Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:
Outro dia, li uma citação, cuja autoria não guardei, desculpem. Dizia assim: "Quem tem convicção de sua religião não se incomoda com a dos outros".
Para mim, amizade é sagrada. E ponto. Sem vírgulas, sem orações subordinadas, sem condicionalidades. Sou seu amigo. ponto. Não é seguido de vírgulas, de "se", "desde que" "só se vc for igual a mim". Amizade não é espelho.
Todos sabem que sou católica, procuro praticar os ensinamentos de Cristo e tenho plena consciência de muitos limites que tenho nesta caminhada. E nem tenho a pretensão de ser uma seguidora-perfeita, operária-padrão de Jesus. Eu sei que Ele conhece o meu coração e compreende meus erros e minhas tentativas de segui-Lo, em um de seus maiores mandamentos: Amar ao próximo como a si mesmo.
Sei também que nem sempre minhas opiniões são as mesmas que toda a Igreja manifesta, mas estudo com afinco a Doutrina, no Catecismo da Igreja Católica, além da própria Bíblia, lógico. E penso, reflito, estou sempre disposta a rever minhas opiniões.
Ocorre que uma convicção eu tenho , como cidadã , como cristã e como professora. O Estado é laico e deve legislar para toda a socidedade (utópico em uma sociedade de classes, onde não existe a "vontade geral", mas interesses antagônicos), Mas insisto em que o Estado deve pautar-se pela ética da laicidade, não devem existir bancadas religiosas, as casas legislativas não votam doutrinas religiosas, nem catequeses, nem morais específicas para determinadas religiões.Votam politicas públicas para TODOS os cidadãos (na maioria das vezes, para a classe dominante)
Não tenho como critério de voto, ser da mesma religião que eu. De que adianta eu votar em um católico, que vai votar que os 10% do PIB devem ir para a iniciativa privada? Ou nas parcerias e OSs , como me aconteceu (e vou dar nomes: votei no Robson Leite, católico, que me decepcionou quando votou a favor da privatização da saúde por meio das OSs e falei isto pessoalmente a ele. ) Assim como Alessandro Molon, a quem muito admiro, mas que continua no PT, partido que abandonou há muito as causas populares. Ambos são parlamentares sérios, mas não me representam politicamente pelo mero fato de serem católicos, Molon, inclusive, de 'minha" Paróquia, onde frequentei por anos em Copacabana. Mas, como apoiar alguém que governa com a Dilma? E o legado da Copa etc? Fui militante da época de fundação do PT, mas este mudou muito. Atualmente voto no PSOL, cujos candidatos nada têm a ver com minha religião (alguns têm), mas me representam em muitas questões políticas (nem todas). Considero ser o "menos pior".
Cada religião tem seus valores, sua moral, que deve ser seguida por aqueles que a ela aderem voluntariamente, e deixar o Estado legislar para todos. Ate´o Papa "Chiquinho" já deu sinais de que pensa assim.
Não é porque, em minha religião, a Bíblia é o livro Sagrado, que eu acho que deva sê-lo , à força, para todos. Nem que eu tenho uma PROCURAÇÃO DE DEUS para me considerar "salva" e aos outros, não. Penso assim, como sabem os meus alunos.
Fico triste porque tenho perdido "amigos" por isto. Pessoas que se afastam porque minha opinião "escandaliza".
Antes de ser uma cidadã, eu sou, no âmbito do exercício de minha vida profissional, uma educadora, e, por esta razão, uma representante do Estado de Direitos. Toda escola/faculdade/ mesmo que privada, é concessão do Estado , E, por lei, é laica, a menos que seja credenciada como confessional.
Sempre digo, minha profissão é laica, mas eu e meu facebook somos pessoais e cristãos.
Só que há pessoas, muitas vezes recém-"convertidas"(assim se acham porque conversão é um processo de toda a vida), muitas delas com um passado nada invejável do ponto de vista daquilo que condenam hoje, que simplesmente se dão ao desfrute de agir como o DIABO. Sim, estou falando diabo, pela origem etimológica: aquele que divide. Dia (divisão).
Uma pena.
Pessoas que criam guetos, clubinhos em torno da Bíblia e de sua interpretação para julgar, para determinar aquilo que em, SUA opinião, é o joio e o trigo.
Eu e minha amiga Aída Bárbara vivemos uma situação bem parecida quanto a isto, por vezes dentro da Igreja.
Muitos católicos, ate´mesmo o Padre Fábio de Melo, que é uma pessoa culta e tem a mente aberta e um coração cristão.
Sem falar em relação a membros de outras religiões cristãs, que se consideram donas da verdade.
Acaso Jesus lhes assinou uma procuração?
Acham que a Bíblia, ou melhor, a sua interpretação, é uma procuração para "separar o joio do trigo", segundo seus critérios?
Acho que Jesus correria desta gente. Aliás, ele correu mesmo.
De que as pessoas intolerantes têm medo?
De que alguma reflexão, alguma flexibilidade ponha a nu o que jogaram para baixo do tapete em nome de uma "conversão" prepotente, soberba?Em nome da vanglória?
Querem ser mais "cristãos" do que o próprio Cristo.
Digo isto porque percebi afastamento de pessoas que, cansadas de me advertir inbox por minhas posições "não-cristãs" (????!!!!!!!), simplesmente passaram a me ignorar.
Gente, se defender os direitos humanos daqueles que sofrem violência e preconceitos, sejam muçulmanos na Faixa de Gaza, homossexuais,umbandistas e candomblecistas que sofrem preconceito na escola significa ser anticristão, eu não sei o que é ser cristão. Porque Cristo, para quem leu a Bíblia, não usava este critério para separar o joiio do trigo, mas a pureza de coração.
Eu não sou muçulmana, nem umbandista, nem kardecista, nem candoblecista,nem homossexual, nunca pratiquei um aborto - penso que não faria, mas nunca me vi na situação de uma gravidez indesejada, Poderia ter cometido e hoje ter me arrependido. Mas tenho amor humano por todas as pessoas, ou melhor, amor humano, não, ,as aquilo que penso que é o amor cristão.
Conheço muitos homossexuais e ateus que têm muito mais Deus no coração do que pessoas que acham que Bíblia é desodorante (não tiram debaixo do braço), mas que julgam , apontam o dedo, decidem que é salvo e quem não é.
Bom, é isso.
Tenho minha religião, sou feliz com ela, e não me incomodo com as escolhas ou orientações alheias, desde que não causem o MAL.
Não quero fazer do cristianismo, por ser maioria, um instrumento de dominação e fonte de sofrimento aos outros. No mínimo, isto só acaba por afastar ainda mais as pessoas de Cristo.
Tenho maravilhosos amigos protestantes (aliás, um imenso número) que não pensam assim, mas ,em compensação, outros, não suportam . Me "toleram" ate´certo ponto, depois me ignoram.
Uma pena.
E se fosse por "direito adquirido", foi a Igreja Católica que foi criada por Cristo. Um exemplo : o kardecismo tb vê Jesus como Mestre - posso até não concordar com sua doutrina, se for o caso, mas não posso falar por eles, e se eles falam que Jesus é seu Mestre, quem sou eu pra me achar dona de Jesus?
Se o problema é porque, por exemplo, o Kardecismo foi criado por um homem e não por Deus, o que era Lutero? Algum Deus? Então há outros Deuses?
Se eu pensasse assim, poderia me vangloriar de que a minha religião foi a única criada por Cristo pessoalmente, na Última Ceia, ao instituir a Eucaristia, na Cruz, onde nos entregou a João e Maria como respectivamente irmãos e filhos, e quando , antes de subir aos Céus para enviar o Espírito Santo, designou Pedro como o líder de Sua Igreja.
Como os intolerantes responderiam a isto?
Vamos conhecer a fundo nossa própria religião, realizar exames de consciência sinceros e honestos, vamos pregar o amor cristão acima de diferenças. Acho que o ecumenismo não consiste em misturar estações, dogmas, doutrinas e rituais, cada religiião tem os seus, mas em AMAR a todos.
Deus ama a todos como todo bom Pai; como os cinco dedos das mãos. Cada um com um tamanho, um formato, uma função, mas vindos do mesmo punho, que é o AMOR,
Que vivamos mais o AMOR e menos a disputa sobre quem tem procuração de Jesus.
Não tenho medo das outras religiões. Nem haveria motivo para isto. Tenho medo de quem as usa (inclusive a minha) para matar física ou psicologicamente.
Tem gente que vê o diabo em tudo. Será que vivem com um espelho na mão? Só nos incomoda, aquilo que está reprimido, recalcado dentro de nós, conforme Freud. E só causa desequilibração, segundo Piaget, aquilo que mexe com nossas estruturas de pensamento.
Claro que tenho minhas convicções morais,não sou uma pessoa "em cima do muro", só não tenho a pretensão de achar que sou melhor ou mais certa do que alguém por isto.
E continuo com a pulga atrás da orelha. Se a moral da Igreja é contra o aborto (corretíssimo,tb sou, como cristã, mas acho que isto é uma questão de Saúde Pública e deva, do ponto de vista do Estado, ser votada nesta condição- nenhuma mulher fará aborto porque a lei permite.). Como diz o Apóstolo Paulo: Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém.
Mas voltando à pergunta que não quer calar: o critério para condenar o aborto não é a vida cerebral,mas os batimentos cardíacos (vide fatos de fetos anencéfalos, cujo aborto a Igreja condena, ok, concordo). Mas este critério não é o mesmo para a distanásia (desligar as máquinas enquanto o coração ainda bate).
Realmente, não entendo.
Queria muito entender.
Dois pesos e duas medidas?
Só porque um ser vegetativo gera custos ao sistema de Saúde? Tenho um "grilo" com doação de órgãos por isto. Desligar as máquinas com o sujeito ainda vivo, para salvar outra vida, é válido até que ponto? Se a morte cerebral o condena a morrer, o feto anencéfalo tb.
Só queria entender, mesmo!
E quanto à doação de órgãos, a genética já dispõe de métodos para criar órgãos a partir de células tronco,que não precisam de embriões sacrificados, mas é muito mais barato desligar as máquinas de um moribundo.
Então, a gente não acredita em milagres?A getne não acredita mais que Deus é o Senhor da vida e da morte? Que só Ele pode decidir a hora de nossa partida?
Então se o feto não tem cérebro, a Igreja condena o aborto, mas o moribundo, que ainda o tem, mas parou de funcionar merece morrer antes da hora decidida por Deus? Mesmo mantido por máquinas, haverá uma hora que Deus decidirá.
Pronto Falei.
domingo, 27 de julho de 2014
Pensando em amizade, diversidade e intolerância religiosa, de orientação de gênero, sexual etc:
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Machismo, "mulher moderna", minha caretice, as "mulheres caçadoras" etc
Machismo, "mulher moderna", minha caretice e o assédio (guerra aberta) da pianista e da cardiologista sobre o Gianechinni. Vergonha alheia.
Eu sou a única pessoa que acha ridículo ver duas mulheres brigando abertamente pelo Gianechinni na novela?A pianista e a cardiologista?Ou, na vida em geral, uma mulher quase "estuprando" o cara que ela cismou que quer conquistar? O mundo está assim mesmo? Sei que, na novela, ele é "o" Gianechinni, mas a mulher precisa se oferecer tão abertamente assim para provar igualdade na sociedade? Ai, como sou antiga! Onde fica a sutileza, meu Deus? Posso ter resíduos machistas , mas penso que a iniciativa aberta ainda deve ser do homem. Ainda acho que a dama deve deixar cair discretamente o lenço de renda, assim, como por acaso, para o cavalheiro pegar, olhá-la nos olhos, sentir-se apaixonado por uma moça ligeiramente autopreservada, e não receber os xeque-mates que as duas estão dando no rapaz. Tá bom, gente, eu passei a adolescência lendo "A Moreninha", "Senhora", "A mão e a luva", "Amor de Perdição". "Helena" (não as do Manoel Carlos).Na pior das hipóteses, os romances quase causadores de diabetes, de tão melosos, da Barbara Cartland. Devorávamos os livros e trocávamos com as colegas da escola. Série Sabrina e fotonovelas, então, passavam de mão em mão. Saudade dos tempos em que as adolescentes não cresciam vendo os protótipos da mulher moderna vulgar no BBB, bêbadas, se oferecendo. Ou sóbrias, se oferecendo, como numa xepa de feira.
Não é porque podemos pagar nosso próprio aluguel e supermercado (e comprar uma bolsinha de vez em quando em 5 vezes no cartão) que precisamos ser oferecidas.
Li um livrinho "bobo" há alguns anos: "Ele simplesmente não está a fim de você" (o filme foge ao roteiro, não tem nada a ver). O livro demonstra com fartos exemplos que, quando o homem tem interesse, ele vai demonstrar, não se preocupe em sair se declarando antes que outra tome o "seu lugar", como se ele fosse o último copo de água mineral sem gás no deserto. O livro usa argumentos como: ainda que o avião dele faça um pouso forçado sobre o mar, ele sairá nadando para lhe encontrar, Que nem duas pernas quebradas o farão faltar ou adiar um encontro, se ele tiver interesse. Mas, como ele prefere fugir de uma manada de elefantes cor de rosa pegando fogo (é o livro que diz) a dizer não a uma mulher, vai te dizer sim por uma noite e depois se transformará em Wally (onde está o wallly?versão avançada).
E não, o telefone dele não está com defeito: ele simplesmente não está a fim de você.
Sou antiga mesmo, do tempo da paciência, do jogo de aproximação onde um vai lendo os sinais do outro (e tomando um vidro de semancol se percebe que a outra pessoa não está mantendo o ritmo, saindo discretamente do campo).
Bom, espero que pelo menos minhas sobrinhas leiam que existem outros modos de ser entre a mulher oprimida, dominada, submissa, dependente, que precisa tolerar humilhações, e essa espécie de raça caçadora´-furiosa, sem nenhum glamour, nem sutileza, nem feminilidade.
Choquei conversando com meu irmão no dia do último jogo. A coisa tá tão feia, que muitas mulheres contratam um serralheiro ou eletricista e ficam desfilando de calcinha e sutiã dentro de casa, dizendo: Ah, desculpe , dentro de casa eu costumo andar à vontade. Não , ele não tem o direito de estuprá-la por causa da roupa que ela está vestindo!!!!!! Mas, por outras razões, ela poderia se vestir mais adequadamente para receber pessoas em casa, a fim de não estampar na testa: "estou na seca, a perigo". Porque esse tipo de abordagem não rende nada mais do que "tirar o atraso" e depois, adeus, acredito. E a autoestima da mulher é jogada lá no subsolo 3, ela chora - porque no fundo, mesmo que diga que não, está, sim, quase sempre, procurando a "alma gêma", mas finge que não, que quer só uma saidinha, que é descolada pra ver se conquista o cara se jogando na cama mais apressada do que atacante no 28o minuto da prorrogação. Tolinha. Tadinha: Ela não sabe por que ele foi tão legal na primeira noite e sumiu depois. (Olha os efeitos colaterais da insônia na vida de uma pessoa; Estava agora , no meio da madrugada, vendo o capítulo de ontem no site do GShow e já começo a "viajar".)
Pedras das "feministas". Quer saber? Minha história de vida me autoriza a dizer o que penso, Graças a Deus, nunca vivi à custa de ninguém, nunca precisei explorar homem, nunca me senti tão desvalorizada a ponto de sustentar homem em troca de companhia, entao não preciso provar que "sou feminista" só porque acho que o feminismo não consiste em criar homens de batom. Mulheres que , tal qual o homem machista, pensam que sua independência socio-economico-cultural lhes dá o direito de ser quase uns tratores. Viva o Glamour e a Diveza. O homem que prefere as periguetes não te merece, menina.
Eu sou a única pessoa que acha ridículo ver duas mulheres brigando abertamente pelo Gianechinni na novela?A pianista e a cardiologista?Ou, na vida em geral, uma mulher quase "estuprando" o cara que ela cismou que quer conquistar? O mundo está assim mesmo? Sei que, na novela, ele é "o" Gianechinni, mas a mulher precisa se oferecer tão abertamente assim para provar igualdade na sociedade? Ai, como sou antiga! Onde fica a sutileza, meu Deus? Posso ter resíduos machistas , mas penso que a iniciativa aberta ainda deve ser do homem. Ainda acho que a dama deve deixar cair discretamente o lenço de renda, assim, como por acaso, para o cavalheiro pegar, olhá-la nos olhos, sentir-se apaixonado por uma moça ligeiramente autopreservada, e não receber os xeque-mates que as duas estão dando no rapaz. Tá bom, gente, eu passei a adolescência lendo "A Moreninha", "Senhora", "A mão e a luva", "Amor de Perdição". "Helena" (não as do Manoel Carlos).Na pior das hipóteses, os romances quase causadores de diabetes, de tão melosos, da Barbara Cartland. Devorávamos os livros e trocávamos com as colegas da escola. Série Sabrina e fotonovelas, então, passavam de mão em mão. Saudade dos tempos em que as adolescentes não cresciam vendo os protótipos da mulher moderna vulgar no BBB, bêbadas, se oferecendo. Ou sóbrias, se oferecendo, como numa xepa de feira.
Não é porque podemos pagar nosso próprio aluguel e supermercado (e comprar uma bolsinha de vez em quando em 5 vezes no cartão) que precisamos ser oferecidas.
Li um livrinho "bobo" há alguns anos: "Ele simplesmente não está a fim de você" (o filme foge ao roteiro, não tem nada a ver). O livro demonstra com fartos exemplos que, quando o homem tem interesse, ele vai demonstrar, não se preocupe em sair se declarando antes que outra tome o "seu lugar", como se ele fosse o último copo de água mineral sem gás no deserto. O livro usa argumentos como: ainda que o avião dele faça um pouso forçado sobre o mar, ele sairá nadando para lhe encontrar, Que nem duas pernas quebradas o farão faltar ou adiar um encontro, se ele tiver interesse. Mas, como ele prefere fugir de uma manada de elefantes cor de rosa pegando fogo (é o livro que diz) a dizer não a uma mulher, vai te dizer sim por uma noite e depois se transformará em Wally (onde está o wallly?versão avançada).
E não, o telefone dele não está com defeito: ele simplesmente não está a fim de você.
Sou antiga mesmo, do tempo da paciência, do jogo de aproximação onde um vai lendo os sinais do outro (e tomando um vidro de semancol se percebe que a outra pessoa não está mantendo o ritmo, saindo discretamente do campo).
Bom, espero que pelo menos minhas sobrinhas leiam que existem outros modos de ser entre a mulher oprimida, dominada, submissa, dependente, que precisa tolerar humilhações, e essa espécie de raça caçadora´-furiosa, sem nenhum glamour, nem sutileza, nem feminilidade.
Choquei conversando com meu irmão no dia do último jogo. A coisa tá tão feia, que muitas mulheres contratam um serralheiro ou eletricista e ficam desfilando de calcinha e sutiã dentro de casa, dizendo: Ah, desculpe , dentro de casa eu costumo andar à vontade. Não , ele não tem o direito de estuprá-la por causa da roupa que ela está vestindo!!!!!! Mas, por outras razões, ela poderia se vestir mais adequadamente para receber pessoas em casa, a fim de não estampar na testa: "estou na seca, a perigo". Porque esse tipo de abordagem não rende nada mais do que "tirar o atraso" e depois, adeus, acredito. E a autoestima da mulher é jogada lá no subsolo 3, ela chora - porque no fundo, mesmo que diga que não, está, sim, quase sempre, procurando a "alma gêma", mas finge que não, que quer só uma saidinha, que é descolada pra ver se conquista o cara se jogando na cama mais apressada do que atacante no 28o minuto da prorrogação. Tolinha. Tadinha: Ela não sabe por que ele foi tão legal na primeira noite e sumiu depois. (Olha os efeitos colaterais da insônia na vida de uma pessoa; Estava agora , no meio da madrugada, vendo o capítulo de ontem no site do GShow e já começo a "viajar".)
Pedras das "feministas". Quer saber? Minha história de vida me autoriza a dizer o que penso, Graças a Deus, nunca vivi à custa de ninguém, nunca precisei explorar homem, nunca me senti tão desvalorizada a ponto de sustentar homem em troca de companhia, entao não preciso provar que "sou feminista" só porque acho que o feminismo não consiste em criar homens de batom. Mulheres que , tal qual o homem machista, pensam que sua independência socio-economico-cultural lhes dá o direito de ser quase uns tratores. Viva o Glamour e a Diveza. O homem que prefere as periguetes não te merece, menina.
terça-feira, 1 de julho de 2014
A prisão de Charlinho e a tristeza/frustração de uma professora.
No final dos anos
oitenta, precisamente em 1989, eu tinha
um aluno muito carinhoso, alegre, meio gordinho, com os cabelos meio
castanho-louros cacheados.
Charles , ou Charlinho,
como era conhecido na família e pelos colegas.
Voltava sempre suado do
recreio. Esbaforido.
Estudioso.
Lembro-me de que fazia
parte da melhor turma da 4ª série. E que a família era muito presente na
escola. Ele morava na rua imediatamente paralela à minha e a escola ficava
(ainda fica) no mesmo bairro.
Certa tarde de sábado,
toca a campainha do meu portão e era o pai do Charlinho, que, se não me falha a
memória, morreu há cerca de um ano.
O pai me perguntou:
professora, a senhora já corrigiu a prova do Charlinho?
Pensei: “Eu mereço”, agora os pais vêm buscar as notas
em casa sábado à tarde.
Aí o pai justificou,
desculpando-se:
“Desculpe, professora,
mas amanhã é o aniversário do Charlinho (ou dia das crianças, não me lembro bem) e eu tinha prometido a ele que só daria
o presente e o levaria para passear se ele tirasse boas notas.
Inspirei, respirei ,
não pirei e tranquilizei o pai, sem precisar consultar as provas, pois
Charlinho era excelente aluno.
Charlinho, que estava junto com o pai, se abre
num sorriso de meio metro e fala: eu não disse?
Passei 25 anos sem notícias de Charlinho.Saí da
escola , me exonerei do Município, mudei-me para a Zona Sul (70 km daqui),
onde morei por 15 anos,e só voltei há um ano.
Mas sempre me lembrava
daquele menino com cara de anjinho barroco, como sempre me lembro de meus alunos do "primário".
Há duas semanas, cheguei
a falar aos meus alunos: vocês me perturbam tanto para saber nota, que parecem
o pai do Charlinho. A diferença é que naquela época não havia internet, então
os pais apressados batiam no meu portão. Então contei, como contara outras
vezes, o episódio do pai do Charlinho.
Como morei 15 anos longe
do bairro e voltei há um ano, nunca mais tive notícias de muitos dos meus
ex-alunos.
Logo ao voltar ao
bairro, vi a repercussão de um tiroteio que aconteceu dentro de uma boate aqui
em Campo Grande há um ano. Mas não sei quem faz o quê , nem quem são as pessoas
que fazem parte destas organizações. Nem quero saber.
Hoje, para minha
profunda tristeza, logo cedinho, ligo a televisão e vejo Charlinho, ainda gordinho, mas já sem o
sorriso e os cachinhos de anjinho barroco, cabeça raspada, preso como acusado
de um homicídio. Identificado como segurança de líderes de uma facção do poder
alternativo da região, acusado de matar um agente penitenciário que
estava na boate fazendo a segurança privada de outro líder de facção.
Não quero aqui entrar
em discussões nem julgamento de valores ou análises sociológicas sobre os poderes oficiais e paralelos
nesta região. Nem entrar no mérito da conduta de Charlinho, da prisão, nada
disto.
Aliás, meu choque foi
exatamente porque, mesmo morando de volta ao bairro não conheço, não sei quem
são as pessoas que trabalham neste poder alternativo ao poder do Estado. Para mim, são abstrações e me doeu ver que eles têm nome, uma história, tiveram uma infância, e, entre eles, estava um dos meus "pintinhos".
Não é do exercício de poderes locais que quero falar. Quando falo que são abstrações, tenho minhas razões, que não vêm ao caso. Não procuro mesmo saber quem é quem no bairro, não sou investigadora e prefiro ficar na ignorância. (E não é por covardia ou omissão - como disse, tenho meus motivos)
Não é do exercício de poderes locais que quero falar. Quando falo que são abstrações, tenho minhas razões, que não vêm ao caso. Não procuro mesmo saber quem é quem no bairro, não sou investigadora e prefiro ficar na ignorância. (E não é por covardia ou omissão - como disse, tenho meus motivos)
Quem fala aqui é uma
professora, que, se procurar em suas pastas, é bem capaz de encontrar um
bilhetinho ou um desenho de Charlinho
com uma dedicatória, um coraçãozinho,
como sua turma, a 401, gostava de fazer.
Segundo a matéria
jornalística, Charlinho ingressou na facção como entregador de quentinhas e
depois passou ao cargo de segurança , o que lhe valeu este desfecho: assassinar,
não um agente penitenciário no exercício de suas funções, mas um agente
penitenciário que, na folga, estava fazendo a segurança pessoal de outro líder de poder paralelo, assim como Charlinho
fazia a segurança do que levou o primeiro tiro. (Sem julgamento de valor, isto
não é agravante nem atenuante e nem é minha intenção).
Não gostaria de estar
no lugar da mãe do segurança que, segundo o inquérito teria sido assassinado
por Charlinho.
Quem fala aqui é a
mesma professora que alguns de vocês já leram em meu livro “Listrinho”. Uma
galinha e seus pintinhos, uma pata e seus patinhos. Uma mãe que acha que seus filhos/alunos serão sempre bebês.
Que não entende que
aquelas crianças que brincavam no recreio tiveram destinos tão diversos.
Gosto de ver, por
exemplo, que Rogério é o proprietário da maior padaria do bairro, A Padaria
Manah, um empreendedor que deu certo.
Gosto de ver, por
exemplo, outro ex-aluno de microfone em punho como jornalista na televisão, o
Caio. Aluno de quem me lembro correndo de bicicleta pela rua.
Gosto de ver a Flávia
fazendo sucesso com sua empresa “Flávia Festas”.
Gosto de saber que a
outra Flávia tornou-se professora.
Relatei em Listrinho
meu encontro décadas depois com Jorginho, me dizendo que fui a única professora
que lhe deu uma chance após 5 anos de repetência, e que depois ele não tinha
parado mais: Cursava duas universidades. Uma federal e outra privada.
Gosto de saber notícias
de meus ex-bebês, como nas histórias relatadas em “Listrinho”.
Gosto de ver o jogador Thiago Silva, que mesmo não tendo sido
meu aluno, mas estudou em outra escola pública próxima, com o bracelete de
capitão da Seleção Brasileira, emocionado, cantando o Hino Nacional antes dos
jogos da Copa. E torço para vê-lo levantando a Taça, apesar de todos os motivos
para sermos contra os gastos governamentais com a Copa.
Como disse, quem
escreve aqui é um coração de educadora, que chega a se perguntar: será que se
um dia eu tivesse falado ou feito alguma coisa diferente, durante aquele ano
inteiro em que tive Charlinho sentado à minha frente todos os dias, isto
ficaria no coração de Charlinho e ele não entraria neste caminho?
Coisa de professora.
Não quero discutir
politicamente ou sociologicamente o histórico desta forma de poder na Zona
Oeste.
Queria apenas saber o
que aconteceu entre aquele dia em que o pai ansioso bateu à minha porta para perguntar
se o Charlinho tinha tirado nota alta , merecendo, portanto, o presente de aniversário
e o dia de hoje, quando acordo, ligo a TV e vejo Charlinho algemado, de cabeça baixa, na televisão.
Não estou acusando nem
defendendo Charlinho adulto. Estou apenas tentando entender o que aconteceu entre
aquele Charlinho de 1989, o meu anjinho barroco gorduchinho e meio dentucinho, afetuoso, e o Charlinho
de 2014, procurado pela polícia há um ano, que começou entregando quentinhas e
terminou como segurança privada de um líder do poder local.
Olho nos jornais e nos sitios eletrônicos o rosto do Charlinho procurado, do Charlinho preso. O "meu" Charlinho tinha 10 anos, este tem 35. Mas em seu rosto, mudado com o tempo, eu ainda vejo alguns traços daquele menino e me chocam as legendas: "Preso o miliciano mais perigoso da Zona Oeste, o Charlinho de Cosmos".
Estou triste, muito triste. Com todo o respeito pela dor das pessoas que, porventura ,possam ter sido afetadas por possíveis ações do "Charlinho de Cosmos". Eu não falo do "Charlinho de Cosmos", procurado pela polícia durante um ano. Falo do Charlinho de 10 anos de idade, brincando no pátio da escola em 1989.
Olho nos jornais e nos sitios eletrônicos o rosto do Charlinho procurado, do Charlinho preso. O "meu" Charlinho tinha 10 anos, este tem 35. Mas em seu rosto, mudado com o tempo, eu ainda vejo alguns traços daquele menino e me chocam as legendas: "Preso o miliciano mais perigoso da Zona Oeste, o Charlinho de Cosmos".
Estou triste, muito triste. Com todo o respeito pela dor das pessoas que, porventura ,possam ter sido afetadas por possíveis ações do "Charlinho de Cosmos". Eu não falo do "Charlinho de Cosmos", procurado pela polícia durante um ano. Falo do Charlinho de 10 anos de idade, brincando no pátio da escola em 1989.
Ass: Coração ferido de uma professora. Apenas uma
professora.
sábado, 28 de junho de 2014
Repensando Paris.
Repensando Paris: Daniela VallaAlzira Espinola. Flavia Botelho, Gilda Laplace Mônica Paranhos e todos os amigos que ficaram chocados com meu "ódio à primeira vista" por Paris. (na verdade, os responsáveis são os parisienses que encontrei em minha brevíssima passagem de quatro dias, especialmente os funcionários do Banco do Brasil- neste caso, brasileiros, contaminados com o jeito rude de ser).
Meses passados, me supreendo reconsiderando, o que desmente a tese da "primeira impressao". Sim, eu acredito em "Amor à Segunda Vista"(amo um filminho com este nome, acho que com Sandra Bulock ou Julia Roberts, que penso serem a mesma pessoa).
Meses passados, coração refeito, cabeça fria, vendo alguns programas de televisão sobre Paris e arredores nos últimos dias , morri de saudade e vontade de voltar (desta vez com cartões de dois bancos diferentes pra garantir).
Me retratando e em minha defesa, passo aos atenuantes do crime de "parisfobia":
Reservei meses antes um hotel sugerido por Flavitcha em Montmartre, o bairro dos Exist4encialistas dos anos 50, o bairro do meu imaginário, me sentindo a própria Simone de Beauvoir.
Gostei do hotel.
Primeiro erro: cheguei dia 30 de dezembro. Os cafés não estavam civilizados, calmos, cheios de mesas livres e algumas esparsamente ocupadas por alguns circunspectos intelectuais Existencialistas(até servia um pós-moderno, ok) nas mesmas mesas , com uma xícara de café , lendo e tomando notas manuscritas, onde se sentaram Camus, Sartre,ou mesmo os vivos, como Dejours etc. Estavam tomados por hordas de turistas histéricos porque o Reveillon, para eles, deve ser sinal de fim do mundo. Pior do que Copacabana. Meu mundo construído desde que descobri o Existencialismo caiu ali, na hora.
Pior: viajei confiando apenas no Banco do Brasil e o cartão foi bloqueado para saques, débito e crédito, sem justificativa, a não ser o sistema considerar operações suspeitas eu pagar o próprio cartão em meu nome e tirar um extrato, dentro da agência.Os funcionários, mesmo diante de meu passaporte, cartão , identidade brasileira e tudo o que vcs podem imaginar, me mandaram rudemente resolver na minha agência, como seu eu pudesse me teletransportar de Paris ao Rio de Janeiro sem um centavo na carteira(alguns).
Sim, mesmo tendo viajado um dia após terminar a maratona de correção de provas, eu havia tomado TODAS as providências , incuindo a autorização para usar o cartão no exterior. E não limitei o pedido de autorização de uso à Bélgica, que seria meu "quartel-general", mas a toda a Europa, para o caso de eu me deslocar. Não deu certo.
E, de um modo bem surrealista, o próprio banco me manda um SMS com a seguinte frase: "Operação suspeita em seu cartão, procure seu gerente". Mostrei à fucnionária para provar, mais uma vez, que eu era eu mesma, pois o SMS havia sido enviado para o celular cadastrado.
Mais motivos para o choque e a parisfobia: Como disse, cheguei à cidade em 30 de dezembro. Furada total: filas e aglomeração em tudo.. Impossível entrar em um Museu ou Galeria, mesmo com passe rápido. Todos compraram o passe rápido.
Logo na chegada, meu filho, o cruel, comete uma incrível maldade.
Chegamos ao hotel por volta das 15 horas e combinamos: a gente desce, almoça rapidinho neste japonês aqui ao lado porque todos os restaurantes estão fechados, como é comum na Europa,onde só servem almoço entre 11 e no máximo 14 horas.
Então, o combinado era: fazer o check in no hotel, descer pra comer no japonês ao lado , subir para descansar e sair para passear à noite.
Em vez de falar a verdade (ele tinha encontro marcado para a noite) porque eu não tenho medo de me aventurar sozinha, a criatura desalmada que se diz meu filho, foi me enrolando, como procede quando quer fazer o que ELE quer, pra me desmontar pelo cansaço e me desovar no hotel para ir namorar à noite. "Não, aqui não, vamos virar a esquina e procurar algo melhor".
De "virando a esquina" em "virando a esquina", ele me levou ao alto da Basílica de SacreCoeur PELA ESCADARIA E NÃO DE TÁXI.
Eu ,ao contrário do fim da viagem, estava mega sedentária porque viajei um dia após entrar em férias e ainda cansada dos voos e me recuperando do jantar assassino da noite de Natal que, como disse outro dia, foi uma massa assassina do único restaurante aberto na noite de Natal. O desnaturado trocado na maternidade não havia comprado nem um miojo para receber a mãe, que chegou dia 24 de dezembro à noite. A primeira frase ouvida no aeroporto não foi: Mãezinha, que saudades, te amo!!! Não, que nada!. "Ih, mãe, foi mal, não comprei nada e todos os mercados e restaurantes estão fechados e na minha casa não tem nada de comer".
Então, três dias depois, ainda estava passando mal com a massa assassina dos muçulmanos que eram os únicos que abriram o restaurante na noite de Natal em Leuven e com o kebab de carneiro no dia 25.
Eu só passava mal, desde o dia que havia chegado, por causa da massa assassina e porque ainda não havia descoberto que a água do apartamento dele me fazia mal, eu só podia tomar água mineral.
Ao final da viagem, eu estava atlética porque fazia minha corrida todos os dias, mas me obrigar a subir ao alto de Montmartre naquele estado devia dar cadeia para filho desnaturado.
Bom, e vamos subindo escada, subindo escada. Eu falando: Felipe, preciso comer, minha glicose está no subsolo III.Ele: "ah, não, mãe, lá em cima tem um monte de lugares legais pra comer de frente à vista da cidade."Criatura, eu não quero vista nenhuma porque a minha já está turva de hipoglicemia, daqui a pouco eu desmaio (mas filho sempre acha que mãe exagera e faz drama)
E ia me subindo um ódio mudo no coração, a cada degrau. Eu não podia nem queimar glicose falando, então me calei, emburrada.
De repente, tomei uma decisão: literalmente empaquei entre um e outro lance de escada e falei , ao ver um restaurante aberto no meio do caminho: se vc quiser subir, vc sobe, mas eu preciso comer ou MORRO agora de hipoglicemia! Fui!
Entramos, eu com os olhos totalmente turvos, os neurônios em pré-colapso e só havia naquele horário duas opções: Um mega filé com fritas ou Bife Tartare com salada. Lembrei apenas, naquele estado de semicoma, de que bife tartare era prato de "gourmet" do programas da GNT e Cia, e o tal mega filé era "envolto em capa de gordura". Preferi arriscar o Tartare.
Eu tinha me esquecido COMPLETAMENTE de que Tartare é carne crua batida na faca até virar um tipo de carne moída feita à mão, Gente, mais uma vez, eu simplesmente quase MORRI. Carne crua. E carne europeia, com um cheiro horrível.
Recomposta, pelo menos quanto ao índice glicêmico, continuei a subir. Filas, filas, filas e aglomeração para entrar na Basílica. Milímetros na murada do mirante disputados quase a tapa para ver uma nesga da cidade lá embaixo. O mundo inteiro havia decidido passar o Reveilllon em Paris. E todos resolveram ir a Sacre Coeur no mesmo horário, eufóricos.
Tudo isto com frio, chuva e vento. E cansaço.
Descemos e, obviamente, eu capotei na cama do hotel porque esta aventura levou umas 5 horas. Sim, a malvadeza não tinha acabado: na volta, Felipe quis me mostrar o "Bairro dos meus sonhos" da vida inteira, Montmartre, todo de uma vez, ponta a ponta. E se vc estiver exausto, com o bife tartare ofendendo seu fígado, p. da vida após a confissão do desalmado de que havia marcado encontro com uma menina da Universidade para mais tarde, por isso preferiu me levar pra passear cedo,mas não mee falou para não me magoar, jamais discuta com um leonino porque é SEMPRE derrota.
Se a criatura tivesse me avisado, eu não teria problema nenhum em sair sozinha e deixá-lo ir para a night. Pegaria um táxi para subir até Sacre Coeur. Sei ler mapas. Gosto de andar sozinha, mas ele "nao queria me magoar". Aff.
Fui seguindo, resignada, aquela criatura que há 30 anos botei no mundo,troquei fraldas,levei golfada, na vã esprança de uma boa surpresa, mas TODAS as lojas estavam fechadas, eu não conseguia entrar em uma livraria, uma papelaria.
Até o meu perfume, que é o Parisienne, de YSL, estava BEM mais caro lá, na sua cidade de origem, em Euros, do que no Barra Shopping.Era o que eu via pelas vitrines. Fechadas.
Outra ilusão desfeita: não, eu não ia voltar ao Brasil munida de um belo estoque de Parisienne.
Ok, capotei e fiquei vendo televisão, que só passa programas franceses ou dublados em francês, tamanha a anglofobia. Era bem divertido ver "Friends" dublado em francês. Esta foi minha primeira noite em Paris. E o desalmado que carreguei no ventre por nove meses, partiu serelepe para a balada.
Dia 31. Tudo o que eu comia na Europa, desde que desembarquei na conexão em Frankfurt, quase me matava. (Calma, depois de uma semana eu descobri os segredos e passei os melhores 40 dias de alimentação saudável e gostosa da minha vida - feita por mim).
Mas carne europeia, definitivamente não foi feita para mim. Devem me faltar as enzimas. Até o cheiro de passar em frente a um açouque revira meu estômago. Se for morar lá um dia, darei adeus à carne vermelha, de frango e similares . Serei vegetariana, com exceções para peixes e frutos do mar.
Saímos para almoçar .Felipe, pra variar, acordou tarde e perdeu o café da manhã do hotel, que tomei sozinha, cruzando com ele no elevador, que chegava da night. Obviamente perdemos os horários para escolher onde almoçar. Mais uma vez, a comida, única disponível, uma massa, quase me levou ao UPA de lá, se lá houvesse UPA.
Bom, não preciso dizer que meu reveilllon não foi o espocar de Luzes na Torre Eiffel que havia programado. Minhas amigas Flávia e Bia, que estavam na cidade e haviam combinado de passarmos todas juntas, que o digam.
Programação do dia 31 : cama, sal de frutas, coca cola, cama e uma voltinha no quarteirão. E Felipe dormindo porque teria festa. Me levaria à torre para ver os fogos, me desovaria no metrô e dali mesmo partiria para uma festa.
Dia primeiro, mais ou menos a mesma coisa.
Dia dois de janeiro, a programação seria: Acordar cedo (ok), fazer os passeios típicos, ir na livraria que Monica Paranhos havia me indicado para Sociologia do Trabalho (eu não falo nada de francês, mas com a ajuda de uma gramática e dicionário consigo ler,(necessito) porque as melhores pesquisas sobre Mundo do Trabalho são as nossas e as francesas. Embarcaríamos para Bruxelas à noite. Saímos para o passeio, mas antes eu ia dar uma passadinha na agência do BB para pagar as contas e sacar.
Enquanto Felipe dormia, eu já tinha olhado o mapa do metrô e feito as anotações de todo o "meu" roteiro, minuciosamente.
Gente, aquelas fotos em Champs Elyséés , Arco do Triunfo,Notre Dame , Louvre etc escondem os momentos de angústia. Quem vê foto de Facebook não vê coração.
Eu e Felipe pendurados no celular O DIA INTEIRO,entre um ponto turístico aboletado de visitantes e outro, tentando falar com meu gerente do BB no Rio. Filas imensas em todos os museus .
Desisti.
Sentei no Jardim do Museu L'Orangerie (como se chama mesmo o Jardim, Daniela Valla? ) e chorei.
O único momento realmente emcocionante foi sentar-me à beira do Sena, com os pés quase tocando a água.Ali, esqueci tudo e "cheguei" a Paris.
Bom, decidimos ficar mais uma noite em Paris, até porque a diária já tinha virado. já tínhamos perdido o horário do embarque e pagaríamos a conta do hotel no dia seguinte com o cartão da conta estudantil do Felipe (com todo o saldo que comporta uma conta de estudante). A sorte é que já tinhamos pagado as outras diárias na entrada. E pra comer tínhamos uns Euros, juntando as moedas (brincando).
Gente , ao voltar a Leuven, me apeguei, claro, foi um momento de libertação, aconchego e enamoramento. Além disso, o cartão funcionava.
Me apaixonei pela cidade , descobri todos os vegetais, os cogumelos frescos, os camarões enooooormes mais baratos do que carne moída, a água mineral que não me fazia mal, a pista de corrida do condomínio, o supermercado em frente à portaria, com caixas de meio quilo de shitakes frescos a 39 centavos. Endivias!!!!Caríssimas e murchinhas aqui no Brasil, lá eram "capim". Sim, descobri que as endivias (poucos centavos uma bandeja com 5 lindas) sao uma mutação da chicórea, produzidas em bunkers sem luz na segunda guerra pelo jardineiro do Jardim Botánico de Bruxelas. Baratíssimas. Assim como a "couve de Bruxelas".
Descobri a linda feira de bugigangas de sábado à tarde, a segurança do lar, uma igrejinha simpática com pessoas simpaticas na saida do condominio e a Catedral de Leuven, majestosa.Alternava as missas semanais entre uma e outra. Amei Leuven,
O que mais eu podia sentir?
Um ódio profundo de Paris e um amor infindo pela Bélgica.
Agora preciso voltar a Paris em um período normal, sem hordas de turistas, com cartões de dois bancos e usufruir tudo o que a cidade representa.
Estou perdoada, meninas e meninos?
Levei seis meses, mas me retratei.
Claro que os ratos nas escadas do metrô e toda a sujeira da cidade fora da área de Champs Elyséés, o mau-humor com os não-francófonos (e olhem que meu filho domina ingles muito bem, a contrário de mim, que apenas me comunico) foram apenas a cereja do bolo dessa "desgraceira" toda. Bora em Paris fora de temporada?
Meses passados, me supreendo reconsiderando, o que desmente a tese da "primeira impressao". Sim, eu acredito em "Amor à Segunda Vista"(amo um filminho com este nome, acho que com Sandra Bulock ou Julia Roberts, que penso serem a mesma pessoa).
Meses passados, coração refeito, cabeça fria, vendo alguns programas de televisão sobre Paris e arredores nos últimos dias , morri de saudade e vontade de voltar (desta vez com cartões de dois bancos diferentes pra garantir).
Me retratando e em minha defesa, passo aos atenuantes do crime de "parisfobia":
Reservei meses antes um hotel sugerido por Flavitcha em Montmartre, o bairro dos Exist4encialistas dos anos 50, o bairro do meu imaginário, me sentindo a própria Simone de Beauvoir.
Gostei do hotel.
Primeiro erro: cheguei dia 30 de dezembro. Os cafés não estavam civilizados, calmos, cheios de mesas livres e algumas esparsamente ocupadas por alguns circunspectos intelectuais Existencialistas(até servia um pós-moderno, ok) nas mesmas mesas , com uma xícara de café , lendo e tomando notas manuscritas, onde se sentaram Camus, Sartre,ou mesmo os vivos, como Dejours etc. Estavam tomados por hordas de turistas histéricos porque o Reveillon, para eles, deve ser sinal de fim do mundo. Pior do que Copacabana. Meu mundo construído desde que descobri o Existencialismo caiu ali, na hora.
Pior: viajei confiando apenas no Banco do Brasil e o cartão foi bloqueado para saques, débito e crédito, sem justificativa, a não ser o sistema considerar operações suspeitas eu pagar o próprio cartão em meu nome e tirar um extrato, dentro da agência.Os funcionários, mesmo diante de meu passaporte, cartão , identidade brasileira e tudo o que vcs podem imaginar, me mandaram rudemente resolver na minha agência, como seu eu pudesse me teletransportar de Paris ao Rio de Janeiro sem um centavo na carteira(alguns).
Sim, mesmo tendo viajado um dia após terminar a maratona de correção de provas, eu havia tomado TODAS as providências , incuindo a autorização para usar o cartão no exterior. E não limitei o pedido de autorização de uso à Bélgica, que seria meu "quartel-general", mas a toda a Europa, para o caso de eu me deslocar. Não deu certo.
E, de um modo bem surrealista, o próprio banco me manda um SMS com a seguinte frase: "Operação suspeita em seu cartão, procure seu gerente". Mostrei à fucnionária para provar, mais uma vez, que eu era eu mesma, pois o SMS havia sido enviado para o celular cadastrado.
Mais motivos para o choque e a parisfobia: Como disse, cheguei à cidade em 30 de dezembro. Furada total: filas e aglomeração em tudo.. Impossível entrar em um Museu ou Galeria, mesmo com passe rápido. Todos compraram o passe rápido.
Logo na chegada, meu filho, o cruel, comete uma incrível maldade.
Chegamos ao hotel por volta das 15 horas e combinamos: a gente desce, almoça rapidinho neste japonês aqui ao lado porque todos os restaurantes estão fechados, como é comum na Europa,onde só servem almoço entre 11 e no máximo 14 horas.
Então, o combinado era: fazer o check in no hotel, descer pra comer no japonês ao lado , subir para descansar e sair para passear à noite.
Em vez de falar a verdade (ele tinha encontro marcado para a noite) porque eu não tenho medo de me aventurar sozinha, a criatura desalmada que se diz meu filho, foi me enrolando, como procede quando quer fazer o que ELE quer, pra me desmontar pelo cansaço e me desovar no hotel para ir namorar à noite. "Não, aqui não, vamos virar a esquina e procurar algo melhor".
De "virando a esquina" em "virando a esquina", ele me levou ao alto da Basílica de SacreCoeur PELA ESCADARIA E NÃO DE TÁXI.
Eu ,ao contrário do fim da viagem, estava mega sedentária porque viajei um dia após entrar em férias e ainda cansada dos voos e me recuperando do jantar assassino da noite de Natal que, como disse outro dia, foi uma massa assassina do único restaurante aberto na noite de Natal. O desnaturado trocado na maternidade não havia comprado nem um miojo para receber a mãe, que chegou dia 24 de dezembro à noite. A primeira frase ouvida no aeroporto não foi: Mãezinha, que saudades, te amo!!! Não, que nada!. "Ih, mãe, foi mal, não comprei nada e todos os mercados e restaurantes estão fechados e na minha casa não tem nada de comer".
Então, três dias depois, ainda estava passando mal com a massa assassina dos muçulmanos que eram os únicos que abriram o restaurante na noite de Natal em Leuven e com o kebab de carneiro no dia 25.
Eu só passava mal, desde o dia que havia chegado, por causa da massa assassina e porque ainda não havia descoberto que a água do apartamento dele me fazia mal, eu só podia tomar água mineral.
Ao final da viagem, eu estava atlética porque fazia minha corrida todos os dias, mas me obrigar a subir ao alto de Montmartre naquele estado devia dar cadeia para filho desnaturado.
Bom, e vamos subindo escada, subindo escada. Eu falando: Felipe, preciso comer, minha glicose está no subsolo III.Ele: "ah, não, mãe, lá em cima tem um monte de lugares legais pra comer de frente à vista da cidade."Criatura, eu não quero vista nenhuma porque a minha já está turva de hipoglicemia, daqui a pouco eu desmaio (mas filho sempre acha que mãe exagera e faz drama)
E ia me subindo um ódio mudo no coração, a cada degrau. Eu não podia nem queimar glicose falando, então me calei, emburrada.
De repente, tomei uma decisão: literalmente empaquei entre um e outro lance de escada e falei , ao ver um restaurante aberto no meio do caminho: se vc quiser subir, vc sobe, mas eu preciso comer ou MORRO agora de hipoglicemia! Fui!
Entramos, eu com os olhos totalmente turvos, os neurônios em pré-colapso e só havia naquele horário duas opções: Um mega filé com fritas ou Bife Tartare com salada. Lembrei apenas, naquele estado de semicoma, de que bife tartare era prato de "gourmet" do programas da GNT e Cia, e o tal mega filé era "envolto em capa de gordura". Preferi arriscar o Tartare.
Eu tinha me esquecido COMPLETAMENTE de que Tartare é carne crua batida na faca até virar um tipo de carne moída feita à mão, Gente, mais uma vez, eu simplesmente quase MORRI. Carne crua. E carne europeia, com um cheiro horrível.
Recomposta, pelo menos quanto ao índice glicêmico, continuei a subir. Filas, filas, filas e aglomeração para entrar na Basílica. Milímetros na murada do mirante disputados quase a tapa para ver uma nesga da cidade lá embaixo. O mundo inteiro havia decidido passar o Reveilllon em Paris. E todos resolveram ir a Sacre Coeur no mesmo horário, eufóricos.
Tudo isto com frio, chuva e vento. E cansaço.
Descemos e, obviamente, eu capotei na cama do hotel porque esta aventura levou umas 5 horas. Sim, a malvadeza não tinha acabado: na volta, Felipe quis me mostrar o "Bairro dos meus sonhos" da vida inteira, Montmartre, todo de uma vez, ponta a ponta. E se vc estiver exausto, com o bife tartare ofendendo seu fígado, p. da vida após a confissão do desalmado de que havia marcado encontro com uma menina da Universidade para mais tarde, por isso preferiu me levar pra passear cedo,mas não mee falou para não me magoar, jamais discuta com um leonino porque é SEMPRE derrota.
Se a criatura tivesse me avisado, eu não teria problema nenhum em sair sozinha e deixá-lo ir para a night. Pegaria um táxi para subir até Sacre Coeur. Sei ler mapas. Gosto de andar sozinha, mas ele "nao queria me magoar". Aff.
Fui seguindo, resignada, aquela criatura que há 30 anos botei no mundo,troquei fraldas,levei golfada, na vã esprança de uma boa surpresa, mas TODAS as lojas estavam fechadas, eu não conseguia entrar em uma livraria, uma papelaria.
Até o meu perfume, que é o Parisienne, de YSL, estava BEM mais caro lá, na sua cidade de origem, em Euros, do que no Barra Shopping.Era o que eu via pelas vitrines. Fechadas.
Outra ilusão desfeita: não, eu não ia voltar ao Brasil munida de um belo estoque de Parisienne.
Ok, capotei e fiquei vendo televisão, que só passa programas franceses ou dublados em francês, tamanha a anglofobia. Era bem divertido ver "Friends" dublado em francês. Esta foi minha primeira noite em Paris. E o desalmado que carreguei no ventre por nove meses, partiu serelepe para a balada.
Dia 31. Tudo o que eu comia na Europa, desde que desembarquei na conexão em Frankfurt, quase me matava. (Calma, depois de uma semana eu descobri os segredos e passei os melhores 40 dias de alimentação saudável e gostosa da minha vida - feita por mim).
Mas carne europeia, definitivamente não foi feita para mim. Devem me faltar as enzimas. Até o cheiro de passar em frente a um açouque revira meu estômago. Se for morar lá um dia, darei adeus à carne vermelha, de frango e similares . Serei vegetariana, com exceções para peixes e frutos do mar.
Saímos para almoçar .Felipe, pra variar, acordou tarde e perdeu o café da manhã do hotel, que tomei sozinha, cruzando com ele no elevador, que chegava da night. Obviamente perdemos os horários para escolher onde almoçar. Mais uma vez, a comida, única disponível, uma massa, quase me levou ao UPA de lá, se lá houvesse UPA.
Bom, não preciso dizer que meu reveilllon não foi o espocar de Luzes na Torre Eiffel que havia programado. Minhas amigas Flávia e Bia, que estavam na cidade e haviam combinado de passarmos todas juntas, que o digam.
Programação do dia 31 : cama, sal de frutas, coca cola, cama e uma voltinha no quarteirão. E Felipe dormindo porque teria festa. Me levaria à torre para ver os fogos, me desovaria no metrô e dali mesmo partiria para uma festa.
Dia primeiro, mais ou menos a mesma coisa.
Dia dois de janeiro, a programação seria: Acordar cedo (ok), fazer os passeios típicos, ir na livraria que Monica Paranhos havia me indicado para Sociologia do Trabalho (eu não falo nada de francês, mas com a ajuda de uma gramática e dicionário consigo ler,(necessito) porque as melhores pesquisas sobre Mundo do Trabalho são as nossas e as francesas. Embarcaríamos para Bruxelas à noite. Saímos para o passeio, mas antes eu ia dar uma passadinha na agência do BB para pagar as contas e sacar.
Enquanto Felipe dormia, eu já tinha olhado o mapa do metrô e feito as anotações de todo o "meu" roteiro, minuciosamente.
Gente, aquelas fotos em Champs Elyséés , Arco do Triunfo,Notre Dame , Louvre etc escondem os momentos de angústia. Quem vê foto de Facebook não vê coração.
Eu e Felipe pendurados no celular O DIA INTEIRO,entre um ponto turístico aboletado de visitantes e outro, tentando falar com meu gerente do BB no Rio. Filas imensas em todos os museus .
Desisti.
Sentei no Jardim do Museu L'Orangerie (como se chama mesmo o Jardim, Daniela Valla? ) e chorei.
O único momento realmente emcocionante foi sentar-me à beira do Sena, com os pés quase tocando a água.Ali, esqueci tudo e "cheguei" a Paris.
Bom, decidimos ficar mais uma noite em Paris, até porque a diária já tinha virado. já tínhamos perdido o horário do embarque e pagaríamos a conta do hotel no dia seguinte com o cartão da conta estudantil do Felipe (com todo o saldo que comporta uma conta de estudante). A sorte é que já tinhamos pagado as outras diárias na entrada. E pra comer tínhamos uns Euros, juntando as moedas (brincando).
Gente , ao voltar a Leuven, me apeguei, claro, foi um momento de libertação, aconchego e enamoramento. Além disso, o cartão funcionava.
Me apaixonei pela cidade , descobri todos os vegetais, os cogumelos frescos, os camarões enooooormes mais baratos do que carne moída, a água mineral que não me fazia mal, a pista de corrida do condomínio, o supermercado em frente à portaria, com caixas de meio quilo de shitakes frescos a 39 centavos. Endivias!!!!Caríssimas e murchinhas aqui no Brasil, lá eram "capim". Sim, descobri que as endivias (poucos centavos uma bandeja com 5 lindas) sao uma mutação da chicórea, produzidas em bunkers sem luz na segunda guerra pelo jardineiro do Jardim Botánico de Bruxelas. Baratíssimas. Assim como a "couve de Bruxelas".
Descobri a linda feira de bugigangas de sábado à tarde, a segurança do lar, uma igrejinha simpática com pessoas simpaticas na saida do condominio e a Catedral de Leuven, majestosa.Alternava as missas semanais entre uma e outra. Amei Leuven,
O que mais eu podia sentir?
Um ódio profundo de Paris e um amor infindo pela Bélgica.
Agora preciso voltar a Paris em um período normal, sem hordas de turistas, com cartões de dois bancos e usufruir tudo o que a cidade representa.
Estou perdoada, meninas e meninos?
Levei seis meses, mas me retratei.
Claro que os ratos nas escadas do metrô e toda a sujeira da cidade fora da área de Champs Elyséés, o mau-humor com os não-francófonos (e olhem que meu filho domina ingles muito bem, a contrário de mim, que apenas me comunico) foram apenas a cereja do bolo dessa "desgraceira" toda. Bora em Paris fora de temporada?
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Amizade . Namorizade. Humanidade.
Será que existe amizade assim? E se há, estamos sabendo vivê-las na plenitude, antes que seja tarde demais? No nosso cotidiano, que é onde precisamos? Ou nos fechamos em nossos nichos?
Sabemos que temos amigos com quem podemos contar.
Sabemos que a verdadeira amizade não se desfaz com o tempo e a distância. Claro, isto é verdade. Quando me encontro com amigos de décadas e sentimos que nossas afinidades são as mesmas, que, por mais que tenham sido diferentes os caminhos que tomamos na vida, "ainda somos os mesmos", fico feliz por isto.
Mas penso que estamos abrindo mão da PRESENÇA. Fico triste.
Como é bom quando estes verdadeiros amigos estão por perto o tempo todo, convimemos, vivemos com. Quando nossos melhores amigos fazem parte não apenas de datas festivas ou maus momentos (quando os temos, os dos maus momentos, estes são preciosos), mas do nosso prosaico dia-a-dia, que é quando a vida acontece.
Tenho saudades , por exemplo, do convívio cotidiano de minha amiga Maristela , porque estávamos juntas todos os dias . Ela morava sozinha e passava na minha casa na volta do trabalho para colocarmos a conversa em dia. E todo dia tinha conversa. Quebrei o pe e ela ia levar o pão e o jornal para mim todos os dias, antes de ir para o trabalho.
Tenho nostalgia das amizades de adolescência que se alimentavam da presença, da rotina. Como amo a rotina, tão mal-afamada. Amo a boa rotina, aquela que enriquece e encanta, em lugar de entediar.
Temos dedicado tempo ao cultivo de amigos que têm/ podem ter este papel em nossas vidas? Tenho encontrado e deixado passar muitas pessoas assim.
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
Sempre pensei que só a duração do tempo consolidaria uma amizade assim, mas a vida me ensinou, especialmente nos últimos três anos, situações opostas. Amizades de décadas que se diluiram por anemia . desmaiando aos poucos, ou por mal súbito, decorrente de intoxicação silenciosa de longo tempo. E também o contrário: surpreendentes afinidades de almas à primeira vista. Algumas destas boas surpresas, temos conseguido alimentar, e daria como UM exemplo minha querida Veronica Cunha. (Não fiquem com ciúmes). Outras, como Verônica de Fátima, não temos conseguido. Não fiquem com ciúmes, em ambos os grupos as VErônicas são apenas um exemplo porque não poderia listar todos assim.
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Vivi algumas experiências de "Tarde demais" nos últimos anos. Chega.
Pensem na letra da Canção a que me referi no início:
Humano Amor de Deus
Pe. Fábio de Melo
Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Quando a solidão doeu em mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Quando os meus sonhos vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Que Deus me ama
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Tormentas e Mutações
Tormentas e mutações. Estou vivendo isto. Passo a passo. Dia a dia. Às vezes, minuto a minuto. Surpresas com a corrente de energia positiva que se forma quando nos abrimos a ela. Com o lugar-comum e paradoxal que diz que , fazendo o bem, desinteressadamente, você o recebe de volta em forma de bênçãos supreendentes.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Gratidão
Gratidão:
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Urgência de viver!
Urgência de viver!
Tenho sentido um apelo de urgência. Preciso viver! Já! Antes que seja tarde!
Minha alma grita por isto. Meu corpo somatiza a violência da
vida que estou levando.
Preciso da minha vida.
Preciso de tempo.
Esta urgência grita a cada dia.
São as perdas? É o efeito de ter visto 8 amigos de
minha idade, partindo antes de completar os 50 anos, ou logo após, todas que
passaram suas vidas trabalhando insanamente, esperando a aposentadoria para viver
a vida?
É o ritmo desumano que o excesso de trabalho, que as contingências, me impõem?
Sempre trabalhei demais, esperando o futuro.
E se esse futuro, tal qual para meus amigos, não vier? E seu eu, como eles, não aguentar esperar?
Sinto-me esgotada, desmotivada, especialmente para os rituais
acadêmicos medievais, para os "fru-frus", adulações, para as demonstrações ridículas de pequenos
poderes, para as pessoas que dão importância demais aos títulos que possuem.
Amo dar aulas. Mas os rituais da vida acadêmica, especialmente
os da "elite acadêmica" das "Grandes instituições" (atenção ao sentido irônico das aspas), têm conseguido me roubar o prazer de produzir, de
pesquisar, de escrever.
Sabem? Estou me concedendo o direito de dizer: não quero
mais. Quero viver!
Não quero perder minhas manhãs e minhas tardes em reuniões
improdutivas, com desfile de egos, que precisam se pavonear e mostrar que
sabem, que precisam de plateia, mesmo que a plateia seja composta por 3
pessoas. Cansada de presenciar alfinetadas, puxadas de tapetes (eu, pessoalmente,
já aprendi a me poupar um pouco disto desde 2007, mas , mesmo aquilo em que não
me envolvo pessoalmente, me afeta)
Estou farta dos egos neuróticos.
Estou farta das farpas.
Estou fartas das cobranças.
Estou farta da pressão.
Quero minha vida.
Minha vida nunca foi O MEU TRABALHO. Embora o ame,
especialmente o trabalho de sala de aula.
Quando falo “quero a minha vida!”, não estou falando de
grandes planos sofisticados.
Estou falando do prazer de lavar um copo dentro da minha casa, de ter uma casa que não seja apenas o lugar aonde vou para tomar banho e
dormir.
De ficar em casa.
De cuidar das plantas.
De tomar café da tarde com a família.
De cumprir todos os planos que fiz na virada do ano.
De fazer exercícios físicos.
De fazer exercícios físicos.
De estudar e escrever por prazer, não por espadas dos prazos,
deadlines.
Já passei por isto, no mestrado , no doutroado e em todos os anos como pesquisadora.
Já passei por isto, no mestrado , no doutroado e em todos os anos como pesquisadora.
Quero ter o prazer de me preparar para escrever crônicas ,estudar para isto, não só artigos
acadêmicos.
De ter tempo para viver minha espiritualidade.
Dedicar-ma às aulas de canto.
Dedicar-ma às aulas de canto.
De Conviver com quem ME interessa, com quem EU escolha.
De andar de bicicleta.
De ir à feira.
De ir à feira.
De não ver mais os feriadões só como um tempo para colocar o
trabalho em dia.
Até quando terei minha família por perto- e os de longe-
para poder usufruir o que REALMENTE conta na vida?
Reforma da Previdência, maldita!
Tenho 33 anos e 3 meses de contribuição previdenciária, o que significa que trabalhei durante este
tempo, afora otempo na informalidade, sempre em três ou quatro empregos. Mas, para aposentar agora, perderei
20%.
Ok, minha saúde vale mais.
Ok, minha saúde vale mais.
Aos cinquenta anos, sinto-me velha, cansada, exausta.
Síndrome de abstinência por não ter ânimo de ir ao teatro e
ao cinema.
Eu quero tempo, eu preciso de tempo. Antes que descubra que
não o tenho mais. Anntes que o segundo AVE deixe sequelas.
Que digam, que falem.
Vou optar por mim.
Não me importa se a aposentadoria no serviço público me fará
perder 20 % do meu salário, pelo crime de ter começado a trabalhar ainda
criança, na informalidade, aos 9 anos, e hoje, com meu tempo de vida útil desgastado, não ter ainda idade para
aposentar integralmente.
Para quem viveu uma vida como estudante profissional, como
bolsista, como filhinho de papai rico,e começou a trabalhar velho, ou que conquistou seus cargos por protecionismos, pode, fácil, falar que brasileiro é vagabundo
porque pede aposentadoria aos 50 anos de idade, quando poderia produzir, quando
está no auge na capacidade intelectual. Sei que dirão isto de mim.
Poderia realmente produzir nos mesmo ritmo que estas pessoas? Os meus 50 anos de idaade correspondem aos mesmos 50 de quem nunca começou a limpar, como eu, casa de duas vehinhas aos 9 anos de idade,ajudar em casa, a dar aulas em casa (explicadora e alfabetizadora de bairro) em tres horários aos 12, em padaria aos 14 e em escola aos 17?
E a energia já esgotada?
Sinto-me velha aos 50 anos. Isto mesmo: velha!
Quero escrever por prazer, quero aprender idiomas, quero ler
o que nunca tive tempo de ler e fui deixando.
Que falem que digam, que difamem.
Vou pedir aposentadoria da Fiocruz no final deste semestre
por uma única razão: TENHO ESTE DIREITO!!!!! Não devo nada a ninguém neste
sentido. Já trabalhei 3 anos e dois meses A MAIS em relação ao tempo de
contribuição e prefiro trabalhar mais 4 para ter direito à aposentadoria por idade. Ou seja, estou trabalhando há 4 anos “de graça” para o governo
federal.
Não quero ter outro AVE (Acidente Vascular Encefálico) em
minha mesa de trabalho, cmo tive em 22 de outubro de 2012. E, a julgar pelos
constantes picos de hipertensão, hipoglicemia e ansiedade generalizada em decorrrência de trabalhar acima dos meu
limites, isto é uma possibilidade concreta.
Quero trabalhar em um ritmo humano,dar minhas aulas com
prazer e com amor.
Hoje foi mais uma dia de conflito no entorno da Fiocruz. Uma
senhora assassinada ontem à noite. Vários jovens assassinados hoje.
Todos os dias é isso.
Cansei.
Joguei a toalha.
Chega!
Não quero engrossar as estatísticas das mortes prematuras de
meus amigos.
Vou lutar pela minha vida, pela minha saúde, pelo direito ao
que defendo: um trabalho humanizado, dentro dos limites da saúde e dignidade
humana.
Ter que publicar pelo menos duas vezes por ano artigos em Revistas
Qualis, só para atender aos critérios da CAPES, me faz perder o prazer de
produzir. O tempo necessário para amadurecer a pesquisa e não ficar repetindo
os mesmo artigos, com títulos diferentes, como – quase- todo mundo faz
Estou farta de riscos, de cobranças.
Risco de desabamento porque trabalho em um prédio que ainda
não tem dez anos,e já está condenado.
Risco de morrer em um dos conflitos cotidianos que
vivenciamos no entorno da Fiocruz. De me jogar no chão na hora do tiroteio.
Risco de trabalhar em um prédio cujas paredes estão
perfuradas de balas.
Cansada de de ler mensagens da Presidência da Fiocruz, nos
dias de conflito, pedindo para aguardar
abrir a portaria porque não há segurança.
Cansada de sair e ver tanques do Exército com fuzis apontados, dezenas de viaturas
policiais igualmente.
Cansada de sentir pânico presa a um engarrafamento, com medo
de arrastão.
Cansada de tentar vir de trem e ter pânico na Estação de Manguinhos por causa de tiroteio.
Cansada de tentar vir de trem e ter pânico na Estação de Manguinhos por causa de tiroteio.
São 33 anos de serviço público dedicados à Educação.
São 13 anos de Fiocruz.
Já dei minha cota.
Não precido mais disto.
Não precido mais disto.
Não vou mais me obrigar a viver entre tiros de fuzil e guerra de egos e tomar
um ônibus que é assaltado todos os dias.
Pra mim, já deu.
Recolhendo documentos para aposentadoria.E que falem!
Prefiro que falem mal de mim viva, a “chorarem” minha morte
por cinco minutos e depois esquecerem de minha existência, seguirem a vida. Meu
filho não vai esquecer minha existência. Meus pais, igualmente.
Cansada de ter crises de hipoglicemia, ansiedade paroxística, medicamento para dormir, e hipertensão por
aborrecimentos com as loucuras dos egos neuróticos, com os tiroteios, com as
portarias bloqueadas.
Chega!
Não estou encerrando minha vida produtiva. Ao contrário,
quero ter uma vida humanizada e produtiva, quero escrever, publicar. Ter tempo
de negociar minhas edições, pois meus livros esgotam e nem tenho tempo de
reeditá-los.
Listrinho, que relata os serviços prestados à Escola pública básica, está abandonado porque não tenho tempo de divulgar. Pedagogia do Mercado, esgotado porque não tenho tempo de reeditar.
Listrinho, para quem tem dúvidas, comprova meu compromisso profundo com a Escola básica pública.
Ja Pedagogia do Mercado, comprova um volume intenso de produção de pesquisa científica em dez anos.
Já orientei mais de uma dezena de teses de mestrado e doutorado. Literalmente centenas de monografias de graduação e pós-graduação lato-sensu.
O ego nunca me alimentou por títulos e cargos.
Está na hora de tirar meus planos da gaveta.
Dar aulas em condições humanizadas, estudar idiomas, música,
cultivar plantas, ir ao teatro, ter tempo para conviver com família e amigos. Cozinhar.
Produzir artigos e livros por prazer e necessidade
intelectual, e não por prazos.
Ler livros que estão empoeirados, esperando.
Participar de congressos para me atualizar e não para mais
uma linha no Lattes.
Pronto, falei.
E que atire a
primeira pedra, quem trabalha desde os 9 anos de idade e com contribuição previdenciária desde
os 17. Quem tem 42 anos de trabalho, aos 51 de idade.
Fui. Viver a vida.
Os compromissos assumidos até o fim deste semestre serão
respeitados.
E estou falando da aposentadoria apenas de UM vínculo, o da
Fiocruz.
“Partiu”, Ser feliz!
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