa sábado à tarde.
Aí o pai justificou,
desculpando-se:
“Desculpe, professora,
mas amanhã é o aniversário do Charlinho (ou dia das crianças, não me lembro bem) e eu tinha prometido a ele que só daria
o presente e o levaria para passear se ele tirasse boas notas.
Inspirei, respirei ,
não pirei e tranquilizei o pai, sem precisar consultar as provas, pois
Charlinho era excelente aluno.
Charlinho, que estava junto com o pai, se abre
num sorriso de meio metro e fala: eu não disse?
Passei 25 anos sem notícias de Charlinho.Saí da
escola , me exonerei do Município, mudei-me para a Zona Sul (70 km daqui),
onde morei por 15 anos,e só voltei há um ano.
Mas sempre me lembrava
daquele menino com cara de anjinho barroco, como sempre me lembro de meus alunos do "primário".
Há duas semanas, cheguei
a falar aos meus alunos: vocês me perturbam tanto para saber nota, que parecem
o pai do Charlinho. A diferença é que naquela época não havia internet, então
os pais apressados batiam no meu portão. Então contei, como contara outras
vezes, o episódio do pai do Charlinho.
Como morei 15 anos longe
do bairro e voltei há um ano, nunca mais tive notícias de muitos dos meus
ex-alunos.
Logo ao voltar ao
bairro, vi a repercussão de um tiroteio que aconteceu dentro de uma boate aqui
em Campo Grande há um ano. Mas não sei quem faz o quê , nem quem são as pessoas
que fazem parte destas organizações. Nem quero saber.
Hoje, para minha
profunda tristeza, logo cedinho, ligo a televisão e vejo Charlinho, ainda gordinho, mas já sem o
sorriso e os cachinhos de anjinho barroco, cabeça raspada, preso como acusado
de um homicídio. Identificado como segurança de líderes de uma facção do poder
alternativo da região, acusado de matar um agente penitenciário que
estava na boate fazendo a segurança privada de outro líder de facção.
Não quero aqui entrar
em discussões nem julgamento de valores ou análises sociológicas sobre os poderes oficiais e paralelos
nesta região. Nem entrar no mérito da conduta de Charlinho, da prisão, nada
disto.
Aliás, meu choque foi
exatamente porque, mesmo morando de volta ao bairro não conheço, não sei quem
são as pessoas que trabalham neste poder alternativo ao poder do Estado. Para mim, são abstrações e me doeu ver que eles têm nome, uma história, tiveram uma infância, e, entre eles, estava um dos meus "pintinhos".
Não é do exercício de poderes locais que quero falar. Quando falo que são abstrações, tenho minhas razões, que não vêm ao caso. Não procuro mesmo saber quem é quem no bairro, não sou investigadora e prefiro ficar na ignorância. (E não é por covardia ou omissão - como disse, tenho meus motivos)
Não é do exercício de poderes locais que quero falar. Quando falo que são abstrações, tenho minhas razões, que não vêm ao caso. Não procuro mesmo saber quem é quem no bairro, não sou investigadora e prefiro ficar na ignorância. (E não é por covardia ou omissão - como disse, tenho meus motivos)
Quem fala aqui é uma
professora, que, se procurar em suas pastas, é bem capaz de encontrar um
bilhetinho ou um desenho de Charlinho
com uma dedicatória, um coraçãozinho,
como sua turma, a 401, gostava de fazer.
Segundo a matéria
jornalística, Charlinho ingressou na facção como entregador de quentinhas e
depois passou ao cargo de segurança , o que lhe valeu este desfecho: assassinar,
não um agente penitenciário no exercício de suas funções, mas um agente
penitenciário que, na folga, estava fazendo a segurança pessoal de outro líder de poder paralelo, assim como Charlinho
fazia a segurança do que levou o primeiro tiro. (Sem julgamento de valor, isto
não é agravante nem atenuante e nem é minha intenção).
Não gostaria de estar
no lugar da mãe do segurança que, segundo o inquérito teria sido assassinado
por Charlinho.
Quem fala aqui é a
mesma professora que alguns de vocês já leram em meu livro “Listrinho”. Uma
galinha e seus pintinhos, uma pata e seus patinhos. Uma mãe que acha que seus filhos/alunos serão sempre bebês.
Que não entende que
aquelas crianças que brincavam no recreio tiveram destinos tão diversos.
Gosto de ver, por
exemplo, que Rogério é o proprietário da maior padaria do bairro, A Padaria
Manah, um empreendedor que deu certo.
Gosto de ver, por
exemplo, outro ex-aluno de microfone em punho como jornalista na televisão, o
Caio. Aluno de quem me lembro correndo de bicicleta pela rua.
Gosto de ver a Flávia
fazendo sucesso com sua empresa “Flávia Festas”.
Gosto de saber que a
outra Flávia tornou-se professora.
Relatei em Listrinho
meu encontro décadas depois com Jorginho, me dizendo que fui a única professora
que lhe deu uma chance após 5 anos de repetência, e que depois ele não tinha
parado mais: Cursava duas universidades. Uma federal e outra privada.
Gosto de saber notícias
de meus ex-bebês, como nas histórias relatadas em “Listrinho”.
Gosto de ver o jogador Thiago Silva, que mesmo não tendo sido
meu aluno, mas estudou em outra escola pública próxima, com o bracelete de
capitão da Seleção Brasileira, emocionado, cantando o Hino Nacional antes dos
jogos da Copa. E torço para vê-lo levantando a Taça, apesar de todos os motivos
para sermos contra os gastos governamentais com a Copa.
Como disse, quem
escreve aqui é um coração de educadora, que chega a se perguntar: será que se
um dia eu tivesse falado ou feito alguma coisa diferente, durante aquele ano
inteiro em que tive Charlinho sentado à minha frente todos os dias, isto
ficaria no coração de Charlinho e ele não entraria neste caminho?
Coisa de professora.
Não quero discutir
politicamente ou sociologicamente o histórico desta forma de poder na Zona
Oeste.
Queria apenas saber o
que aconteceu entre aquele dia em que o pai ansioso bateu à minha porta para perguntar
se o Charlinho tinha tirado nota alta , merecendo, portanto, o presente de aniversário
e o dia de hoje, quando acordo, ligo a TV e vejo Charlinho algemado, de cabeça baixa, na televisão.
Não estou acusando nem
defendendo Charlinho adulto. Estou apenas tentando entender o que aconteceu entre
aquele Charlinho de 1989, o meu anjinho barroco gorduchinho e meio dentucinho, afetuoso, e o Charlinho
de 2014, procurado pela polícia há um ano, que começou entregando quentinhas e
terminou como segurança privada de um líder do poder local.
Olho nos jornais e nos sitios eletrônicos o rosto do Charlinho procurado, do Charlinho preso. O "meu" Charlinho tinha 10 anos, este tem 35. Mas em seu rosto, mudado com o tempo, eu ainda vejo alguns traços daquele menino e me chocam as legendas: "Preso o miliciano mais perigoso da Zona Oeste, o Charlinho de Cosmos".
Estou triste, muito triste. Com todo o respeito pela dor das pessoas que, porventura ,possam ter sido afetadas por possíveis ações do "Charlinho de Cosmos". Eu não falo do "Charlinho de Cosmos", procurado pela polícia durante um ano. Falo do Charlinho de 10 anos de idade, brincando no pátio da escola em 1989.
Olho nos jornais e nos sitios eletrônicos o rosto do Charlinho procurado, do Charlinho preso. O "meu" Charlinho tinha 10 anos, este tem 35. Mas em seu rosto, mudado com o tempo, eu ainda vejo alguns traços daquele menino e me chocam as legendas: "Preso o miliciano mais perigoso da Zona Oeste, o Charlinho de Cosmos".
Estou triste, muito triste. Com todo o respeito pela dor das pessoas que, porventura ,possam ter sido afetadas por possíveis ações do "Charlinho de Cosmos". Eu não falo do "Charlinho de Cosmos", procurado pela polícia durante um ano. Falo do Charlinho de 10 anos de idade, brincando no pátio da escola em 1989.
Ass: Coração ferido de uma professora. Apenas uma
professora.
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