Repensando Paris: Daniela VallaAlzira Espinola. Flavia Botelho, Gilda Laplace Mônica Paranhos e todos os amigos que ficaram chocados com meu "ódio à primeira vista" por Paris. (na verdade, os responsáveis são os parisienses que encontrei em minha brevíssima passagem de quatro dias, especialmente os funcionários do Banco do Brasil- neste caso, brasileiros, contaminados com o jeito rude de ser).
Meses passados, me supreendo reconsiderando, o que desmente a tese da "primeira impressao". Sim, eu acredito em "Amor à Segunda Vista"(amo um filminho com este nome, acho que com Sandra Bulock ou Julia Roberts, que penso serem a mesma pessoa).
Meses passados, coração refeito, cabeça fria, vendo alguns programas de televisão sobre Paris e arredores nos últimos dias , morri de saudade e vontade de voltar (desta vez com cartões de dois bancos diferentes pra garantir).
Me retratando e em minha defesa, passo aos atenuantes do crime de "parisfobia":
Reservei meses antes um hotel sugerido por Flavitcha em Montmartre, o bairro dos Exist4encialistas dos anos 50, o bairro do meu imaginário, me sentindo a própria Simone de Beauvoir.
Gostei do hotel.
Primeiro erro: cheguei dia 30 de dezembro. Os cafés não estavam civilizados, calmos, cheios de mesas livres e algumas esparsamente ocupadas por alguns circunspectos intelectuais Existencialistas(até servia um pós-moderno, ok) nas mesmas mesas , com uma xícara de café , lendo e tomando notas manuscritas, onde se sentaram Camus, Sartre,ou mesmo os vivos, como Dejours etc. Estavam tomados por hordas de turistas histéricos porque o Reveillon, para eles, deve ser sinal de fim do mundo. Pior do que Copacabana. Meu mundo construído desde que descobri o Existencialismo caiu ali, na hora.
Pior: viajei confiando apenas no Banco do Brasil e o cartão foi bloqueado para saques, débito e crédito, sem justificativa, a não ser o sistema considerar operações suspeitas eu pagar o próprio cartão em meu nome e tirar um extrato, dentro da agência.Os funcionários, mesmo diante de meu passaporte, cartão , identidade brasileira e tudo o que vcs podem imaginar, me mandaram rudemente resolver na minha agência, como seu eu pudesse me teletransportar de Paris ao Rio de Janeiro sem um centavo na carteira(alguns).
Sim, mesmo tendo viajado um dia após terminar a maratona de correção de provas, eu havia tomado TODAS as providências , incuindo a autorização para usar o cartão no exterior. E não limitei o pedido de autorização de uso à Bélgica, que seria meu "quartel-general", mas a toda a Europa, para o caso de eu me deslocar. Não deu certo.
E, de um modo bem surrealista, o próprio banco me manda um SMS com a seguinte frase: "Operação suspeita em seu cartão, procure seu gerente". Mostrei à fucnionária para provar, mais uma vez, que eu era eu mesma, pois o SMS havia sido enviado para o celular cadastrado.
Mais motivos para o choque e a parisfobia: Como disse, cheguei à cidade em 30 de dezembro. Furada total: filas e aglomeração em tudo.. Impossível entrar em um Museu ou Galeria, mesmo com passe rápido. Todos compraram o passe rápido.
Logo na chegada, meu filho, o cruel, comete uma incrível maldade.
Chegamos ao hotel por volta das 15 horas e combinamos: a gente desce, almoça rapidinho neste japonês aqui ao lado porque todos os restaurantes estão fechados, como é comum na Europa,onde só servem almoço entre 11 e no máximo 14 horas.
Então, o combinado era: fazer o check in no hotel, descer pra comer no japonês ao lado , subir para descansar e sair para passear à noite.
Em vez de falar a verdade (ele tinha encontro marcado para a noite) porque eu não tenho medo de me aventurar sozinha, a criatura desalmada que se diz meu filho, foi me enrolando, como procede quando quer fazer o que ELE quer, pra me desmontar pelo cansaço e me desovar no hotel para ir namorar à noite. "Não, aqui não, vamos virar a esquina e procurar algo melhor".
De "virando a esquina" em "virando a esquina", ele me levou ao alto da Basílica de SacreCoeur PELA ESCADARIA E NÃO DE TÁXI.
Eu ,ao contrário do fim da viagem, estava mega sedentária porque viajei um dia após entrar em férias e ainda cansada dos voos e me recuperando do jantar assassino da noite de Natal que, como disse outro dia, foi uma massa assassina do único restaurante aberto na noite de Natal. O desnaturado trocado na maternidade não havia comprado nem um miojo para receber a mãe, que chegou dia 24 de dezembro à noite. A primeira frase ouvida no aeroporto não foi: Mãezinha, que saudades, te amo!!! Não, que nada!. "Ih, mãe, foi mal, não comprei nada e todos os mercados e restaurantes estão fechados e na minha casa não tem nada de comer".
Então, três dias depois, ainda estava passando mal com a massa assassina dos muçulmanos que eram os únicos que abriram o restaurante na noite de Natal em Leuven e com o kebab de carneiro no dia 25.
Eu só passava mal, desde o dia que havia chegado, por causa da massa assassina e porque ainda não havia descoberto que a água do apartamento dele me fazia mal, eu só podia tomar água mineral.
Ao final da viagem, eu estava atlética porque fazia minha corrida todos os dias, mas me obrigar a subir ao alto de Montmartre naquele estado devia dar cadeia para filho desnaturado.
Bom, e vamos subindo escada, subindo escada. Eu falando: Felipe, preciso comer, minha glicose está no subsolo III.Ele: "ah, não, mãe, lá em cima tem um monte de lugares legais pra comer de frente à vista da cidade."Criatura, eu não quero vista nenhuma porque a minha já está turva de hipoglicemia, daqui a pouco eu desmaio (mas filho sempre acha que mãe exagera e faz drama)
E ia me subindo um ódio mudo no coração, a cada degrau. Eu não podia nem queimar glicose falando, então me calei, emburrada.
De repente, tomei uma decisão: literalmente empaquei entre um e outro lance de escada e falei , ao ver um restaurante aberto no meio do caminho: se vc quiser subir, vc sobe, mas eu preciso comer ou MORRO agora de hipoglicemia! Fui!
Entramos, eu com os olhos totalmente turvos, os neurônios em pré-colapso e só havia naquele horário duas opções: Um mega filé com fritas ou Bife Tartare com salada. Lembrei apenas, naquele estado de semicoma, de que bife tartare era prato de "gourmet" do programas da GNT e Cia, e o tal mega filé era "envolto em capa de gordura". Preferi arriscar o Tartare.
Eu tinha me esquecido COMPLETAMENTE de que Tartare é carne crua batida na faca até virar um tipo de carne moída feita à mão, Gente, mais uma vez, eu simplesmente quase MORRI. Carne crua. E carne europeia, com um cheiro horrível.
Recomposta, pelo menos quanto ao índice glicêmico, continuei a subir. Filas, filas, filas e aglomeração para entrar na Basílica. Milímetros na murada do mirante disputados quase a tapa para ver uma nesga da cidade lá embaixo. O mundo inteiro havia decidido passar o Reveilllon em Paris. E todos resolveram ir a Sacre Coeur no mesmo horário, eufóricos.
Tudo isto com frio, chuva e vento. E cansaço.
Descemos e, obviamente, eu capotei na cama do hotel porque esta aventura levou umas 5 horas. Sim, a malvadeza não tinha acabado: na volta, Felipe quis me mostrar o "Bairro dos meus sonhos" da vida inteira, Montmartre, todo de uma vez, ponta a ponta. E se vc estiver exausto, com o bife tartare ofendendo seu fígado, p. da vida após a confissão do desalmado de que havia marcado encontro com uma menina da Universidade para mais tarde, por isso preferiu me levar pra passear cedo,mas não mee falou para não me magoar, jamais discuta com um leonino porque é SEMPRE derrota.
Se a criatura tivesse me avisado, eu não teria problema nenhum em sair sozinha e deixá-lo ir para a night. Pegaria um táxi para subir até Sacre Coeur. Sei ler mapas. Gosto de andar sozinha, mas ele "nao queria me magoar". Aff.
Fui seguindo, resignada, aquela criatura que há 30 anos botei no mundo,troquei fraldas,levei golfada, na vã esprança de uma boa surpresa, mas TODAS as lojas estavam fechadas, eu não conseguia entrar em uma livraria, uma papelaria.
Até o meu perfume, que é o Parisienne, de YSL, estava BEM mais caro lá, na sua cidade de origem, em Euros, do que no Barra Shopping.Era o que eu via pelas vitrines. Fechadas.
Outra ilusão desfeita: não, eu não ia voltar ao Brasil munida de um belo estoque de Parisienne.
Ok, capotei e fiquei vendo televisão, que só passa programas franceses ou dublados em francês, tamanha a anglofobia. Era bem divertido ver "Friends" dublado em francês. Esta foi minha primeira noite em Paris. E o desalmado que carreguei no ventre por nove meses, partiu serelepe para a balada.
Dia 31. Tudo o que eu comia na Europa, desde que desembarquei na conexão em Frankfurt, quase me matava. (Calma, depois de uma semana eu descobri os segredos e passei os melhores 40 dias de alimentação saudável e gostosa da minha vida - feita por mim).
Mas carne europeia, definitivamente não foi feita para mim. Devem me faltar as enzimas. Até o cheiro de passar em frente a um açouque revira meu estômago. Se for morar lá um dia, darei adeus à carne vermelha, de frango e similares . Serei vegetariana, com exceções para peixes e frutos do mar.
Saímos para almoçar .Felipe, pra variar, acordou tarde e perdeu o café da manhã do hotel, que tomei sozinha, cruzando com ele no elevador, que chegava da night. Obviamente perdemos os horários para escolher onde almoçar. Mais uma vez, a comida, única disponível, uma massa, quase me levou ao UPA de lá, se lá houvesse UPA.
Bom, não preciso dizer que meu reveilllon não foi o espocar de Luzes na Torre Eiffel que havia programado. Minhas amigas Flávia e Bia, que estavam na cidade e haviam combinado de passarmos todas juntas, que o digam.
Programação do dia 31 : cama, sal de frutas, coca cola, cama e uma voltinha no quarteirão. E Felipe dormindo porque teria festa. Me levaria à torre para ver os fogos, me desovaria no metrô e dali mesmo partiria para uma festa.
Dia primeiro, mais ou menos a mesma coisa.
Dia dois de janeiro, a programação seria: Acordar cedo (ok), fazer os passeios típicos, ir na livraria que Monica Paranhos havia me indicado para Sociologia do Trabalho (eu não falo nada de francês, mas com a ajuda de uma gramática e dicionário consigo ler,(necessito) porque as melhores pesquisas sobre Mundo do Trabalho são as nossas e as francesas. Embarcaríamos para Bruxelas à noite. Saímos para o passeio, mas antes eu ia dar uma passadinha na agência do BB para pagar as contas e sacar.
Enquanto Felipe dormia, eu já tinha olhado o mapa do metrô e feito as anotações de todo o "meu" roteiro, minuciosamente.
Gente, aquelas fotos em Champs Elyséés , Arco do Triunfo,Notre Dame , Louvre etc escondem os momentos de angústia. Quem vê foto de Facebook não vê coração.
Eu e Felipe pendurados no celular O DIA INTEIRO,entre um ponto turístico aboletado de visitantes e outro, tentando falar com meu gerente do BB no Rio. Filas imensas em todos os museus .
Desisti.
Sentei no Jardim do Museu L'Orangerie (como se chama mesmo o Jardim, Daniela Valla? ) e chorei.
O único momento realmente emcocionante foi sentar-me à beira do Sena, com os pés quase tocando a água.Ali, esqueci tudo e "cheguei" a Paris.
Bom, decidimos ficar mais uma noite em Paris, até porque a diária já tinha virado. já tínhamos perdido o horário do embarque e pagaríamos a conta do hotel no dia seguinte com o cartão da conta estudantil do Felipe (com todo o saldo que comporta uma conta de estudante). A sorte é que já tinhamos pagado as outras diárias na entrada. E pra comer tínhamos uns Euros, juntando as moedas (brincando).
Gente , ao voltar a Leuven, me apeguei, claro, foi um momento de libertação, aconchego e enamoramento. Além disso, o cartão funcionava.
Me apaixonei pela cidade , descobri todos os vegetais, os cogumelos frescos, os camarões enooooormes mais baratos do que carne moída, a água mineral que não me fazia mal, a pista de corrida do condomínio, o supermercado em frente à portaria, com caixas de meio quilo de shitakes frescos a 39 centavos. Endivias!!!!Caríssimas e murchinhas aqui no Brasil, lá eram "capim". Sim, descobri que as endivias (poucos centavos uma bandeja com 5 lindas) sao uma mutação da chicórea, produzidas em bunkers sem luz na segunda guerra pelo jardineiro do Jardim Botánico de Bruxelas. Baratíssimas. Assim como a "couve de Bruxelas".
Descobri a linda feira de bugigangas de sábado à tarde, a segurança do lar, uma igrejinha simpática com pessoas simpaticas na saida do condominio e a Catedral de Leuven, majestosa.Alternava as missas semanais entre uma e outra. Amei Leuven,
O que mais eu podia sentir?
Um ódio profundo de Paris e um amor infindo pela Bélgica.
Agora preciso voltar a Paris em um período normal, sem hordas de turistas, com cartões de dois bancos e usufruir tudo o que a cidade representa.
Estou perdoada, meninas e meninos?
Levei seis meses, mas me retratei.
Claro que os ratos nas escadas do metrô e toda a sujeira da cidade fora da área de Champs Elyséés, o mau-humor com os não-francófonos (e olhem que meu filho domina ingles muito bem, a contrário de mim, que apenas me comunico) foram apenas a cereja do bolo dessa "desgraceira" toda. Bora em Paris fora de temporada?
sábado, 28 de junho de 2014
Repensando Paris.
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Amizade . Namorizade. Humanidade.
Será que existe amizade assim? E se há, estamos sabendo vivê-las na plenitude, antes que seja tarde demais? No nosso cotidiano, que é onde precisamos? Ou nos fechamos em nossos nichos?
Sabemos que temos amigos com quem podemos contar.
Sabemos que a verdadeira amizade não se desfaz com o tempo e a distância. Claro, isto é verdade. Quando me encontro com amigos de décadas e sentimos que nossas afinidades são as mesmas, que, por mais que tenham sido diferentes os caminhos que tomamos na vida, "ainda somos os mesmos", fico feliz por isto.
Mas penso que estamos abrindo mão da PRESENÇA. Fico triste.
Como é bom quando estes verdadeiros amigos estão por perto o tempo todo, convimemos, vivemos com. Quando nossos melhores amigos fazem parte não apenas de datas festivas ou maus momentos (quando os temos, os dos maus momentos, estes são preciosos), mas do nosso prosaico dia-a-dia, que é quando a vida acontece.
Tenho saudades , por exemplo, do convívio cotidiano de minha amiga Maristela , porque estávamos juntas todos os dias . Ela morava sozinha e passava na minha casa na volta do trabalho para colocarmos a conversa em dia. E todo dia tinha conversa. Quebrei o pe e ela ia levar o pão e o jornal para mim todos os dias, antes de ir para o trabalho.
Tenho nostalgia das amizades de adolescência que se alimentavam da presença, da rotina. Como amo a rotina, tão mal-afamada. Amo a boa rotina, aquela que enriquece e encanta, em lugar de entediar.
Temos dedicado tempo ao cultivo de amigos que têm/ podem ter este papel em nossas vidas? Tenho encontrado e deixado passar muitas pessoas assim.
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
A intimidade que só o cotidiano traz. Mas que nem sempre o cotidiano traz, pois há amizades de isopor, que apenas flutuam. Estas, são muitas. Grupos que saem com frequência para amenidades, que são ótimas, necessárias e desopilantes, mas não suficientes para a humanidade que pulsa em nossa alma. Penso, entretanto, que precisamos de relacionamentos em que sejamos namorigos (sim, não escrevi namorido, escrevi namorigo). Amigo/a/namorado/a, amigo que a gente namora como amigos. Onde a amizade é tão comprometida como um namoro. (Não estou falando de amizades coloridas, nem de "ficações", nem de relacionamentos abertos.) Namorigo é o namorado/namorada sem sexo, é o "namoro" de amizade mesmo. De você se enamorar pela própria amizade, pela qualidade da presença do outro em sua vida e da sua na vida do outro.DE poder abrir o coração, de poder até ser patético. A confiança incondicional. Talvez o tão falado "Amor Àgape".
Sempre pensei que só a duração do tempo consolidaria uma amizade assim, mas a vida me ensinou, especialmente nos últimos três anos, situações opostas. Amizades de décadas que se diluiram por anemia . desmaiando aos poucos, ou por mal súbito, decorrente de intoxicação silenciosa de longo tempo. E também o contrário: surpreendentes afinidades de almas à primeira vista. Algumas destas boas surpresas, temos conseguido alimentar, e daria como UM exemplo minha querida Veronica Cunha. (Não fiquem com ciúmes). Outras, como Verônica de Fátima, não temos conseguido. Não fiquem com ciúmes, em ambos os grupos as VErônicas são apenas um exemplo porque não poderia listar todos assim.
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Queria ter e cultivar (mais) (os) "namoriGos" , com o papel que a amizade, NESTE CASO,nesta música é firmada na fé em Deus como elo.
Quem se considera meu real ou potencial namoriGo /namoriGa, chegue mais perto porque sou meio desajeitada. O bom da relação de Namorizade é que não é monogâmica (a de namoro/casamento, em minha opinião, SIM).
Como diz a canção de Caetano " Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?"
Mas a canção que trago agora é outra. "Humano Amor de Deus"
Vivi algumas experiências de "Tarde demais" nos últimos anos. Chega.
Pensem na letra da Canção a que me referi no início:
Humano Amor de Deus
Pe. Fábio de Melo
Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar
Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!
Quando a solidão doeu em mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando o meu passado não passou por mim
Quando eu não soube compreender a vida
Tu vieste compreender por mim
Quando os meus olhos não podiam ver
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Tua mão segura me ajudou a andar
Quando eu não tinha mais amor no peito
Teu amor me ajudou a amar
Quando os meus sonhos vi desmoronar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Me trouxeste outros pra recomeçar
Quando me esqueci que era alguém na vida
Teu amor veio me relembrar
Que Deus me ama
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Que não estou só
Que Deus cuida de mim
Quando fala pela tua voz
E me diz: coragem! (bis)
Tormentas e Mutações
Tormentas e mutações. Estou vivendo isto. Passo a passo. Dia a dia. Às vezes, minuto a minuto. Surpresas com a corrente de energia positiva que se forma quando nos abrimos a ela. Com o lugar-comum e paradoxal que diz que , fazendo o bem, desinteressadamente, você o recebe de volta em forma de bênçãos supreendentes.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
Surpreendo-me sentindo gratidão por tantas coisas...
Como é bom quando conseguimos transformar mágoas em gratidão. Confesso que Deus me surpreende a cada dia.
Sempre tive consciência do meu maior defeito: não saber perdoar (não por picuinha, que relevo, mas somente quando é um dano sério, especialmente envolvendo meu filho). Não cultivo ódio, nem desejo de vingança ou de que aconteça algum mal à pessoa, até a ajudo, se for necessário, pois o mundo dá voltas e já tive oportunidade de ajudar academicamente (e sem me sentir em vanglória) a muita gente que havia me passado a perna. Mas não esqueço.É meu defeito. Luto contra ele.
Nos últimos anos venho acumulando estudos e exercícios espirituais, aprendizados que parecem, de uma hora para outra, ter formado um "insight".
Outro dia escrevi no blog "Flocos de Alma" sobre a substituição súbita do sentimento de revolta pela perda do Luiz Cláudio dois anos e meio atrás, por uma doce gratidão pelos anos que fomos parceiros em momentos dificeis. E que Deus esperou para levá-lo no momento em que eu já não dependia tanto dele.
Isto é muito triste,mas de tristeza também se tece a vida. Eu definitivamente não queria que ele estivesse aqui só porque eu precisava dele para dividir preocupações de pai e mãe com nosso filho, mas seria desastroso se tivesse ocorrido dois anos antes, um ano antes ou dez anos antes quando ele esteve no CTI com hipertensão.
Quando percebi isto, parece que fui surpreendida por um vendaval. Dei mais um passo no processo de elaboração do luto e vontade de viver.
Agora, outra surpresa: me surpreendo sentindo gratidão a uma pessoa que sempre considerei mau-caráter por suas atitudes golpistas, devido a uma ajuda que ela deu a uma pessoa querida a mim. Sempre digo que dela eu nunca tive raiva porque nunca esperei nada de bom, mas ela conseguiu fazer bem a uma pessoa querida a quem eu não consegui. E me senti grata por isto.
Outro dia estava lendo o capítulo sobre a Fé, na Doutrina da Igreja Católica. Fé é dom, escolha e exercício.
Acho que serve também para o perdão e a gratidão. Nunca poderia imaginar sentir gratidão por uma pessoa que me causou grande prejuízo, mas que fez um bem a um ente querido.
Deus me ajuda muito com suas mensagens, lembretes que parecem torpedos ou whatsapp que sempre chegam na hora certa porque Ele sabe que sou meio cabeça-dura.
Por outro lado, não me poupa de provas. Tem me submetido a uma que, acredito, seja necessária para que eu vença minha maior mágoa na vida.
Ainda não sei como isto acontecerá, mas estou enfrentando a dura prova. Nem o mais criativo roteirista de enredos surreais seria capaz de criar esta prova, esta "coincidência", mas Deus é Deus.
E se está me submetendo, é para minha libertação.
Oremos.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Gratidão
Gratidão:
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
Curioso como fatos corriqueiros e aparentemente banais nos mudam a perspectiva diante de grandes coisas. Nos provocam insights, verdadeiras mudanças no modo de olhar um acontecimento. Acho que nada é por acaso.
Minha amiga Daniela postou que está orgulhosa por conseguir ser ninja com seu bebê Gabriel, de um mês e meio: amamenta, troca fralda,leva golfada, limpa golfada , tudo ao mesmo tempo. E agradeceu ao marido Diego pela parceria.
Eu pensei: Ser ninja com um bebê é (quase) mole - sem depreciar, Dani. Quero ver ser ninja quando o filho faz 18 anos.
Aí me veio pela primeira vez um imenso sentimento de gratidão a Deus por ter dado mais 10 anos de vida ao Luiz Cláudio, após Felipe ter completado 18 e não o sentimento de tristeza e revolta que tenho sentido nestes dois anos e meio, por ele ter partido cedo demais. Eu, sozinha, não daria conta daquela fase. Se não fosse Luiz Cláudio, eu teria pirado depois que Felipe fez 18. Ele sempre foi muito controladinho (até onde sei) porque ,enquanto era "de menor", eu carregava no cabresto, dizendo que Siro Darlan iria me chamar pra fazer cursinho de mãe negligente e que ele tinha que ter hora pra chegar à casa sim, que eu o pai dele não merecíamos passar esta vergonha de sermos chamados pela Vara de Infância por ele estar andando tarde da noite pela rua e todas as chantagens que a gente faz pra controlar esses seres indomáveis.
Ao fazer 18, Felipe deu seu grito de independência. "Mãe, agora Siro Darlan não tem mais nada a ver comigo, eu é que mando em mim". (Siro Darlan era o Juiz da Infância e Adolescência).
E Felipe é do tipo sincericida, que conta todas as besteiras que faz, não inventa nem mentira caridosa. Ai de mim se não fosse o pai dele pra dizer: deixa comigo, entregue pra Deus, Deus protege, Felipe sabe o que faz, já é adulto, não se preocupe, Felipe é meu departamento.
Só que, depois de me dizer tudo isto, ele ia atrás de Felipe pra "conferir". Exemplo: Felipe começou a trabalhar como produtor e DJ na Fosfobox e o pai dele dava uma passadinha, no meio da madrugada, assim como quem não quer nada, "só pra tomar uma cerveja" de vez em quando. Quando Felipe foi trabalhar e morar em Natal, o pai deu uma "passadinha" lá, do nada, só pra pegar um solzinho na praia do Morro do Careca e, já que estava mesmo la, por que não conferir o ambiente do Felipe?
Ele era muito engraçado. Se fazia de despreocupado, mas era mais preocupado do que eu.
A primeira gracinha que Felipe fez ao completar 18 anos foi fazer, com mais 4 colegas, uma viagem de carro para a BAHIA. Em um carro novo e superpotente que o amigo havia ganhado porque tinha feito 18 anos. Todos "adultos", na faixa de 18 - 19 anos.
Em outra situação, um dia, me liga meia-noite e fala: mãe, eu estou aqui no Leblon, mas vou a uma festa lá no Fundao.
Eu perguntei: vem cá, se eu pedir pra vc não ir vc vai atender?
Ele: Não.
Eu: então, criatura, por que não inventa uma mentira caridosa e fala que está no Leblon mesmo?
Ele: porque você me ensinou a falar sempre a verdade, tcgau, fui, beijo.
Subia a Pedra da Gávea e tirava foto sentado bem na beiradinha com os pés balançando no abismo e ainda me mostrava, só pra torturar.
Gente, se não fosse o pai dele, eu tinha morrido. Sou um pouquinho neurotica, só um pouquinho. Imagine se eu conseguiria ser ninja e dar conta de tudo isto.
A postagem tão cotidiana da Dani me fez de repente dar uma virada nno meu estado (espero que dure). Sinto-me grata a Deus por Luiz Cláudio ter esperado Felipe "tomar juizo", ou seja, passar a fase em que todos eles enlouquecem os pais, para só então, partir. Me lembro que na véspera do acidente, ele ainda me falou: que bom, agora Felipe sossegou, né?
Eu não daria conta daquele garoto em tudo o que ele aprontou entre 18 e 25 anos.
Sem contar as coisas que nem sei, ou que só descobri meses depois da passagem do Luiz Cláudio, Felipe rindo triste e lembrando do dia que o pai dele aparece de pijama , esfregando os olhos, no meio da madrugada, para tirá-lo de uma furada.Ele contando: mãe, tinha que ver: meu pai de pijama, saindo do carro esfregando os olhos com cara de "o que vc está fazendo aí, garoto?"
Ele estava fazendo arte de rua, que agora é objeto de seu mestrado na Bélgica, até criou um site com o mapa dos grafites de Leuven como trabalho do mestrado, mas aqui no Brasil ainda se confunde com pichação ao patrimonio.
Teve um dia que Felipe perdeu todos os documentos e cartões, aí quem foi encontrar a pessoa que ligou para devolver, sabendo que poderia ser um ladrão que pediria as senhas dos cartões?
Fora as furadas de que ele tirou o Felipe e que eu não sei até hoje, porque ele falava: não conta pra sua mãe, que ela morre.
Dani, definitivamente eu também fui ninja muitas vezes, mas dos 15 aos 25 e principalmente dos 18 aos 25, ai de mim, se não fosse o pai dele para fazer o papel de Chapolin Colorado.
Pela primeira vez eu consigo ver a passagem dele com gratidão pelo tempo que Deus concedeu para passar a fase de sufocos que ele me ajudou a enfrentar e os piores, que ele segurou sozinho e eu nem ficava sabendo.
Siga em paz, Luiz Cláudio e obrigada!
Sem você no leme deste barco, eu teria pirado.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Urgência de viver!
Urgência de viver!
Tenho sentido um apelo de urgência. Preciso viver! Já! Antes que seja tarde!
Minha alma grita por isto. Meu corpo somatiza a violência da
vida que estou levando.
Preciso da minha vida.
Preciso de tempo.
Esta urgência grita a cada dia.
São as perdas? É o efeito de ter visto 8 amigos de
minha idade, partindo antes de completar os 50 anos, ou logo após, todas que
passaram suas vidas trabalhando insanamente, esperando a aposentadoria para viver
a vida?
É o ritmo desumano que o excesso de trabalho, que as contingências, me impõem?
Sempre trabalhei demais, esperando o futuro.
E se esse futuro, tal qual para meus amigos, não vier? E seu eu, como eles, não aguentar esperar?
Sinto-me esgotada, desmotivada, especialmente para os rituais
acadêmicos medievais, para os "fru-frus", adulações, para as demonstrações ridículas de pequenos
poderes, para as pessoas que dão importância demais aos títulos que possuem.
Amo dar aulas. Mas os rituais da vida acadêmica, especialmente
os da "elite acadêmica" das "Grandes instituições" (atenção ao sentido irônico das aspas), têm conseguido me roubar o prazer de produzir, de
pesquisar, de escrever.
Sabem? Estou me concedendo o direito de dizer: não quero
mais. Quero viver!
Não quero perder minhas manhãs e minhas tardes em reuniões
improdutivas, com desfile de egos, que precisam se pavonear e mostrar que
sabem, que precisam de plateia, mesmo que a plateia seja composta por 3
pessoas. Cansada de presenciar alfinetadas, puxadas de tapetes (eu, pessoalmente,
já aprendi a me poupar um pouco disto desde 2007, mas , mesmo aquilo em que não
me envolvo pessoalmente, me afeta)
Estou farta dos egos neuróticos.
Estou farta das farpas.
Estou fartas das cobranças.
Estou farta da pressão.
Quero minha vida.
Minha vida nunca foi O MEU TRABALHO. Embora o ame,
especialmente o trabalho de sala de aula.
Quando falo “quero a minha vida!”, não estou falando de
grandes planos sofisticados.
Estou falando do prazer de lavar um copo dentro da minha casa, de ter uma casa que não seja apenas o lugar aonde vou para tomar banho e
dormir.
De ficar em casa.
De cuidar das plantas.
De tomar café da tarde com a família.
De cumprir todos os planos que fiz na virada do ano.
De fazer exercícios físicos.
De fazer exercícios físicos.
De estudar e escrever por prazer, não por espadas dos prazos,
deadlines.
Já passei por isto, no mestrado , no doutroado e em todos os anos como pesquisadora.
Já passei por isto, no mestrado , no doutroado e em todos os anos como pesquisadora.
Quero ter o prazer de me preparar para escrever crônicas ,estudar para isto, não só artigos
acadêmicos.
De ter tempo para viver minha espiritualidade.
Dedicar-ma às aulas de canto.
Dedicar-ma às aulas de canto.
De Conviver com quem ME interessa, com quem EU escolha.
De andar de bicicleta.
De ir à feira.
De ir à feira.
De não ver mais os feriadões só como um tempo para colocar o
trabalho em dia.
Até quando terei minha família por perto- e os de longe-
para poder usufruir o que REALMENTE conta na vida?
Reforma da Previdência, maldita!
Tenho 33 anos e 3 meses de contribuição previdenciária, o que significa que trabalhei durante este
tempo, afora otempo na informalidade, sempre em três ou quatro empregos. Mas, para aposentar agora, perderei
20%.
Ok, minha saúde vale mais.
Ok, minha saúde vale mais.
Aos cinquenta anos, sinto-me velha, cansada, exausta.
Síndrome de abstinência por não ter ânimo de ir ao teatro e
ao cinema.
Eu quero tempo, eu preciso de tempo. Antes que descubra que
não o tenho mais. Anntes que o segundo AVE deixe sequelas.
Que digam, que falem.
Vou optar por mim.
Não me importa se a aposentadoria no serviço público me fará
perder 20 % do meu salário, pelo crime de ter começado a trabalhar ainda
criança, na informalidade, aos 9 anos, e hoje, com meu tempo de vida útil desgastado, não ter ainda idade para
aposentar integralmente.
Para quem viveu uma vida como estudante profissional, como
bolsista, como filhinho de papai rico,e começou a trabalhar velho, ou que conquistou seus cargos por protecionismos, pode, fácil, falar que brasileiro é vagabundo
porque pede aposentadoria aos 50 anos de idade, quando poderia produzir, quando
está no auge na capacidade intelectual. Sei que dirão isto de mim.
Poderia realmente produzir nos mesmo ritmo que estas pessoas? Os meus 50 anos de idaade correspondem aos mesmos 50 de quem nunca começou a limpar, como eu, casa de duas vehinhas aos 9 anos de idade,ajudar em casa, a dar aulas em casa (explicadora e alfabetizadora de bairro) em tres horários aos 12, em padaria aos 14 e em escola aos 17?
E a energia já esgotada?
Sinto-me velha aos 50 anos. Isto mesmo: velha!
Quero escrever por prazer, quero aprender idiomas, quero ler
o que nunca tive tempo de ler e fui deixando.
Que falem que digam, que difamem.
Vou pedir aposentadoria da Fiocruz no final deste semestre
por uma única razão: TENHO ESTE DIREITO!!!!! Não devo nada a ninguém neste
sentido. Já trabalhei 3 anos e dois meses A MAIS em relação ao tempo de
contribuição e prefiro trabalhar mais 4 para ter direito à aposentadoria por idade. Ou seja, estou trabalhando há 4 anos “de graça” para o governo
federal.
Não quero ter outro AVE (Acidente Vascular Encefálico) em
minha mesa de trabalho, cmo tive em 22 de outubro de 2012. E, a julgar pelos
constantes picos de hipertensão, hipoglicemia e ansiedade generalizada em decorrrência de trabalhar acima dos meu
limites, isto é uma possibilidade concreta.
Quero trabalhar em um ritmo humano,dar minhas aulas com
prazer e com amor.
Hoje foi mais uma dia de conflito no entorno da Fiocruz. Uma
senhora assassinada ontem à noite. Vários jovens assassinados hoje.
Todos os dias é isso.
Cansei.
Joguei a toalha.
Chega!
Não quero engrossar as estatísticas das mortes prematuras de
meus amigos.
Vou lutar pela minha vida, pela minha saúde, pelo direito ao
que defendo: um trabalho humanizado, dentro dos limites da saúde e dignidade
humana.
Ter que publicar pelo menos duas vezes por ano artigos em Revistas
Qualis, só para atender aos critérios da CAPES, me faz perder o prazer de
produzir. O tempo necessário para amadurecer a pesquisa e não ficar repetindo
os mesmo artigos, com títulos diferentes, como – quase- todo mundo faz
Estou farta de riscos, de cobranças.
Risco de desabamento porque trabalho em um prédio que ainda
não tem dez anos,e já está condenado.
Risco de morrer em um dos conflitos cotidianos que
vivenciamos no entorno da Fiocruz. De me jogar no chão na hora do tiroteio.
Risco de trabalhar em um prédio cujas paredes estão
perfuradas de balas.
Cansada de de ler mensagens da Presidência da Fiocruz, nos
dias de conflito, pedindo para aguardar
abrir a portaria porque não há segurança.
Cansada de sair e ver tanques do Exército com fuzis apontados, dezenas de viaturas
policiais igualmente.
Cansada de sentir pânico presa a um engarrafamento, com medo
de arrastão.
Cansada de tentar vir de trem e ter pânico na Estação de Manguinhos por causa de tiroteio.
Cansada de tentar vir de trem e ter pânico na Estação de Manguinhos por causa de tiroteio.
São 33 anos de serviço público dedicados à Educação.
São 13 anos de Fiocruz.
Já dei minha cota.
Não precido mais disto.
Não precido mais disto.
Não vou mais me obrigar a viver entre tiros de fuzil e guerra de egos e tomar
um ônibus que é assaltado todos os dias.
Pra mim, já deu.
Recolhendo documentos para aposentadoria.E que falem!
Prefiro que falem mal de mim viva, a “chorarem” minha morte
por cinco minutos e depois esquecerem de minha existência, seguirem a vida. Meu
filho não vai esquecer minha existência. Meus pais, igualmente.
Cansada de ter crises de hipoglicemia, ansiedade paroxística, medicamento para dormir, e hipertensão por
aborrecimentos com as loucuras dos egos neuróticos, com os tiroteios, com as
portarias bloqueadas.
Chega!
Não estou encerrando minha vida produtiva. Ao contrário,
quero ter uma vida humanizada e produtiva, quero escrever, publicar. Ter tempo
de negociar minhas edições, pois meus livros esgotam e nem tenho tempo de
reeditá-los.
Listrinho, que relata os serviços prestados à Escola pública básica, está abandonado porque não tenho tempo de divulgar. Pedagogia do Mercado, esgotado porque não tenho tempo de reeditar.
Listrinho, para quem tem dúvidas, comprova meu compromisso profundo com a Escola básica pública.
Ja Pedagogia do Mercado, comprova um volume intenso de produção de pesquisa científica em dez anos.
Já orientei mais de uma dezena de teses de mestrado e doutorado. Literalmente centenas de monografias de graduação e pós-graduação lato-sensu.
O ego nunca me alimentou por títulos e cargos.
Está na hora de tirar meus planos da gaveta.
Dar aulas em condições humanizadas, estudar idiomas, música,
cultivar plantas, ir ao teatro, ter tempo para conviver com família e amigos. Cozinhar.
Produzir artigos e livros por prazer e necessidade
intelectual, e não por prazos.
Ler livros que estão empoeirados, esperando.
Participar de congressos para me atualizar e não para mais
uma linha no Lattes.
Pronto, falei.
E que atire a
primeira pedra, quem trabalha desde os 9 anos de idade e com contribuição previdenciária desde
os 17. Quem tem 42 anos de trabalho, aos 51 de idade.
Fui. Viver a vida.
Os compromissos assumidos até o fim deste semestre serão
respeitados.
E estou falando da aposentadoria apenas de UM vínculo, o da
Fiocruz.
“Partiu”, Ser feliz!
quarta-feira, 26 de março de 2014
Deadline
Olhando o blog e pensando na curiosa dinâmica deste instrumento que continua a "existir sozinho", a ser visitado por leitores que nem sei.
Após o feriado de Carnaval, não tive tempo para atualizá-lo.
Não tive tempo para escrever.
Mas nunca escrevi tanto.
Escrever "a trabalho" ou escrever como autoexpressão?
Escrever "a trabalho" e como autoexpressão.
Basta?
Não!
Ideias "cutucam" frequentemente, são os floquinhos de alma em seu desejo de escapar para o mundo lá fora.
Falta tempo.
A rotina da volta ao trabalho.
As mil atribuições de trabalho.
Planos, mais uma vez, arquivados.
A lista de planos de virada de ano revisitada.
A bicicleta ergométrica novamente deslizando para a função de estante-cabide-armário, recebendo cada vez mais raras visitas, na proporção em que o semestre avança em intensidade e o calendário grita por agilidade.
Prazos. Artigos. Tarefas. Orientandos. Leituras obrigatórias.
Registros.
Cadastros.
Logins.
Senhas.
Boletos.
Mais longins.
Mais senhas.
Mais cadastros.
Mais senhas esquecidas.
Recadastros.
Último dia para enviar o texto para o congresso.
Último dia para enviar o parecer para a revista.
Último dia para requerer aquele financiamento para a pesquisa.
Daqui a pouco é o prazo para solicitar bolsista.
Prazos, prazos, prazos.
Deadlines, deadlines, deadlines.
Fim de linha.
Linha inoperante.
Fim de linha.
Linha da morte.
Linha de corte.
E a gente já se acostumou a nomear prazos como deadline, fim de linha, linha da morte.
Linhas da morte.
E a linha da vida na ´palma da minha mão?
Prazo para entregar trabalho. Linha da morte.
Mas trabalho não é vida?
Não é esta a nossa luta?
E a vida?
Paradoxo: Trabalho como objeto de trabalho.
Teoria do trabalho, no trabalho, como efetivação da humanidade que pulsa em um mundo desumano.
Teoria, no trabalho, contra o trabalho como ladrão de possibilidades de tempo livre.
Exaustão no "trabalho contra a exaustão pelo trabalho".
Trabalho como salteador de possibilidade de autoexpressão outra, que não aquela que- felizmente- encontro no trabalho.
Trabalho. Muito trabalho.
Agenda.
Trabalho e breves pausas para recompor a energia de trabalho.
Mas é contra isto que trabalho!
Um blog semi-abandonado.
Dramático seria uma vida semi-abandonada.
Seria uma vida semi-abandonada?
Será?
Liimites, fronteiras, entre realizar um trabalho onde se efetiva em grande parte a autoexpressão e as demais necessidades de autoexpressão negligenciadas.
Um alento: aulas de canto resgatadas além do fosso das obrigações.
Já é alguma coisa!
Após o feriado de Carnaval, não tive tempo para atualizá-lo.
Não tive tempo para escrever.
Mas nunca escrevi tanto.
Escrever "a trabalho" ou escrever como autoexpressão?
Escrever "a trabalho" e como autoexpressão.
Basta?
Não!
Ideias "cutucam" frequentemente, são os floquinhos de alma em seu desejo de escapar para o mundo lá fora.
Falta tempo.
A rotina da volta ao trabalho.
As mil atribuições de trabalho.
Planos, mais uma vez, arquivados.
A lista de planos de virada de ano revisitada.
A bicicleta ergométrica novamente deslizando para a função de estante-cabide-armário, recebendo cada vez mais raras visitas, na proporção em que o semestre avança em intensidade e o calendário grita por agilidade.
Prazos. Artigos. Tarefas. Orientandos. Leituras obrigatórias.
Registros.
Cadastros.
Logins.
Senhas.
Boletos.
Mais longins.
Mais senhas.
Mais cadastros.
Mais senhas esquecidas.
Recadastros.
Último dia para enviar o texto para o congresso.
Último dia para enviar o parecer para a revista.
Último dia para requerer aquele financiamento para a pesquisa.
Daqui a pouco é o prazo para solicitar bolsista.
Prazos, prazos, prazos.
Deadlines, deadlines, deadlines.
Fim de linha.
Linha inoperante.
Fim de linha.
Linha da morte.
Linha de corte.
E a gente já se acostumou a nomear prazos como deadline, fim de linha, linha da morte.
Linhas da morte.
E a linha da vida na ´palma da minha mão?
Prazo para entregar trabalho. Linha da morte.
Mas trabalho não é vida?
Não é esta a nossa luta?
E a vida?
Paradoxo: Trabalho como objeto de trabalho.
Teoria do trabalho, no trabalho, como efetivação da humanidade que pulsa em um mundo desumano.
Teoria, no trabalho, contra o trabalho como ladrão de possibilidades de tempo livre.
Exaustão no "trabalho contra a exaustão pelo trabalho".
Trabalho como salteador de possibilidade de autoexpressão outra, que não aquela que- felizmente- encontro no trabalho.
Trabalho. Muito trabalho.
Agenda.
Trabalho e breves pausas para recompor a energia de trabalho.
Mas é contra isto que trabalho!
Um blog semi-abandonado.
Dramático seria uma vida semi-abandonada.
Seria uma vida semi-abandonada?
Será?
Liimites, fronteiras, entre realizar um trabalho onde se efetiva em grande parte a autoexpressão e as demais necessidades de autoexpressão negligenciadas.
Um alento: aulas de canto resgatadas além do fosso das obrigações.
Já é alguma coisa!
quinta-feira, 6 de março de 2014
Fé, exercício de Fé, Ciência e outras “mirabolâncias” da minha inquieta e desassossegada alma.
Escrito em 6 de março de 2014.
Ainda ontem conversava com
uma amiga e dizia: a fé é um dom, não sei se a tenho, mas ajo “como se”.
Sempre rezo pedindo o dom da
Fé.
Quando sou questionada sobre
se acredito mesmo na Vida Eterna, especialmente por meu filho, eu respondo:
quero acreditar e rezo para isto, mas, o que me importa, é que aquilo que chamo
de Fé me sustenta nesta vida. Se houver de fato, outra, melhor, mas se não
houver, minha fé me ajudou a viver esta.
Falo isto com a “liberdade”
que me permito aos 50 anos, sem medo de escandalizar os moralistas, puritanos e
“crentes” que se julgam tão crentes, mas tão crentes, que nem se permitem uma autoverificação
da própria fé. Não me refiro, ao usar a palavra “crente”, a nenhuma religião,
mas à pessoa que crê.
Já conversei sobre isto com
o padre, ele foi muito compreensivo. Coloco-me diante de Deus com minha
humildade. Não tenho a prepotência de fingir um Dom que ainda não tenho por
completo. Mas me esforço diariamente para obtê-lo. Exercito-me para isto. Mesmo
que signifique participar de 6 missas dominicais em neerlandês na Bélgica.
Alguns dirão: qual a importância de participar da missa em um idioma que você
não domina? Ah, não vou responder não... Foi importante para mim e pronto.
Em tempo: A Liturgia Católica
é universal, então eu pesquisava quais os textos da Missa naquele dia, marcava
na minha Bíblia e ficava lá na Igreja em Leuven. Quando o leitor fazia a
Primeira Leitura em neerlandês, eu fazia a minha, silenciosamente, em português.
Na hora das orações e respostas litúrgicas, a mesma coisa. Todo mundo rezava o
Pai Nosso e o Credo em neerlandês e eu rezava em Português. O curioso é que,
como a língua local escrita é o neerlandês/ flemish, mas a oral é o inglês,
algumas vezes o padre fazia uma parte da homilia em inglês, Na maioria das
vezes, fazia na língua local e eu não entendia nada, mas ficava meditando sobre
as leituras.
Há anos venho pensando
nisto.
Passei por todas as fases.
Cresci na Igreja Católica,
de família praticante, e penso que minha “fé”, ou melhor, minha prática
religiosa, desenvolveu-se por inércia. Era o resultado das forças em movimento
na minha família. Não foi uma escolha minha. Nasci católica, fui batizada, ia
às missas, cursei a catequese, fiz Primeira Comunhão,Crisma (ainda criança, o
que não me permitiu de fato que este Sacramento fosse a confirmação consciente
da Fé “recebida” no Batismo), aprendia com meu avô as palavras de São Paulo
Apóstolo (ele as adotava para repreender, aconselhar, orientar os netos).
Até tornei-me catequista e
seguia direitinho o roteiro. Não fui uma boa catequista,pois era apenas uma
professora de catequese. Não podia oferecer aquilo que não tinha.
Não me lembro de ter uma
relação especial com a fé naquela época. Simplesmente estava pressuposta.
Casei-me na Igreja, com Luiz
Cláudio, que comigo participava da mesma forma. Éramos do grupo jovem, da
equipe de Liturgia, escolhíamos os cantos nas missas, fazíamos leituras, como
todo o grupo.
A Igreja, especialmente em
meu contexto de periferia, era o polo social da juventude. Era no Grupo Jovem e
nas Missas que a “galera” se reunia. E dali surgiam as festinhas, os passeios,
as idas ao clube.
Enfim, misturavam-se em
nosso universo o mundo religioso e o social, sem muito discernimento. (Falo de
mim, apenas.)
Dali surgiram vários
casamentos.
Após o casamento, e especialmente
após a chegada de Felipe, dois anos depois, eu e Luiz Cláudio fomos abandonando
nossas atribuições na Igreja e deixamos até mesmo de participar das Missas.
Na mesma época, entrava em
minha vida a influência da militância política, do curso universitário e a “obrigação”
de rejeitar a Igreja, por seu histórico social e político.
Também sem muito
discernimento, também por inércia, ou seja, seguindo as forças que determinavam
minha posição, sem fazer uma escolha consciente, afastei-me da Igreja e passei
pela fase do “ateísmo universitário”, aquela obrigação de ser uma pessoa da
Ciência e não da Fé.
No meio em que passei a
conviver, a Igreja era motivo de deboche. No PT, a “ala da Igreja” era
considerada pela "esquerda" como “reformista” e “contrarrevolucionária”.
Eu ficava orbitando na
esquerda, embora nunca tenha me filiado oficialmente a nenhuma tendência, pois
não me identificava com a tese da luta armada.
Dentro ou fora da Igreja, não aceito a tese que justifica a luta armada, onde vidas são tiradas, sob a justificativa de que o Capitalismo tira muito mais. Ok, concordo que o Cap(e)talismo tira muito mais vidas, mas eu não iria brincar de luta armada porque não me via tirando uma vida sequer, sob qualquer motivo. (Ressalva: sofri um assalto onde meu filho, então com 1 ano e meio de vida, passou a noite com uma arma na cabeça, sob meus olhos. Naquele momento, eu mataria para defender a vida dele, se pudesse, não serei hipócrita. Somente naquele momento e para salvar sua vida. Recebi “ofertas” de vingança depois, mas recusei. Já havia passado o momento e eu não tinha nenhum interesse em vingança. Que Deus (já que a Justiça dos homens jamais os encontraria) se encarregasse de cuidar dos assaltantes,eu não sujaria minha consciência com o sangue deles.
Dentro ou fora da Igreja, não aceito a tese que justifica a luta armada, onde vidas são tiradas, sob a justificativa de que o Capitalismo tira muito mais. Ok, concordo que o Cap(e)talismo tira muito mais vidas, mas eu não iria brincar de luta armada porque não me via tirando uma vida sequer, sob qualquer motivo. (Ressalva: sofri um assalto onde meu filho, então com 1 ano e meio de vida, passou a noite com uma arma na cabeça, sob meus olhos. Naquele momento, eu mataria para defender a vida dele, se pudesse, não serei hipócrita. Somente naquele momento e para salvar sua vida. Recebi “ofertas” de vingança depois, mas recusei. Já havia passado o momento e eu não tinha nenhum interesse em vingança. Que Deus (já que a Justiça dos homens jamais os encontraria) se encarregasse de cuidar dos assaltantes,eu não sujaria minha consciência com o sangue deles.
Enfim: passei a conviver em
um ambiente antirreligioso e aderi, mas tinha algumas necessidades em minha
alma que nunca haviam sido preenchidas. Busquei muito.
A vida deu muitas voltas.
Trancos. Muitos. Trancos e quedas de barrancos.
Buscava em muitos lugares,
leituras etc, o preenchimento daquele vazio. Mas não podia admitir a “caretice”
de preenchê-lo na Igreja Católica, afinal eu era uma “quase-intelectual”, das
Ciências Humanas, Sociais, Políticas e não poderia compactuar com a Igreja da
Idade Média. (estou rindo de mim mesma por esta imaturidade).
Eu era jovem, insegura, não
tinha a coragem que tenho hoje, de parecer esquisita e assumir isto, tanto no meio acadêmico
por ser “católica de missa”, ou ser esquisita no meio religioso, por ser
intelectual que defende que religião é assunto de Igreja, que a escola e o
Estado devem ser laicos e que a legislação não pode se pautar na moral de uma
religião.
Bom, sou esquisita nos dois ambientes, mas sou “ok” comigo mesma.
Claro que me questiono diariamente sobre estes limites e procuro rever a cada dia esta questão, dado que falar na teoria é fácil, mas na prática é muito mais difícil. Como me perguntou uma aluna muito corajosamente: isto não seria hipocrisia? Pergunto-me isto a cada dia. Como conciliar a moral que adoto voluntariamente como cristã católica com a posição de professora , uma representante do Estado de Direitos? (atenção: representante do Estado, não do governo. Estado inclui a “vontade geral” da sociedade, o bem comum, a legislação, as políticas públicas, não o governo. Toda instituição escolar é concessão do Estado e a suas leis deve respeitar, desenvolvendo, ainda, a função contra-hegemônica de transformação da sociedade).
Bom, sou esquisita nos dois ambientes, mas sou “ok” comigo mesma.
Claro que me questiono diariamente sobre estes limites e procuro rever a cada dia esta questão, dado que falar na teoria é fácil, mas na prática é muito mais difícil. Como me perguntou uma aluna muito corajosamente: isto não seria hipocrisia? Pergunto-me isto a cada dia. Como conciliar a moral que adoto voluntariamente como cristã católica com a posição de professora , uma representante do Estado de Direitos? (atenção: representante do Estado, não do governo. Estado inclui a “vontade geral” da sociedade, o bem comum, a legislação, as políticas públicas, não o governo. Toda instituição escolar é concessão do Estado e a suas leis deve respeitar, desenvolvendo, ainda, a função contra-hegemônica de transformação da sociedade).
Enfim, minha condição de cristã
católica e intelectual das Ciências Sociais não é nada fácil nem simples.
Examino minha consciência e procuro estudar todos os dias o assunto, por isto o
Catecismo da Igreja Católica na mesa de Cabeceira e o livro do Terry Eagleton
do outro lado da cama.
E tem um agravante: o padre
da minha atual paróquia (Santa Teresinha do Menino Jesus) é “intransigente” (no
bom sentido”), conhece muito bem tanto a Teologia quanto as Ciências Sociais e
me “provoca” a refletir exaustivamente, não dá um minuto de sossego à minha
consciência. Vive postando “inquietudes” no Facebook , mesmo quando está de
férias.E isto me faz voltar lá no autor que ele menciona, reler o Manifesto Comunista, Raymond Aron. Sem falar no modo “zangado” como nos exorta nas Missas. Ele tem fortes
argumentos, sustentados por textos dos autores das Ciências Sociais, que
seleciona muito bem. Enfim, cumpre muito bem seu papel de pastor.
Voltando um pouco...
Duas décadas longe da Igreja.
Por maneiras diferentes,
tanto eu como Luiz Cláudio nos reaproximamos da Igreja e tentamos influenciar Felipe,
visto que não o havíamos feito na infância.
Lembro-me de Felipe falando:
“Caraca, você e meu pai são muito igrejeiros, só sabem ficar me chamando pra ir
à Missa, parece que não têm outro assunto”. “Caraca, acho que meu pai ainda é “pior”
do que você.”
E Felipe ria de seus “velhos
pais”, com a superioridade de um jovem na casa dos vinte anos. A mesma
superioridade com que eu ria de meus pais duas décadas antes.
Pois é... Luiz Cláudio era
mesmo “pior” do que eu no quesito “querer levar Felipe para a Igreja.
Sua fé era inabalável.
Isto me conforta hoje, pois
sei que nos quatro dias que passou no hospital antes de morrer, consciente, mas
sem poder falar, não se desesperou.
Luiz Cláudio tinha uma fé
que não lhe permitia desesperar-se.
Quando conversávamos sobre
nossas preocupações com filho adolescente / jovem, eu era “a desesperada”,
sempre vendo alguma tragédia pela frente.
Luiz Cláudio tinha a mania
de começar todas as frases, diante de um problema, com a expressão: “Que nada!”
“Que nada! Felipe é adulto,
vai saber se safar”
“Que nada! Não vai acontecer
nada de ruim com ele”
“Que nada! Vai dar tudo
certo, está tudo nas mãos de Deus”
“Se alguma coisa ruim
acontecer, nos entregaremos nas mãos de Deus, pois Ele sabe de todas as coisas.”
“Deixa de se preocupar. Se
acontecer alguma coisa, teremos que nos conformar porque nada acontece contra a
vontade de Deus”.
Enfim, esta era a fé que
Luiz Cláudio encontrou/reencontrou e viveu nas últimas décadas de vida.
Inabalável, sem questionamentos. Se os tinha, não expunha. Mas acredito que não
tinha.
Já o meu caso é
completamente diferente.
Eu me disciplino e ajo com
fé, para ver se obtenho a fé.
Voltei à Igreja “na marra”,
por um processo de depressão gravíssimo.
Não admito que se interprete
isto como “prêmio e castigo”. Não fui “castigada” com a depressão por estar
longe da Igreja, tampouco fui “premiada” por ter voltado.
Deus não tem carteira de
clientes-fidelidade.
Seria uma fé ridícula, aquela que acreditasse em um deus que assim procede. Um deus masoquista, que joga com as pessoas, premiando
e punindo, chantageando. Realmente, errada ou certa, não acredito neste “tipo de deus”
perverso.
Tive alívio da depressão com
o retorno à Igreja, por uma razão muito simples: tinha um vazio em minha alma.
Claro que estou falando em “alívio”,
pois depressão é uma doença clínica que requer tratamento medicamentoso e de
psicoterapia. Mas o buraco da alma, que é um elemento desencadeador, só cada
pessoa pode saber identificar e tentar sanar. No meu caso, é muito claro: minha
profissão é desumana e desumanizante em muitos aspectos, embora seja a mais
linda (aos meus olhos- se assim não pensasse, estaria em outra). Mas ser
professora não significa apenas fazer aquilo que amo: entrar na sala de aula,
dar aulas, estudar, ensinar, aprender, ajudar a formar pessoas, adotar os
alunos como vice-filhos, pesquisar, escrever, ler .
Há um lado extremamente
perverso e adoecedor, que é o convívio no meio acadêmico. A guerra de egos, as
rivalidades, as decepções, a incoerência entre o que as pessoas falam/escrevem
e o que praticam, a deslealdade como regra geral.
Isto adoece a quem não se ilude
com a vanglória de títulos, plateias e “homenagens” efêmeras.
Adoece a quem não se ilude
com os aplausos e sorrisos. A quem não “acredita” nisto como alimento para sua
alma.
É claro que o reconhecimento
profissional é muito bem vindo, pois é o resultado de décadas de esforço e
dedicação, além do amor investido na profissão.
Mas não me iludo.
Não me alimento disto.
Sei o quão efêmeros são os
sorrisos, elogios e aplausos e quão rapidamente podem transformar-se em
punhaladas.
Já estou nesta profissão há
34 anos e tomo meu soro antiofídico diariamente.
E era este soro antiofídico
que me faltava.
Costumo dizer (especialmente
a um motorista de táxi que me conduz quando vou de taxi ao trabalho), que meu
soro antiofídico é a Liturgia Diária da Igreja Católica, especialmente o Salmo
do dia.Procuro ver pelo menos a parte da Liturgia da Palavra pela televisão
antes de sair de casa. Vou me arrumando, tomando café e ouvindo.
Vivi cerca de 20 anos sem
este soro antiofídico. Sei o valor dele hoje nas lutas diárias.
Sofri muito quando não o
tinha, ou melhor, quando não o buscava.
Mas vamos ao motivo deste
texto... Começo a escrever e divago, divago... quase não retorno ao ponto de
partida. Aqui, posso. Nos artigos acadêmicos, não. Nos livros acadêmicos, não.
Na correção das teses e monografias, não. Mas aqui posso.
Ontem conversava com uma
amiga sobre esta minha relação esquisita com a Fé.
Eu não sei se a tenho, mas a
procuro e ajo “como se”, ajo “como quem tem fé”, na esperança de que, de tanto
tentar, um dia poder dizer de fato: eu tenho fé. Uma fé tão sólida como têm
alguns amigos e como tinha Luiz Cláudio.
Há cerca de duas horas, comecei
a ler um livro acadêmico, mas logo meus olhos se voltaram para um “livrão” de
capa amarela que mora na minha mesa de cabeceira: o Catecismo da Igreja Católica.
Um livrão de 937 páginas, que sistematiza a Doutrina da Igreja.
Não por coincidência, o
marcador estava exatamente no capítulo sobre a Fé. Eu havia parado a leitura no
final do capítulo anterior e deixei o marcador na página onde deveria retomar a
leitura. Mas nem me lembrava de que era sobre a Fé.
Transcrevo aqui alguns
trechos do Catecismo da Igreja Católica:
“Pela fé, o homem submete completamente sua
inteligência e sua vontade a Deus. Com todo o seu ser, o homem dá seu
assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura denomina ‘obediência da fé’
esta resposta do homem ao Deus que revela.” (p 48)
“Obedecer (‘ob-audire’) na fé significa submeter-se
livremente a palavra ouvida(...) (p 48)
“A fé é primeiramente uma adesão
pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus
revelou.” (p 49-50)
“A fé é uma Graça” (p 50)
“A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural
infundida por Ele. “para que se preste esta fé, exigem-se a traça prévia e
adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração
e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá a todos suavidade no consentir
e crer na verdade.” (p 51)
“Crer só é possível pela graça e pelos
auxílios interiores do Espírito Santo. Mas não é menos verdade que crer é um
ato autenticamente humano. Não contraria nem a liberdade nem a inteligência do
homem confiar em Deus e aderir às verdades por ele reveladas.” (p 51)
“(...) prestar, pela fé, plena adesão do
intelecto e da vontade.” (p 51)
“Na fé, a inteligência e a vontade
humanas cooperam com a graça divina.” (p 51)
“Crer é um ato da inteligência que
assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça.”
(p 51)
“A graça da fé abre os olhos do coração.”
(p 52, citando Ef 1, 18)
“(...)eu creio para compreender, e
compreendo para melhor crer” (p 52, cit Santo Agostinho)
Fé e
Ciência - Vejam que lindas diretrizes para os cientistas de todas as áreas”
“Porém, ainda que a fé esteja acima da
razão, não poderá jamais haver verdadeira desarmonia entre uma e outra,
porquanto o mesmo Deus que revela os mistérios e infunde a fé dotou o espírito
humano da luz da razão. (...) Portanto, se a pesquisa metódica, em todas as ciências, proceder de maneira
verdadeiramente científica, segundo as leis morais, na realidade nunca será oposta à fé: tanto as
realidades profanas quanto as da fé originam-se do mesmo Deus. Mais ainda: quem
tenta perscrutar com humildade e perseverança os segredos das coisas, ainda que
disso não tome consciência, é como que conduzido pela mão de Deus, que sustenta
todas as coisas, fazendo com que elas sejam o que são.”
A Liberdade
da fé
“(...) O homem deve responder a Deus,
crendo de livre vontade. (...) ninguém deve ser forçado contra sua vontade ser
obrigado a abraçar a fé. Pois o ato de fé é por sua natureza um ato voluntário”
(p 53)
Finalizando:
- A leitura destas páginas convenceu-me de que
minha relação com a fé não é esquisita, como eu pensava até momentos atrás.
- É
linda a definição da relação entre a ciência e a fé. A dificuldade é que, ao
pautar-se por valores morais, o cientista- e isto é inevitável- pauta-se pelos
valores morais aos quais dele adere, religiosos ou não.
-
Reitero o desafio que me coloco diariamente para, concretamente, saber me
posicionar nos dilemas éticos na escola.
Este desafio é acrescido dos seguintes dados:
Este desafio é acrescido dos seguintes dados:
a-
Na escola básica, especialmente na Educação infantil e primeiros anos, onde
predominam entre os professores as religiões cristãs (católica e protestante),
observa-se o preconceito e discriminação contra as religiões não-cristãs, o que
fere a Constituição e a Legislação Educacional, além de ferir o bom-senso. Como
dito acima, a fé é um ato de graça e DECISÃO, de LIBERDADE. Ninguém pode ser
coagido, especialmente na escola laica, a aderir a alguma religião ou à fé.
b-
Na universidade, ou já no Ensino Médio, observa-se a divulgação do conflito
(falso, segundo o texto acima, mas é
falso aos olhos da Igreja Católica e, portanto, somente aos que a ela pertencemos,
cabe tomar como princípio), entre fé e razão e uma coação ao ateísmo.
c-
Como expressão do Multiculturalismo e ações afirmativas, entre outras razoes, a
universidade está perdendo seu caráter laico para religiões de matriz africana.
Vivemos um momento em que ‘é moda’ entre os intelectuais a adesão ao
Camdomblé, Umbanda. Quando digo que é “moda”, considero, inclusive, que isto
desrespeita a própria religião, pois torna-se objeto “cultural” simplesmente.
Não
consigo aceitar que em uma Universidade como a UERJ, haja um grupo de pesquisa
sobre Candomblé no Mestrado e Doutorado em Educação, composto por adeptos desta religião, como ação afirmativa. O espaço
da universidade deve ser laico. Não concebo que dentro de um programa de
mestrado e doutorado, uma atividade claramente de cunho religioso seja
considerada como disciplina, compute créditos etc.
O fato de que as religiões de matriz africana sejam discriminadas, como já afirmei acima, e que isto seja um erro da Escola Básica, não justifica a utilização da universidade pública para a propagação de qualquer religião.
Do mesmo modo, não aceitaria que houvesse no mesmo programa um grupo da Renovação Carismática Católica, da Teologia da Libertação, da Igreja Universal do Reino de Deus, da Igreja Batista, da Assembleia de Deus ou outras.
O fato de que as religiões de matriz africana sejam discriminadas, como já afirmei acima, e que isto seja um erro da Escola Básica, não justifica a utilização da universidade pública para a propagação de qualquer religião.
Do mesmo modo, não aceitaria que houvesse no mesmo programa um grupo da Renovação Carismática Católica, da Teologia da Libertação, da Igreja Universal do Reino de Deus, da Igreja Batista, da Assembleia de Deus ou outras.
Uma
coisa é um programa de Antropologia ou Sociologia (e até mesmo a Educação ou
outras ciências), por exemplo, ter como objeto de estudos a espiritualidade,
religiosidade, religião, as religiões ou uma determinada religião.
Outra,
bem diferente, é um grupo pertencente a UMA determina da religião criar dentro
de uma universidade pública um grupo de estudos e pesquisas de adeptos e
simpatizantes de SUA religião.
O que vale para o Catolicismo e para o Candomblé tem que valer para a Igreja Universal, por que não?
O que vale para o Catolicismo e para o Candomblé tem que valer para a Igreja Universal, por que não?
Choverão
pedras, eu sei. A turma da “tolerância intolerante” vai cair em cima de mim.
Não tem problema. Não concebo a
utilização da universidade pública para a propagação de qualquer religião. Nem a
minha nem qualquer outra.
Portar
símbolos religiosos em seus corpos, em seu vestuário é uma ato de liberdade e direito que deve ser
preservado na escola. Já transformar uma determinada religião em atividade
curricular de um programa de mestrado e doutorado é um abuso, a meu ver, inclusive contra a
própria religião.
Ciência
na universidade, religião nos templos.
E
cada sujeito, em sua consciência, faz a síntese baseada no respeito e nos
princípios éticos (mais amplos e gerais) e morais(mais específicos de
determinada comunidade de práticas).
Escola laica é lugar de ética, não de moral religiosa como currículo.
Daí o meu conflito. De fato, a universidade hoje não é laica. Seja pela imposição do ateísmo, seja pelo modismo das religiões de matriz africana.
Até onde e quando compactuar?
Meu filho estuda em uma universidade católica , mas não há sequer traço disto em eu currículo, assim como quando estudou no Colégio Nossa Senhora do Rosário.
E poderia haver, pois você escolhe estudar em uma escola confessional porque a tal fé professa, ou, pelo menos , está consciente do que é uma escola confessional.
Que hajam escolas confessionais de todas as religiões, se assim desejarem. Mas a escola pública é laica. Não é cristã, não é muçulmana, não é budista, não é umbandista, não é ateia. A escola é laica. Os sujeitos podem ou não professar sua fé com liberdade, mas a escola não pode assumir NENHUMA religião ou o ateísmo como conteúdo curricular (do currículo explícito ou do oculto)
Escola laica é lugar de ética, não de moral religiosa como currículo.
Daí o meu conflito. De fato, a universidade hoje não é laica. Seja pela imposição do ateísmo, seja pelo modismo das religiões de matriz africana.
Até onde e quando compactuar?
Meu filho estuda em uma universidade católica , mas não há sequer traço disto em eu currículo, assim como quando estudou no Colégio Nossa Senhora do Rosário.
E poderia haver, pois você escolhe estudar em uma escola confessional porque a tal fé professa, ou, pelo menos , está consciente do que é uma escola confessional.
Que hajam escolas confessionais de todas as religiões, se assim desejarem. Mas a escola pública é laica. Não é cristã, não é muçulmana, não é budista, não é umbandista, não é ateia. A escola é laica. Os sujeitos podem ou não professar sua fé com liberdade, mas a escola não pode assumir NENHUMA religião ou o ateísmo como conteúdo curricular (do currículo explícito ou do oculto)
Já
conversei sobre isto com duas pessoas (queridas MESMO) que fazem parte do grupo
em questão (curiosamente, ambos meus ex-alunos). E lhes fiz esta pergunta: e se
fosse a Igreja do Evangelho Quadrangular ou a igreja Universal? Seria um escândalo.
A notícia estaria em todos os jornais e os intelectuais estariam se
manifestando contra nas ruas.
Bom,
o debate é intenso. Vamos a ele!
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