Repensando Paris: Daniela VallaAlzira Espinola. Flavia Botelho, Gilda Laplace Mônica Paranhos e todos os amigos que ficaram chocados com meu "ódio à primeira vista" por Paris. (na verdade, os responsáveis são os parisienses que encontrei em minha brevíssima passagem de quatro dias, especialmente os funcionários do Banco do Brasil- neste caso, brasileiros, contaminados com o jeito rude de ser).
Meses passados, me supreendo reconsiderando, o que desmente a tese da "primeira impressao". Sim, eu acredito em "Amor à Segunda Vista"(amo um filminho com este nome, acho que com Sandra Bulock ou Julia Roberts, que penso serem a mesma pessoa).
Meses passados, coração refeito, cabeça fria, vendo alguns programas de televisão sobre Paris e arredores nos últimos dias , morri de saudade e vontade de voltar (desta vez com cartões de dois bancos diferentes pra garantir).
Me retratando e em minha defesa, passo aos atenuantes do crime de "parisfobia":
Reservei meses antes um hotel sugerido por Flavitcha em Montmartre, o bairro dos Exist4encialistas dos anos 50, o bairro do meu imaginário, me sentindo a própria Simone de Beauvoir.
Gostei do hotel.
Primeiro erro: cheguei dia 30 de dezembro. Os cafés não estavam civilizados, calmos, cheios de mesas livres e algumas esparsamente ocupadas por alguns circunspectos intelectuais Existencialistas(até servia um pós-moderno, ok) nas mesmas mesas , com uma xícara de café , lendo e tomando notas manuscritas, onde se sentaram Camus, Sartre,ou mesmo os vivos, como Dejours etc. Estavam tomados por hordas de turistas histéricos porque o Reveillon, para eles, deve ser sinal de fim do mundo. Pior do que Copacabana. Meu mundo construído desde que descobri o Existencialismo caiu ali, na hora.
Pior: viajei confiando apenas no Banco do Brasil e o cartão foi bloqueado para saques, débito e crédito, sem justificativa, a não ser o sistema considerar operações suspeitas eu pagar o próprio cartão em meu nome e tirar um extrato, dentro da agência.Os funcionários, mesmo diante de meu passaporte, cartão , identidade brasileira e tudo o que vcs podem imaginar, me mandaram rudemente resolver na minha agência, como seu eu pudesse me teletransportar de Paris ao Rio de Janeiro sem um centavo na carteira(alguns).
Sim, mesmo tendo viajado um dia após terminar a maratona de correção de provas, eu havia tomado TODAS as providências , incuindo a autorização para usar o cartão no exterior. E não limitei o pedido de autorização de uso à Bélgica, que seria meu "quartel-general", mas a toda a Europa, para o caso de eu me deslocar. Não deu certo.
E, de um modo bem surrealista, o próprio banco me manda um SMS com a seguinte frase: "Operação suspeita em seu cartão, procure seu gerente". Mostrei à fucnionária para provar, mais uma vez, que eu era eu mesma, pois o SMS havia sido enviado para o celular cadastrado.
Mais motivos para o choque e a parisfobia: Como disse, cheguei à cidade em 30 de dezembro. Furada total: filas e aglomeração em tudo.. Impossível entrar em um Museu ou Galeria, mesmo com passe rápido. Todos compraram o passe rápido.
Logo na chegada, meu filho, o cruel, comete uma incrível maldade.
Chegamos ao hotel por volta das 15 horas e combinamos: a gente desce, almoça rapidinho neste japonês aqui ao lado porque todos os restaurantes estão fechados, como é comum na Europa,onde só servem almoço entre 11 e no máximo 14 horas.
Então, o combinado era: fazer o check in no hotel, descer pra comer no japonês ao lado , subir para descansar e sair para passear à noite.
Em vez de falar a verdade (ele tinha encontro marcado para a noite) porque eu não tenho medo de me aventurar sozinha, a criatura desalmada que se diz meu filho, foi me enrolando, como procede quando quer fazer o que ELE quer, pra me desmontar pelo cansaço e me desovar no hotel para ir namorar à noite. "Não, aqui não, vamos virar a esquina e procurar algo melhor".
De "virando a esquina" em "virando a esquina", ele me levou ao alto da Basílica de SacreCoeur PELA ESCADARIA E NÃO DE TÁXI.
Eu ,ao contrário do fim da viagem, estava mega sedentária porque viajei um dia após entrar em férias e ainda cansada dos voos e me recuperando do jantar assassino da noite de Natal que, como disse outro dia, foi uma massa assassina do único restaurante aberto na noite de Natal. O desnaturado trocado na maternidade não havia comprado nem um miojo para receber a mãe, que chegou dia 24 de dezembro à noite. A primeira frase ouvida no aeroporto não foi: Mãezinha, que saudades, te amo!!! Não, que nada!. "Ih, mãe, foi mal, não comprei nada e todos os mercados e restaurantes estão fechados e na minha casa não tem nada de comer".
Então, três dias depois, ainda estava passando mal com a massa assassina dos muçulmanos que eram os únicos que abriram o restaurante na noite de Natal em Leuven e com o kebab de carneiro no dia 25.
Eu só passava mal, desde o dia que havia chegado, por causa da massa assassina e porque ainda não havia descoberto que a água do apartamento dele me fazia mal, eu só podia tomar água mineral.
Ao final da viagem, eu estava atlética porque fazia minha corrida todos os dias, mas me obrigar a subir ao alto de Montmartre naquele estado devia dar cadeia para filho desnaturado.
Bom, e vamos subindo escada, subindo escada. Eu falando: Felipe, preciso comer, minha glicose está no subsolo III.Ele: "ah, não, mãe, lá em cima tem um monte de lugares legais pra comer de frente à vista da cidade."Criatura, eu não quero vista nenhuma porque a minha já está turva de hipoglicemia, daqui a pouco eu desmaio (mas filho sempre acha que mãe exagera e faz drama)
E ia me subindo um ódio mudo no coração, a cada degrau. Eu não podia nem queimar glicose falando, então me calei, emburrada.
De repente, tomei uma decisão: literalmente empaquei entre um e outro lance de escada e falei , ao ver um restaurante aberto no meio do caminho: se vc quiser subir, vc sobe, mas eu preciso comer ou MORRO agora de hipoglicemia! Fui!
Entramos, eu com os olhos totalmente turvos, os neurônios em pré-colapso e só havia naquele horário duas opções: Um mega filé com fritas ou Bife Tartare com salada. Lembrei apenas, naquele estado de semicoma, de que bife tartare era prato de "gourmet" do programas da GNT e Cia, e o tal mega filé era "envolto em capa de gordura". Preferi arriscar o Tartare.
Eu tinha me esquecido COMPLETAMENTE de que Tartare é carne crua batida na faca até virar um tipo de carne moída feita à mão, Gente, mais uma vez, eu simplesmente quase MORRI. Carne crua. E carne europeia, com um cheiro horrível.
Recomposta, pelo menos quanto ao índice glicêmico, continuei a subir. Filas, filas, filas e aglomeração para entrar na Basílica. Milímetros na murada do mirante disputados quase a tapa para ver uma nesga da cidade lá embaixo. O mundo inteiro havia decidido passar o Reveilllon em Paris. E todos resolveram ir a Sacre Coeur no mesmo horário, eufóricos.
Tudo isto com frio, chuva e vento. E cansaço.
Descemos e, obviamente, eu capotei na cama do hotel porque esta aventura levou umas 5 horas. Sim, a malvadeza não tinha acabado: na volta, Felipe quis me mostrar o "Bairro dos meus sonhos" da vida inteira, Montmartre, todo de uma vez, ponta a ponta. E se vc estiver exausto, com o bife tartare ofendendo seu fígado, p. da vida após a confissão do desalmado de que havia marcado encontro com uma menina da Universidade para mais tarde, por isso preferiu me levar pra passear cedo,mas não mee falou para não me magoar, jamais discuta com um leonino porque é SEMPRE derrota.
Se a criatura tivesse me avisado, eu não teria problema nenhum em sair sozinha e deixá-lo ir para a night. Pegaria um táxi para subir até Sacre Coeur. Sei ler mapas. Gosto de andar sozinha, mas ele "nao queria me magoar". Aff.
Fui seguindo, resignada, aquela criatura que há 30 anos botei no mundo,troquei fraldas,levei golfada, na vã esprança de uma boa surpresa, mas TODAS as lojas estavam fechadas, eu não conseguia entrar em uma livraria, uma papelaria.
Até o meu perfume, que é o Parisienne, de YSL, estava BEM mais caro lá, na sua cidade de origem, em Euros, do que no Barra Shopping.Era o que eu via pelas vitrines. Fechadas.
Outra ilusão desfeita: não, eu não ia voltar ao Brasil munida de um belo estoque de Parisienne.
Ok, capotei e fiquei vendo televisão, que só passa programas franceses ou dublados em francês, tamanha a anglofobia. Era bem divertido ver "Friends" dublado em francês. Esta foi minha primeira noite em Paris. E o desalmado que carreguei no ventre por nove meses, partiu serelepe para a balada.
Dia 31. Tudo o que eu comia na Europa, desde que desembarquei na conexão em Frankfurt, quase me matava. (Calma, depois de uma semana eu descobri os segredos e passei os melhores 40 dias de alimentação saudável e gostosa da minha vida - feita por mim).
Mas carne europeia, definitivamente não foi feita para mim. Devem me faltar as enzimas. Até o cheiro de passar em frente a um açouque revira meu estômago. Se for morar lá um dia, darei adeus à carne vermelha, de frango e similares . Serei vegetariana, com exceções para peixes e frutos do mar.
Saímos para almoçar .Felipe, pra variar, acordou tarde e perdeu o café da manhã do hotel, que tomei sozinha, cruzando com ele no elevador, que chegava da night. Obviamente perdemos os horários para escolher onde almoçar. Mais uma vez, a comida, única disponível, uma massa, quase me levou ao UPA de lá, se lá houvesse UPA.
Bom, não preciso dizer que meu reveilllon não foi o espocar de Luzes na Torre Eiffel que havia programado. Minhas amigas Flávia e Bia, que estavam na cidade e haviam combinado de passarmos todas juntas, que o digam.
Programação do dia 31 : cama, sal de frutas, coca cola, cama e uma voltinha no quarteirão. E Felipe dormindo porque teria festa. Me levaria à torre para ver os fogos, me desovaria no metrô e dali mesmo partiria para uma festa.
Dia primeiro, mais ou menos a mesma coisa.
Dia dois de janeiro, a programação seria: Acordar cedo (ok), fazer os passeios típicos, ir na livraria que Monica Paranhos havia me indicado para Sociologia do Trabalho (eu não falo nada de francês, mas com a ajuda de uma gramática e dicionário consigo ler,(necessito) porque as melhores pesquisas sobre Mundo do Trabalho são as nossas e as francesas. Embarcaríamos para Bruxelas à noite. Saímos para o passeio, mas antes eu ia dar uma passadinha na agência do BB para pagar as contas e sacar.
Enquanto Felipe dormia, eu já tinha olhado o mapa do metrô e feito as anotações de todo o "meu" roteiro, minuciosamente.
Gente, aquelas fotos em Champs Elyséés , Arco do Triunfo,Notre Dame , Louvre etc escondem os momentos de angústia. Quem vê foto de Facebook não vê coração.
Eu e Felipe pendurados no celular O DIA INTEIRO,entre um ponto turístico aboletado de visitantes e outro, tentando falar com meu gerente do BB no Rio. Filas imensas em todos os museus .
Desisti.
Sentei no Jardim do Museu L'Orangerie (como se chama mesmo o Jardim, Daniela Valla? ) e chorei.
O único momento realmente emcocionante foi sentar-me à beira do Sena, com os pés quase tocando a água.Ali, esqueci tudo e "cheguei" a Paris.
Bom, decidimos ficar mais uma noite em Paris, até porque a diária já tinha virado. já tínhamos perdido o horário do embarque e pagaríamos a conta do hotel no dia seguinte com o cartão da conta estudantil do Felipe (com todo o saldo que comporta uma conta de estudante). A sorte é que já tinhamos pagado as outras diárias na entrada. E pra comer tínhamos uns Euros, juntando as moedas (brincando).
Gente , ao voltar a Leuven, me apeguei, claro, foi um momento de libertação, aconchego e enamoramento. Além disso, o cartão funcionava.
Me apaixonei pela cidade , descobri todos os vegetais, os cogumelos frescos, os camarões enooooormes mais baratos do que carne moída, a água mineral que não me fazia mal, a pista de corrida do condomínio, o supermercado em frente à portaria, com caixas de meio quilo de shitakes frescos a 39 centavos. Endivias!!!!Caríssimas e murchinhas aqui no Brasil, lá eram "capim". Sim, descobri que as endivias (poucos centavos uma bandeja com 5 lindas) sao uma mutação da chicórea, produzidas em bunkers sem luz na segunda guerra pelo jardineiro do Jardim Botánico de Bruxelas. Baratíssimas. Assim como a "couve de Bruxelas".
Descobri a linda feira de bugigangas de sábado à tarde, a segurança do lar, uma igrejinha simpática com pessoas simpaticas na saida do condominio e a Catedral de Leuven, majestosa.Alternava as missas semanais entre uma e outra. Amei Leuven,
O que mais eu podia sentir?
Um ódio profundo de Paris e um amor infindo pela Bélgica.
Agora preciso voltar a Paris em um período normal, sem hordas de turistas, com cartões de dois bancos e usufruir tudo o que a cidade representa.
Estou perdoada, meninas e meninos?
Levei seis meses, mas me retratei.
Claro que os ratos nas escadas do metrô e toda a sujeira da cidade fora da área de Champs Elyséés, o mau-humor com os não-francófonos (e olhem que meu filho domina ingles muito bem, a contrário de mim, que apenas me comunico) foram apenas a cereja do bolo dessa "desgraceira" toda. Bora em Paris fora de temporada?
sábado, 28 de junho de 2014
Repensando Paris.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Amizade . Namorizade. Humanidade.
Será que existe amizade assim? E se há, estamos sabendo vivê-las na plenitude, antes que seja tarde demais? No nosso cotidiano, que é onde precisamos? Ou nos fechamos em nossos nichos?
Sabemos que temos amigos com quem podemos contar.
Sabemos que a verdadeira amizade não se desfaz com o tempo e a distância. Claro, isto é verdade. Quando me encontro com amigos de décadas e sentimos que nossas afinidades são as mesmas, que, por mais que tenham sido diferentes os caminhos que tomamos na vida, "ainda somos os mesmos", fico feliz por isto.
Mas penso que estamos abrindo mão da PRESENÇA. Fico triste.
Como é bom quando estes verdadeiros amigos estão por perto o tempo todo, convimemos, vivemos com. Quando nossos melhores amigos fazem parte não apenas de datas festivas ou maus momentos (quando os temos, os dos maus momentos, estes são preciosos), mas do nosso prosaico dia-a-dia, que é quando a vida acontece.
Tenho saudades , por exemplo, do convívio cotidiano de minha amiga Maristela , porque estávamos juntas todos os dias . Ela morava sozinha e passava na minha casa na volta do trabalho para colocarmos a conversa em dia. E todo dia tinha conversa. Quebrei o pe e ela ia levar o pão e o jornal para mim todos os dias, antes de ir para o trabalho.
Tenho nostalgia das amizades de adolescência que se alimentavam da presença, da rotina. Como amo a rotina, tão mal-afamada. Amo a boa rotina, aquela que enriquece e encanta, em lugar de entediar.
Temos dedicado tempo ao cultivo de amigos que têm/ podem ter este papel em nossas vidas? Tenho encontrado e deixado passar muitas pessoas assim.
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
Sempre pensei que só a duração do tempo consolidaria uma amizade assim, mas a vida me ensinou, especialmente nos últimos três anos, situações opostas. Amizades de décadas que se diluiram por anemia . desmaiando aos poucos, ou por mal súbito, decorrente de intoxicação silenciosa de longo tempo. E também o contrário: surpreendentes afinidades de almas à primeira vista. Algumas destas boas surpresas, temos conseguido alimentar, e daria como UM exemplo minha querida Veronica Cunha. (Não fiquem com ciúmes). Outras, como Verônica de Fátima, não temos conseguido. Não fiquem com ciúmes, em ambos os grupos as VErônicas são apenas um exemplo porque não poderia listar todos assim.
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Vivi algumas experiências de "Tarde demais" nos últimos anos. Chega.
Pensem na letra da Canção a que me referi no início:
Humano Amor de Deus
Pe. Fábio de Melo
Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Quando a solidão doeu em mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Quando os meus sonhos vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Que Deus me ama
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Tormentas e Mutações
Tormentas e mutações. Estou vivendo isto. Passo a passo. Dia a dia. Às vezes, minuto a minuto. Surpresas com a corrente de energia positiva que se forma quando nos abrimos a ela. Com o lugar-comum e paradoxal que diz que , fazendo o bem, desinteressadamente, você o recebe de volta em forma de bênçãos supreendentes.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Gratidão
Gratidão:
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
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