sexta-feira, 13 de maio de 2016

A vida não é uma prova de ginástica olímpica.

Vou parar de pensar que minha vida é uma prova de Ginástica Olímpica.
Pelo que vejo na TV, numa prova de Ginástica Olímpica, a nota de partida é dez (ou a nota máxima) e, a cada erro, perdem-se pontos, frações de pontos.
Eu sou assim. Acabo de fazer um trabalho e começo o inventário dos defeitos. E vou tirando pontos de mim mesma.
Se dou uma palestra, só me lembro que deixei de falar isto, deixei de enfatizar aquilo, deveria ter sido mais formal, deveria ter sido mais linear ou mais "didática".
Mas minha natureza é esta, o que fazer?
Eu tenho entusiasmo em defender as ideias que considero corretas e justas e não consigo me entusiasmar e fazer cara de paisagem ao mesmo tempo.
Sei que dou muito trabalho a quem edita, eventualmente, o video de alguma palestra. Não é nada fácil filmar porque, dependendo do lugar, eu não paro quieta num canto. E é difícil editar, tirando os exemplos muitos contextuais, alguma informalidade que faz sentido no dia e no local, mas não num video a ser exposto no Youtube, por exemplo
Em vez de tirar partido do diferencial, eu o coloco na contabilidade dos defeitos. Sim, meu jeito de dar aulas e de fazer palestras é este ,não é uma apresentação "formal", impessoal, diante de duzentos slides, onde eu vou lendo-os e tecendo pequenos comentários, sem sair da zona de conforto.
Eu saio da zona de conforto e assumo riscos.
Mas quem diz?
Eu fico martelando cada palavra que eu NÃO disse.
E dá-lhe corte de pontos..
O mais engraçado é que nas avaliações dos trabalhos de outras pessoas eu sou extremamente condescendente.
Quem foi meu aluno sabe.
Costumo dizer que para um aluno ser reprovado por mim precisa se esforçar muito.
Sim, para ser re-pro-va-do precisa se esforçar muito.
Eu sou condescendente na correção (mas não injusta) dou novas chances, mil chances.
Claro que dou nota zero a quem me traz trabalho plagiado, mas chamo, explico o que é um plágio e dou prazo para me entregar novo trabalho.
Mesmo que isto me custe umas 5 dúzias de emails cobrando a entrega das notas.
Por que não ser condescendente comigo também?
Ou, pelo menos, justa?
Por que tudo isto agora?
Porque estava avaliando muito mal um trabalho que fiz. Uma autoavaliação draconiana, como sempre. Então, ouço uma palavra na televisão e me lembro de uma ideia muito original que havia apresentado naquele trabalho. E comecei a procurar os aspectos positivos. E não é que os encontrei?
Sempre acho que deveria ter feito mais, mais e mais. Melhor, melhor e melhor.
Assim ocorreu no Concurso para a Universidade Rural. Acabei de entregar a prova escrita no primeiro dia e fui almoçar. Durante o almoço, sozinha, fiquei pensando em tudo o que NÃO tinha escrito. Concluí: É, eu não escrevi isto, aquilo, aquilo...mas vai dar para tirar media 8 e passar. Vai ser raspando, Eu me daria 8 ou 8,5. Ao fazer a leitura oral da prova, na parte da tarde, que era a segunda etapa do concurso, já fui mudando minha autoavaliação. É. Não estava tão ruim assim. Se esta prova fosse de outra pessoa eu daria dez (veja a discrepância: se fosse para mim, me daria 8, se a prova fosse de outra pessoa, eu daria dez)
Quando a nota foi apresentada, inicialmente pensei que a banca tinha sido generosa em me dar uma nota muito mais alta do que eu me daria. Com o passar dos dias, dos meses, fui vendo que minha prova estava ótima mesmo.
Quanto à banca, com certeza, ela não seria "generosa" em uma avaliação. Ela seria justa. Todos ali têm um nome a zelar. São pessoas sérias.
Além disso, não havia por que me dar uma nota maior do que a merecida, em um concurso daquela dimensão, onde, inclusive, todas as etapas são públicas.
Lembrando do Rafael, um professor de canto com quem tive aulas por cerca de um ano.: Você é perfeccionista demais e isto te paralisa. Você não admite errar. Assim você não vai cantar nunca!.
De agora em diante, minha vida não é mais uma prova de ginástica. não vou contar pontos perdidos, vou contar os pontos ganhos,
Vai ser uma luta bem árdua, mas começar já é suficiente.
Acho que preciso começar pelas providências para editar meus livros que estão esgotados. A humanidade merece...rsrsrsrsrsrs.
Gente, isto é uma brincadeira. Daqui a pouco vai ter gente me chamando de bipolar e megalomaníaca porque brinquei dizendo que a humanidade merece ler meus livros , de uma hora para outra......kkkkkkk